Campo Grande (MS),

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    10/03/2018

    ARTIGO| O discurso da dama da torre

    Por: Victória Ângelo Bacon*
    A procura-gera da República, Raquel Dodge que foi nomeada pelo presidente Michel Temer há exatos 6 meses, vem se demonstrando muito aquém daquilo que a própria mídia a adjetivou, como possível defensora do presidente. A carta de Temer a Dodge deixou evidenciada que a mesma não se aproxima das rédeas palacianas e que o presidente teve de recorrer a sinopses de artigos jurídicos e pareceres de advogados renomados para causar impacto à dama da torre. 

    Em menos de um mês fez muito mais no ponto de vista da defesa do ético e moral do que todo o STF junto. O próprio Gilmar Mendes é de um de seus críticos ferrenhos, porém a procuradora vem aglutinando a maioria dos ministros em seu discurso. Rachel Dodge é aquele ministério de filmes de ficção da máfia italiana em que tudo pode acontecer. Sua carreira no ministério público é a resposta aqueles que imaginaram que ela poderia ser imprevisível ou influenciada por pressões do grupo político de Michel Temer. 

    Em seis meses de atuação, digamos implacável, Raquel vem buscando a discrição que outrora não houve com seu antecessor. Sim, Janot falava demais, concedia muitas entrevistas e, principalmente, mudou num grupo X para atacar esquecendo o Y. Claro e óbvio que parte do sucesso da Operação Lava Jato se deve a Rodrigo Janot e o ex-ministro Teory Zavasck (in memorian), porém os últimos capítulos da passagem de Janot na chefia-mor da PGR evidenciou ser um procurador influenciado por alguém e por alguns em suas decisões a oferecer denúncia junto ao STF. 

    Raquel Dodge vem promovendo uma espécie de moralização na República. Foi a primeira a se pronunciar contra a posse de Cristiane Brasil no Ministério do Trabalho quando essa tinha sido escolhida por Temer. Implacavelmente, Raquel emitiu pareceres contrários e espantou os assessores do presidente Temer que davam certo uma espécie de neutralidade da procuradora-chefe devido o tema da escolha de ministro ser algo mais de cunho político que jurídico. O adiantamento do discurso de Raquel contra a nomeação de Cristiane nos bastidores da PGR forçou literalmente a decisão de Carmen Lúcia em afastar a liminar concedida pelo então presidente em exercício do STJ que garantiu a posse da quase ministra do Trabalho. 

    Em evento produzido pelo Poder Judiciário na abertura do ano de trabalhos do STF e CNJ, Raquel discursou muito maus emocionante e eloquente a sua par de trabalhos, a presidente do STF, Carmen Lúcia. Em tom dócil na fala e áspero no olhar, Raquel Dodge dirigiu -se a Michel Temer quando se refere a “todos são iguais nessa República”. As palavras ásperas de Raquel são a respostas do oferecimento da denúncia em desfavor ao presidente Temer na última terça-feira (07) junto ao STF. 

    A Lava Jato que corria risco de ser abafada politicamente, ressuscita com força implacável no comando de Raquel Dodge quando essa em pouco mais de 6 meses ofereceu mais denúncias que seu antecessor Rodrigo Janot no mesmo período de atuação. Raquel é hoje a maior defensora da tese de que condenados em segundo grau (tribunais) iniciem o cumprimento da pena, aguardando recursos na prisão. À ela também o crédito pela validade da Lei da Ficha Limpa em todas as suas vertentes nessa eleição e com efeitos anteriores a 2010. 

    Raquel Dodge em seus discursos vem colocando o próprio STF e seus atores como coadjuvantes no processo de resgate de um país tão desmoralizado em todos os sentidos. Raquel Dodge é sem dúvida a Dama da Torre da República. Ao STF e seus protagonistas cooperarem com a dama da Torre e seu discurso sedento por nós, milhões de brasileiros cansados de um Brasil que Deus nos Acuda! 

    *Secretária Executiva e Jornalista. 


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