Campo Grande (MS),

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    14/11/2018

    ERVA MATE| A historicidade cultural Ka'a na formação regional

    FONTE: https://www.youtube.com/watch?v=QdugD5ob5hU Processo Histórico da Erva Mate 
    RESUMO

    A finalidade desta pesquisa documental e de produzir um estudo através de referencial teórico existente sobre o assunto a ser abordado, acerca da influência dentro do desenvolvimento regional da exploração e produção da erva-mate nativa para compreender dentro da historicidade qual foi o seu papel mediante este contexto histórico, que há transformou em uma mercadoria valiosa, para consumo local e exportação considerada pelos primeiros ervateiros uma espécie de ouro verde, pela quantidade e variedade, podendo ser consumida quente ou fria e utilizada para tingimento de tecidos, conhecimentos sobre os usos da erva-mate ka’a em tupi guarani. 

    PALAVRAS CHAVES: Fronteiras regionais; Identidade territorial; Identificação histórico-cultural. 

    INTRODUÇÃO: 

    Antes da chegada dos europeus à América, os índios guaranis já usavam as folhas da erva-mate chamada de ka'a karai, "folha sagrada", ou côgoi, palavra esta que foi posteriormente adaptada ao idioma português como "congonha" para preparar uma bebida estimulante. Era o chamado ka'a y traduzido do guarani, "água de folha". As folhas da erva eram colocadas em uma cuia com água e o líquido era então chupado através de uma taquara, caniço ou osso o chamado tacuapi, filtrado através de um trançado de fibras vegetais. 

    Segundo o mito guarani, a bebida foi descoberta quando um velho índio não conseguiu mais acompanhar as andanças da tribo devido à sua idade avançada e teve que ficar para trás. Sua filha decidiu ficar com ele, mas ele queria que ela seguisse com a tribo, então o deus Tupã (ou então São Tomé) lhe ensinou a preparar uma bebida com as folhas da erva-mate, bebida esta que lhe daria forças e que permitiria a ele e a sua filha acompanharem a tribo. Os índios guaranis costumavam armazenar as folhas de erva-mate em cestas de taquara. 
    FONTE: https://www.youtube.com/watch?v=QdugD5ob5hU Processo Histórico da Erva Mate 
    Os primeiros achados de erva-mate segundo estudos tem como data aproximada de mil aC. Foram encontrados vestígios de material, sendo estes, moída com outros objetos em oferendas funerárias de sepulturas de povos no Peru, segundo estudo publicado por SOUZA (1969) em seu livro “A origem do chimarrão”. Não existem dúvidas de que tribos indígenas faziam uso da erva-mate. Sabe-se que ela era consumida, em infusão ou mascada, em diversas outras tribos além dos Guaranis, como pelos ameríndios (Incas e Quíchuas) e também por Caingangues que estavam na região onde hoje é o Paraná. 

    Através do contato do branco europeu com os índios nativos locais que o costume de beber mate se propagou. Essa interação entre os dois povos e culturas, pode explicar a origem de algumas palavras: dentro da língua guarani surgiu expressões como congonha (de caá, depois congoin [em tupi], que significa erva-mate, mato); cuia (de caigua); carijo (de cari, local onde se colocam os galhos da erva para secar ao calor do fogo) e tererê (do guarani jacubi, que era mate de água fria). Do tupi surgiu a palavra barbaquá (buraco onde a erva era colocada para secagem). Do quíchua foi herdado o nome mate (era mati, porongo onde colocavam a erva para beber). 

    O ERRO DE PESQUISA CIENTÍFICA DE CAMPO 

    Segundo SOUZA (1969) foi por um erro de percurso que a erva-mate ganhou o nome científico, em 1820, de Ilex paraguariensis, dado pelo botânico francês August de Saint-Hilaire. Ele teve contato com a árvore primeiramente no Paraguai, mas depois se retratou em um livro, hoje guardado em uma biblioteca de Paris. 

    O naturalista reconheceu que seria mais adequado tê-la chamado de Ilex brasiliensis. Pois descobriu, posteriormente, que era no Brasil, em grande parte no território hoje do Paraná, que a erva-mate era nativa em maior quantidade e melhor qualidade. É debaixo dos galhos das araucárias que os ervais se desenvolvem. 

    A vastidão da planta de erva–mate, que chamou a atenção do botânico francês, já havia atraído os olhares de outros visionários. O ouvidor Rafael Pires Pardinho, que estava em Curitiba por volta de 1721 para criar um código de posturas para a cidade, registrou em seus diários, com um século de antecipação, o que seria a grande possibilidade econômica da região. 
    FONTE: http://www.apremavi.org.br/erva-mate-uma-arvore-de-tradicao/ 
    De acordo com fontes e publicações os europeus que introduziram o metal nos apetrechos do mate: a bomba passou a ser feita de prata (abundante na região na época, oriunda das minas de Potosí, na atual Bolívia), com detalhes em ouro. A bomba passou a contar com um pequeno adorno colorido perto do bocal chamado "pitanga" (uma referência à pequena fruta vermelha homônima de aspecto semelhante), que tem a função prática de indicar o lado da bomba que deve ficar voltado para cima. A cuia passou a ter o bocal revestido de prata. E foi criada uma armação de metal para sustentar a cuia, quando ela não estivesse sendo usada. Para os menos abastados, em vez da prata era utilizado outro metal branco menos valioso, como a alpaca ou o alumínio. A água usada no preparo do mate pelos índios guaranis era, inicialmente, fria. Foram os europeus que passaram a utilizar água quente no preparo da bebida, muito provavelmente para evitar doenças oriundas de água contaminada não fervida. “Os europeus também passaram a armazenar a erva-mate em bolsas impermeáveis de couro, os chamados surrões". 

    A palavra castelhana cimarrón, que significa "selvagem" e que era utilizada para se referir ao gado bovino que havia sido introduzido pelos espanhóis na América do Sul e que havia se dispersado, tornando-se selvagem, foi usada pelos luso-brasileiros do Rio Grande do Sul para designar a bebida, que passou a ser conhecida como chimarrão. 

    Outro fato histórico evidencia que Os índios da atual região sudeste dos Estados Unidos utilizavam uma planta aparentada à erva-mate para produzir um chá que tinha supostos efeitos purificadores. A planta era a Ilex vomitoria e o chá era chamado de "bebida negra", "bebida branca", "cassina" ou yaupon. O chá era consumido em uma grande concha ornamentada. Muitas vezes, seu uso era seguido de vômito, também, com efeito, supostamente purificador. Com a expulsão dos índios da região para o interior dos Estados Unidos, onde não existia a Ilex vomitoria, o uso do chá desapareceu, permanecendo somente na região costeira do atual estado da Carolina do Norte. 

    OS GUARANIS DA ARGENTINA 

    Os guaranis da região nordeste da Argentina parecem ter sido os descobridores do uso da erva-mate. No século 16, os guaranis passaram este conhecimento aos colonizadores espanhóis, que o disseminaram por todo o Vice-Reino do Rio da Prata. A erva-mate chegou a ser proibida no sul do Brasil durante o século XVI, sendo considerada "erva do diabo" pelos padres jesuítas das reduções do Guayrá. A partir do século XVII, no entanto, os jesuítas passaram a incentivar o seu uso pelos índios com o objetivo de afastá-los das bebidas alcoólicas
    FONTE: http://www.escoladochimarrao.com.br/curiosidades-inf.php?cod=8 
    Por volta de 1690, Anton Sepp, jesuíta austríaco, ao encontrar índios na Banda dos Charruas, conta: "(...) um deles pediu apenas um pouquinho de uma erva paraguaia que não é outra coisa senão as folhas secas de determinada árvore, moídas em pó. Esse pó os índios deitam na água e dele bebem (...)" Sabe-se assim que para além da utilização da erva-mate em folha também existe a sua utilização em pó (resultado da moagem da folha). 

    CONSIDERAÇÕES FINAIS: 

    No século XVIII, com a expulsão dos jesuítas da América, ocorreu uma desorganização no setor produtivo da erva-mate. Isto estimulou o crescimento da extração de erva-mate na região dos atuais estados brasileiros do Paraná e de Santa Catarina. O primeiro engenho brasileiro de erva-mate a obter autorização de funcionamento foi o de Domingos Alzagaray, argentino residente na cidade de Paranaguá, no ano de 1808. 
    FONTE: https://www.viajarcorrendo.com.br/2018/04/casa-da-erva-mate.html 
    A indústria da erva-mate passou a movimentar toda a economia do litoral e do planalto paranaense (na época, ainda pertencentes à Capitania de São Paulo). Os engenhos eram, inicialmente, movidos à energia hidráulica, a qual movimentava rodas que, por sua vez, movimentavam os pilões que batiam e reduziam a pó os ramos de erva-mate. Posteriormente, a energia hidráulica dos engenhos foi substituída por energia a vapor. O pó de erva-mate produzido pelos engenhos era acondicionado em sacos feitos de bexiga de boi costurada chamados surrões. Datam, dessa época, os "homens verdes", como eram chamados os operários dos engenhos de erva-mate, que ficavam cobertos pelo pó verde resultante do processamento da erva-mate. 

    Em viagem ao sul do Brasil, o viajante e médico alemão Roberto Avé-Lallemant relatou, em meados de 1858: "É o mate a saudação da chegada, o símbolo da hospitalidade, o sinal da reconciliação. Tudo o que em nossa civilização se compreende como amor, amizade, estima e sacrifício, tudo o que é elevado e bom impulso da alma humana, do coração, tudo está entretecido e entrelaçado com o ato de preparar o mate, servi-lo e tomá-lo em comum." 

    Após a Guerra Guaçu, e com derrota do Paraguai, o nordeste paraguaio foi anexado definitivamente pelo Brasil e o sudeste paraguaio, pela Argentina. Ambas as regiões anexadas eram grandes produtoras de erva-mate, que passaram a abastecer os seus respectivos mercados nacionais. O imperador brasileiro dom Pedro II concedeu ao comerciante Thomas Larangeira o direito de exploração de erva-mate no território paraguaio anexado, como recompensa por sua atuação na guerra. A primeira sede da Empresa Matte Larangeira, depois Companhia Matte Larangeira, foi, no entanto, a cidade paraguaia de Concepción, a partir de 1877. Posteriormente, a companhia se mudou para as cidades brasileiras de Porto Murtinho (no atual estado de Mato Grosso do Sul) e Guaíra (no estado do Paraná). 

    A partir do final do século XIX, o transporte da erva-mate, que era feito através de mulas, passou a ser feito por carroças, que foram introduzidas pelos imigrantes alemães, poloneses e ucranianos. Logo em seguida, passou a ser utilizado o transporte fluvial através do Rio Iguaçu e o transporte ferroviário, através da recém-construída estrada de ferro Curitiba-Paranaguá, que facilitou o escoamento da erva-mate produzida no planalto paranaense para os portos no litoral. 

    Nessa época, os surrões (sacos de bexiga de boi costurada) que acondicionavam a erva-mate passaram a ser substituídos por barris de madeira, gerando um novo ciclo econômico na região: o Ciclo da Madeira. 

    REFERENCIAL BIBLIOGRÁFICO 

    Aspectos Fitoquímicos da Ilex paraguariensis Universidade Federal do Paraná - acessado em junho de 2018 

    Erva-mate Santo Antônio. Disponível em http://www.ervamatesantoantonio.com.br/museu/. Acesso em agosto 2018 

    GIL, Felipe. No rastro de Afrodite: plantas afrodisíacas e culinária. São Paulo: Ateliê Editorial, 2004. ISBN 85-7480-232-8





    LINHARES, Temístocles. Historia econômica do mate. Rio de Janeiro: 1969;. 

    MARÉS DE SOUZA, Fredericindo. A origem do Chimarrão. Boletim do Instituto Histórico, Geográfico e Etnográfico Paranaense. Curitiba, v.10, p.32-39, 1969.

    Por: Prof. Yhulds Giovani Pereira Bueno 


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