Campo Grande (MS),

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    16/10/2018

    Conselho de Ética do PDT pede 'cabeça' de candidatos a governadores por apoio a Bolsonaro

    Candidato do PDT contrariou o partido ao manifestar apoio ao presidenciável do PSL

    ©Divulgação
    Colegiado do Conselho Nacional de Ética do PDT divulgou nota contra três candidatos que disputam o governo no segundo turno, um deles o juiz aposentado Odilon de Oliveira, concorrente ao governo de Mato Grosso do Sul. Pelo comunicado, a legenda quer a “expulsão pública, sumária e irrevogável” do concorrente pedetista por ele ter citado apoio a Jair Bolsonaro, candidato à presidência da República do PSL, rival de Fernando Haddad, do PT.

    Além de Odilon, a comissão de ética do PDT, que tem poder consultivo, não definitivo, pede a expulsão da sigla dos candidatos ao governo do Amazonas, Amazonino Mendes, e do Rio Grande do Norte, Carlos Eduardo Alves, que também manifestaram apoio a Bolsonaro.

    Na nota do conselho, produzida na sexta-feira passada (13), ao citar o candidato ao governo de MS, é dito:

    “No que tange a Odilon de Oliveira, além do apoio dado a Bolsonaro, seus apoiadores fazem campanha aberta ao candidato do PSL à Presidência. E como não se bastasse isso, o mesmo Odilon chegou a afirmar, em uma rádio com bastante audiência em Campo Grande-MS, a sua apologia ao regime ditatorial pós-1964, afirmando que ela teve os seus saldos positivos ao país”.

    Confira trechos da nota:

    Aos membros da Comissão de Ética do PDT,

    Resistir ao fascismo é preciso! Pelo Trabalhismo!

    O atual momento conjuntural nos inspira responsabilidade em meio a escalada do neofascismo. Em meio aos erros coletivos da esquerda, entre o extremo pragmatismo e o sectarismo, a criminalização da política através da Lava Jato e os consecutivos erros do Partido dos Trabalhadores (PT) na gestão de Dilma Rousseff resultaram no crescimento do neofascismo e do ativismo político da nova direita desde as jornadas de junho de 2013.

    É impensável e inadmissível, como Partido, nos silenciarmos e sermos cúmplices diante dos quase 47% dos votos válidos de Jair Bolsonaro (PSL) no 1º turno, além do assustador crescimento da bancada reacionária do PSL, de 8 deputados federais para 52 e elegendo dois senadores no Rio de Janeiro e em São Paulo. Inclusive, o eleito pelo estado paulista pertenceu as nossas fileiras e foi eleito deputado federal pela nossa organização em 2014.

    Logo, em um momento insigne como este na História do Brasil Contemporâneo, o Partido precisa tomar medidas enérgicas. Até porque o PDT, como Partido, é um sujeito coletivo e, como tal, precisa externar em público as suas posições ao conjunto da sociedade. Como diria Leonel Brizola, o processo social é um fato presente na vida sociopolítica do país e cabe ao PDT tomar para si a postura de protagonismo político.

    Sem a candidatura de Ciro Gomes, o fascismo teria vencido no primeiro turno.

    Mas como o PDT não está no 2º turno, é preciso respeitar os 13.344.366 votos dados ao Ciro Gomes. Votos que apostaram no ressurgimento do trabalhismo no cenário político nacional e deram o novo rumo para a esquerda nacionalista. Hoje somos a alternativa de médio prazo para o povo brasileiro. E precisamos, mais do que nunca, passar uma mensagem clara, na condição de partido nacionalista, trabalhista e popular, contra o fascismo. Somos um partido de esquerda, antifascista e anti-imperialista!

    Logo, a primeira medida que exigimos, em defesa da idoneidade ideológica do Partido e de sua imagem junto à sociedade é a EXPULSÃO PÚBLICA, SUMÁRIA E IRREVOGÁVEL de três candidatos a governador que ostensivamente externaram o seu apoio público a Jair Bolsonaro, conforme o que está previsto no Art. 64, alínea c do Estatuto do PDT e por não seguirem o previsto no Art. 9°, III e VIII do Estatuto do PDT, após a decisão tomada em Brasília pela Executiva Nacional do PDT no dia 10 de outubro de 2018 em apoio crítico a Fernando Haddad contra o fascismo.

    – AMAZONINO MENDES

    – CARLOS EDUARDO ALVES

    – ODILON DE OLIVEIRA

    No caso de Amazonino Mendes, além de boicotar sistematicamente a campanha de Ciro Gomes no Amazonas no decorrer do 1º turno, na manhã de 8 de outubro de 2018 ele externou em público o seu apoio oficial ao Jair Bolsonaro, recebendo o aplauso dos transeuntes. Não se importou em momento algum com qualquer princípio trabalhista e, sem qualquer decoro, age à revelia do Estatuto e das resoluções expressas pela Executiva Nacional e pela XXIV Convenção Nacional do PDT, realizada no dia 20 de julho de 2018 em Brasília.

    Em relação a Carlos Eduardo Alves, já foi expresso em sites locais do Rio Grande do Norte as tentativas de articulação do candidato a Jair Bolsonaro no 2º turno, para se contrapor à Fátima Bezerra (PT). A necessidade de vencer as eleições não é maior que a IDENTIDADE IDEOLÓGICA EM DEFESA DO TRABALHISMO. Portanto, é inconcebível qualquer flerte ao neofascismo, em tempos graves como este, sob a iminência da vitória de Jair Bolsonaro. Para agravar a situação, o mesmo faria declaração pública a favor de Jair Bolsonaro no programa eleitoral do PDT do RN no segundo turno.

    No que tange a Odilon de Oliveira, além do apoio dado a Bolsonaro, seus apoiadores fazem campanha aberta ao candidato do PSL à Presidência. E como não se bastasse isso, o mesmo Odilon chegou a afirmar, em uma rádio com bastante audiência em Campo Grande-MS, a sua apologia ao regime ditatorial pós-1964, afirmando que ela teve os seus saldos positivos ao país, em https://www.campograndenews.com.br/politica/odilon-chama-ditadura-de-governo-militar-e-provoca-polemica. E os materiais de campanha, além da live feita no lançamento do Comitê Odilon/Bolsonaro, em https://www.facebook.com/juizodilon/videos/1314395152034759/

    Logo, solicitamos a expulsão imediata dos três candidatos a governador e a cassação imediata dos seus registros de candidatura, em defesa do trabalhismo. Transigir com o fascismo e com quadros de quinta coluna é o primeiro grande passo para a perda definitiva de nossa identidade político-ideológica, gerando precedentes para admitir até a filiação aberta de neonazistas que disputem cargos eletivos no PDT. Seria vergonhoso, na História do Brasil, um Partido com a história de lutas como o PDT abrigar em seu seio notórios oportunistas que flertam, paqueram e transam abertamente com o fascismo.

    O PDT é um partido popular de esquerda!

    Nós somos nacionalistas! Somos um partido socialista!

    Vamos honrar a memória de nossos líderes! Não vamos envergonhar a nossa história. Não podemos ser pusilânimes. Nem desfibrados!

    Brasil, 13 de outubro de 2018

    Assinam o documento:

    Wendel Pinheiro – Membro do Diretório Nacional do PDT

    Júlio Rocha – Membro do Diretório Nacional do PDT

    Rafael Galvão – Membro do Diretório Nacional do PDT

    Lauri Bernardes – Secretário-Geral Nacional do MCDR

    Joelma Santos – Vice-Presidente FLB-AP /Amapá e Membro do Diretório Nacional do PDT.

    Jorge Eremites de Oliveira – Membro do Diretório Municipal do PDT Pelotas e do Movimento Cultural

    Darcy Ribeiro do PDT-RS.

    Leonardo Moraes Jr. – Coordenador MCDR-PDT do Sudeste / PR

    Ricardo Pinheiro – Advogado Membro do Diretório Estadual RJ e da Executiva do PDT NITEROI

    Felipe Pinheiro – Membro da Executiva Estadual do PDT/SP. Presidente Estadual do PDT Diversidade SP

    Douglas Rafael Duarte – Secretário Geral da JS/RS e Presidente do PDT de Piratini-RS

    Carla de Lima Maximila – Vice presidente Diversidade RS / Presidente PDT – Chuí-RS

    Tiago Veras – Membro do Diretório Nacional do MCDR-PDT / BA.


    Fonte: TopMídiaNews
    Por: Celso Bejarano



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