Campo Grande (MS),

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    22/05/2018

    Audiência pública sobre o gás de xisto mobiliza mais de 300 pessoas em Nova Alvorada do Sul

    ©Divulgação/ALMS
    Com a presença de mais de 300 pessoas, entre estudantes secundaristas e lideranças comunitárias, a Câmara Municipal de Vereadores de Nova Alvorada do Sul realizou na noite de ontem (21) a audiência pública “Impactos na Extração do Gás de Xisto em Mato Grosso do Sul”.

    Em parceria com o deputado estadual Amarildo Cruz (PT) e a organização não governamental Coesos, o debate foi promovida pelos vereadores Luciano Dias (PT), Vanderlei Bueno, Lourdes Pimentel e Edir Alves Mesquita com a finalidade discutir com a população sul-nova-alvoradense as consequências da possibilidade de se iniciar a exploração do gás de xisto no município.

    A cidade de Nova Alvorada do Sul está entre as 54 cidades sul-mato-grossenses que poderão ser impactadas com a eventual extração de combustível fóssil na região. Ela integra a bacia do Rio Paraná no Estado e, segundo análises da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), onde há a possibilidade de encontrar o gás de xisto.

    Em busca de elucidar os cidadãos sobre as consequências da extração, Amarildo Cruz expôs os resultados da exploração do combustível em outras localidades do mundo, como Argentina e Austrália, onde levou danos no dia a dia aos moradores das áreas afetadas e, consequentemente, na produção local. “Nossa intenção é trazer o assunto à tona, informar a população sobre o perigo que correm, principalmente as cidades com potencial para a exploração do gás, além de sensibilizar as autoridades competentes para que tomem medidas protetivas”, assegurou.

    O parlamentar estadual é autor do projeto de lei n° 0003/2018 na Assembleia Legislativa, que pede a suspensão da exploração do gás em Mato Grosso do Sul, no período de dez anos, para que sejam realizados estudos aprofundados a respeito dos reais danos na produção do combustível fóssil.

    Para o vereador Luciano Dias, que atua na agricultura familiar, após estudos aprofundados sobre o assunto, pode entender a gravidade que uma iminente exploração no município pode causar. “Eu não vejo melhorias com extração do gás de xisto e, sim, algo que vai trazer danos posteriores para nós”, disse o parlamentar municipal. 

    O prefeito Arlei Barbosa também manifestou preocupação com a possibilidade da exploração do combustível e revelou apoio ao projeto de lei do deputado Amarildo Cruz. “Nós não precisamos sacrificar nosso solo, nossos rios, nossa população. Não queremos isso para nosso povo”, declarou Arlei. Na oportunidade, ele aproveitou para entregar uma moção de apoio ao parlamentar estadual pela proposição na Casa de Leis.

    A audiência pública para discutir o gás de xisto contou também com a presença do promotor de Justiça, Maurício Cabral; a ativista ambiental Suelita Rocker, representando a Ong Coesos; o representantes da MS Gás, Luiz Carlos dos Santos; os vereadores Edir Mesquita, Vanderlei Bueno e Lourdes Pimentel; e o deputado Felipe Orro.

    Técnica de extração do gás de xisto

    A técnica utilizada na extração do gás de xisto, utilizado na geração de energia elétrica, é conhecida como fraturamento hidráulico ou fracking, que ultrapassa as fontes subterrâneas de água, onde um cano de aço, revestido por cimento injetado, leva água e produtos químicos e sua pressão causa fraturas que liberam o gás, altamente poluente, e que contamina a água, solo e ar.

    Municípios de Mato Grosso do Sul já ofertados em leilão da ANP

    Água Clara, Anaurilândia, Angélica, Bataguassu, Batayporã, Brasilândia, Campo Grande, Deodápolis, Ivinhema, Nova Alvorada do Sul, Nova Andradina, Novo Horizonte do Sul, Ribas do Rio Pardo, Rio Brilhante, Santa Rita do Pardo, Taquarussu, Três Lagoas, Alcinópolis, Bandeirantes, Camapuã, Cassilândia, Chapadão do Sul, Costa Rica, Inocência, Rochedo e São Gabriel do Oeste.

    Até o momento, áreas dos municípios de Santa Rita do Pardo e Brasilândia já foram arrematadas pela Petrobrás em duas rodadas do leilão. As outras áreas continuam em leilão permanente e podem ser arrematadas a qualquer momento.

    ASSECOM


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