Campo Grande (MS),

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    25/05/2018

    Governo de MS assina manifesto contra corte do ICMS para reduzir preço do combustível

    O documento foi assinado pela vice-governadora Rose Modesto em Cuiabá durante a 20º reunião do Fórum dos Governadores do Brasil Central.

    Vice-Governadora de MS durante a reunião ©Gcom-MT / Divulgação
    O governo de Mato Grosso do Sul, juntamente com outros 4 estados e Distrito Federal assinaram um manifesto nesta sexta-feira (25) afirmando que não aceitam propostas que possam impactar nas arrecadações de receitas, como a proposta de diminuir as alíquotas do ICMS.

    O documento é uma resposta a declaração do ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, que disse que o Conselho Nacional de Política Fazendária discutiria a adoção de um valor único de ICMS para combustíveis em todos os estados.

    "Não houve, por parte dos estados, aumento do ICMS incidente sobre os combustíveis que justificassem a elevação dos preços, de modo que os estados não são responsáveis pelos sucessivos aumentos dos combustíveis ocorridos no país" diz parte do manifesto.

    O documento foi assinado pela vice-governadora Rose Modesto em Cuiabá na 20ª reunião do Fórum dos Governadores do Brasil Central.

    Confira o manifesto na íntegra

    Os Governadores dos Estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Maranhão, Rondônia e o Distrito Federal, reunidos em Cuiabá, manifestam-se sobre a recente crise nos preços do combustíveis no país, nos seguintes termos:

    1 – A causa da escalada dos preços dos combustíveis, notadamente do óleo diesel, nos últimos meses no Brasil se deve exclusivamente à política de flutuação dos preços praticada pela Petrobras, que os vincula à variação do petróleo no mercado internacional;

    2 – O aumento dos preços, portanto, se deve à política de preços da Petrobras, que deve ser resolvida pela própria empresa e pela sua controladora, a União Federal;

    3 – A União, ao desonerar a CIDE-Combustíveis, não resolve o problema dos preços dos combustíveis e tenta socializar com os Estados a responsabilidade para equacionar o que está em sua governança como acionista majoritário da Petrobras;

    4 – Não houve, por parte dos Estados, aumento do ICMS incidente sobre os combustíveis que justificassem a elevação dos preços, de modo que os Estados não são responsáveis pelos sucessivos aumentos dos combustíveis ocorridos no país;

    5 – A discussão, proposta pelo Governo Federal, de diminuir alíquotas de ICMS é uma solução paliativa e que não encontra respaldo na Lei de Responsabilidade Fiscal, porque os Estados, diversamente da União, não podem compensar essa perda de receita com o aumento de outros tributos ainda dentro do ano de 2018;

    6 – Os Estados signatários apenas discutirão medidas que signifiquem perda de receita no atual momento, para não prejudicar a recuperação fiscal e a execução de políticas públicas nas áreas de saúde, educação e segurança pública, se a União compensar tais perdas (por exemplo, pela regulamentação da Lei Kandir), estando descartadas, até mesmo por impositivo legal, quaisquer medidas que prevejam redução de alíquotas de ICMS sem a correspondente compensação;

    7 – Os Estados signatários apoiam uma agenda estruturante para o país, que passa necessariamente por uma ampla Reforma Tributária que deve ser realizada pelo Congresso Nacional logo no início do ano de 2019, que tenham como eixos a diminuição da quantidade de tributos no Brasil, a simplificação da vida do contribuinte, a busca do equilíbrio fiscal e que seja repartido, de forma justa, entre todos os entes da Federação, retirando a concentração da competência tributária nas mãos da União, que arrecada mais de 70% dos tributos e ainda fica com mais que o dobro das receitas dos Estados e municípios.

    Por Ricardo Freitas, G1 MS


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