Campo Grande (MS),

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    17/08/2018

    TURISMO| Quirguistão recebe uma das provas de bike mais interessantes do mundo

    O francês Nelson Trees, organizador da prova, em meio às montanhas do Quirguistão (Foto: Divulgação)
    Pela primeira vez na história sempre impressionante das provas de bike de longa distância, a República do Quirguistão vira palco de um baita ultradesafio ciclístico off-road.

    O país da Ásia Central, ainda bem pouco explorado por quem curte pedalar, recebe, a partir do dia 18 de agosto, a Silk Road Mountain Race, uma competição sem apoio e de uma só etapa, com 1.700 km de extensão e 26.000 metros de ascensão acumulada. Ou seja: ninguém para te ajudar, com percurso de pedras e terra, em regiões isoladíssimas e de clima brutal.  Daóra 🙂
    Um dos poucos povoados ao longo dos 1.700 km da Silk Road Mountain Race (Foto: Divulgação)

    Em meio a uma onda cada vez mais legal de ultraeventos de bike em formatos, tamanhos e lugares surpreendentes, a Silk Road (Rota da Seda) chama a atenção pelo charme verdadeiramente underground. Está sendo organizado “na raça” por um cicloviajante que pedalou de Shangai a Paris e por ali passou durante sua expedição.

    Cria de outro ultradesafio cult, a Transcontinental Race, o francês Nelson Trees escolheu o Quirguistão por sua combinação de natureza selvagem, paisagens montanhosas e povo hospitaleiro, com uma cultura tão rica quanto fascinante. Pronto: estavam aí todos os ingredientes para um dos desafios de endurance mais sensacionais dos últimos tempos.

    Note-se: cada participante precisa carregar todo o seu equipamento e deve escolher a melhor estratégia — se dormir toda noite, não dormir, onde comer e quanto pedalar por dia até completar o percurso.




    Poucos dias antes do início da prova, que tem previsão de durar até 1 de setembro, bati um papo com Trees:

    Em sua cicloviagem de Shangai a Paris, você passou por muitos países. Por que o Quirguistão?

    NELSON TREES Fiquei muito impressionado com o Quirguistão durante essa minha viagem, em 2013. É um lugar incrível para se pedalar, com montanhas lindas e cheio de gente hospitaleira. De 2013 para cá, eu fiz todas as edições da Transcontinental Race, pedalando, sem apoio, por 4.000 km pela Europa. Fui totalmente conquistado por esse tipo de ultradesafio.

    Após tantas Transcontinentals, percebi que também queria organizar minha própria prova, em um lugar totalmente novo. Passei seis semanas pesquisando rotas pelo Quirguistão, e garanto que, aqui, todos os participantes vão viver uma tremenda aventura. É um lugar lindo e duríssimo para se andar de bike. E, ao mesmo tempo, é relativamente perto da Europa e de fácil acesso (para atrair turistas, o governo tomou medidas como acabar com vistos e outras restrições).
    Quase não há carros pelo percurso (e, quando aparecem, são antigões como este da foto) (Foto: Divulgação)
    Quais as principais dificuldades de se organizar uma prova desse tipo em um país como o Quirguistão?

    Um dos principais desafios é que a infraestrutura para o turismo ainda é bem precária. Mas, ao mesmo tempo, é exatamente esta uma das principais atrações daqui. É um país ainda pouco tocado pela indústria turística. Outro desafio é em termos de logística. O percurso da prova passa por regiões isoladas do país, e os competidores praticamente nunca deixam de pedalar em montanhas

    Acompanhar os ciclistas não será fácil, e para isso vamos contar com equipamentos como telefones satelitais para nos comunicar com nossos postos de controle e com o QG na capital, Bishkek. Se surgirem situações de emergência, será ainda mais complexo. E isso tudo tentando encontrar um bom equilíbrio entre garantir a segurança de todos e manter as características da prova de ser um evento sem apoio.

    Recentemente ciclistas foram assassinados no vizinho Tadjiquistão, em uma ação do Estado Islâmico. Esse incidente deixou a organização da prova preocupada em relação à segurança dos participantes?

    Claro que estamos atentos a essas questões, mas o Quirguistão é um país, de forma geral, seguro. Foi, infelizmente, uma tragédia isolada. Estamos trabalhando de perto com as autoridades locais, com o ministro do Turismo, para nos ajudar. Nossos ciclistas estarão pedalando bem longe de estradas principais, estamos fazendo de tudo para garantir a segurança deles.
    Imagem de uma das estradas pelas quais vão pedalar os ciclistas da Silk Road (Foto: Divulgação)



    Fonte: Folha S.Paulo 
    Por: Erika Sallum


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