Campo Grande (MS),

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    27/03/2018

    “Impossível controlar criminalidade no Rio sem cuidar das fronteiras no MS”, diz deputado Fábio Trad

    Parlamentar disse que ao invés de cortar investimentos no Sisfron é preciso combater criminalidade nas fronteiras, por onde passam armas e drogas que financiam criminalidade

    © Divulgação
    O deputado federal Fábio Trad (PSD-MS) subiu à tribuna da Câmara dos Deputados nesta segunda-feira (26) para apelar ao Governo Federal e demais autoridades públicas que repensem os constantes cortes de investimentos no Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras (Sisfron).

    Munido dos dados do último Monitor da Violência, que apontam para o aumento de 35% no número de homicídios em Mato Grosso do Sul entre 2011 e 2017, o parlamentar destacou a relação direta das estatísticas com o crescente tráfico de entorpecentes na fronteira.

    “Meu Estado faz divisa com o Paraguai e com a Bolívia. O Sisfron dialoga diretamente com os sistemas de inteligência que detectam as informações do tráfico internacional. Diminuir o investimento agora, nesse contexto de recrudescimento de violência é contraproducente, é um ato de inconsequência política”, advertiu o parlamentar, dirigindo-se à presidência da mesa diretora, à Presidência da República, Ministério da Justiça e ao recém-criado Ministério da Segurança Pública.

    Por motivos de cortes e contingenciamentos, nos últimos dois anos os recursos para o Sisfron despencaram para menos da metade (de R$ 285 milhões para R$ 132 milhões) e no primeiro trimestre de 2018 o valor gasto já é 16% menor que igual período de 2017. Além disso, em um ano o governo Temer cortou pela metade os investimentos planejados pelo Exército na defesa das fronteiras de Mato Grosso do Sul, que cobrem uma extensão de 650 quilômetros da fronteira do Estado, nos limites com a Bolívia e o Paraguai, correspondente a 4% de todas as divisas do País.

    “Definitivamente é impossível controlar a criminalidade no Rio de Janeiro sem cuidar das nossas fronteiras, que é por onde passam as armas e os entorpecentes que financiam toda a criminalidade e vitimam os cariocas”, acrescentou.

    O parlamentar destacou não apenas quais são aqueles que mais matam, mas também os grupos que mais morrem nas fronteiras do Mato Grosso do Sul.

    “As principais vítimas são as mulheres, índios e jovens negros. A taxa de homicídios é de 18,2 pessoas por 100 mil habitantes em Mato Grosso do Sul, mas entre os negros esse número salta para 28,5. Chama a atenção também a dinâmica do conflito, da vingança e da arma de fogo e o encarceramento em MS, o maior do Brasil por 100 mil habitantes. Temos que discutir políticas públicas para essa problemática”, disse.

    Por fim, Fábio Trad comentou a análise feita pelo Secretário de Justiça e Segurança Pública de Mato Grosso do Sul, Antônio Carlos Videira, que apontou alguns caminhos no combate à violência.

    “Quero repercutir o que disse o Secretário: o que precisamos no Estado é de uma forte ação das Forças Policiais na prevenção e repressão ao tráfico e aos crimes dele decorrentes, com grupos especializados, como Departamento de Operações de Fronteiras, Delegacia Especializada de Crimes de Fronteiras, além da capacitação do efetivo ordinário do efetivo das forças policiais de toda a faixa de fronteira”.

    Fonte: ASSECOM


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