Peritos e delegados negaram existência de flambadores em carro
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| PRF participou de audiência © Paulo Ribas |
Acusado e testemunhas de defesa serão ouvidos amanhã.
Peritos e delegados foram chamados a depor por suspeita de fraude processual, depois que dois flambadores foram encontrados na caminhonete da vítima dias depois da realização de perícia. Sobre o caso, tanto a autoridade policial quanto os peritos afirmaram que os maçaricos não estavam no veículo e teriam sido plantados posteriormente.
Em depoimento, Zalla, que era plantonista no dia e foi o primeiro delegado que atendeu a ocorrência no local, disse que ao chegar no local do crime, na avenida Ernesto Geisel, o policial não estava.
Testemunhas ouvidas na época afirmaram que Moon não estava de farda e não teria se identificado como policial. Posteriormente, ele se apresentou na Delegacia de Polícia Civil, já com o uniforme.
Zalla disse que questionou o policial, perguntando se ele estaria fardado quando abordou a vítima e foi informado por ele que sim, o que segundo o delegado, tratava-se de mentira.
“Testemunhas me relataram que ele [Moon] não estava vestido de policial. Quando encontrei ele mais tarde, ele estava de farda. Perguntei se ele estava uniformizado e ele me disse sim, eu perguntei, 'você tem certeza?', ele reafirmou que sim”, disse o delegado em depoimento.
FLAMBADORES
Quanto aos flambadores encontrados no veículo, delegado afirmou que verificou o interior do veículo e não foram encontrados os materiais. Zalla disse ainda que filmou e tirou fotos do local para inteirar o próximo delegado que assumiria o caso, João Eduardo Davanço.
Depois, delegado solicitou que perícia completa fosse feita na caminhonete, que segundo ele, teria “todas as respostas”. Em nenhuma das perícias realizadas, o objeto foi localizado.
“Eu encontrei munições a 200 metros de distância, eu não ia enxergar um objeto desse tamanho e vermelho?”, disse Zalla ao juiz, afirmando que encontrou cápsulas longe do local onde estava o automóvel.
Agentes de polícia cientifíca também afirmaram que não havia flambadores no carro e que, caso estivessem escondidos, objetos apareceriam com o impacto da batida ou seriam encontrados nas perícias realizadas.
Delegado finalizou afirmando que tinha convicção de que houve excesso na conduta do policial e que nos depoimentos prestados por Moon à polícia, ele afirmou que motivo dos disparos foi porque empresário teria jogado a caminhonete para cima dele. Versão de que confundiu objeto com arma foi levantada depois que flambadores fora encontrados.
CASO
O caso ocorreu na Avenida Presidente Ernesto Geisel, entre a Rua 26 de Agosto e a Avenida Fernando Corrêa da Costa, no dia 31 de dezembro do ano passado, depois de discussão no trânsito. Adriano foi atingido por cinco disparos, segundo a perícia. Ele sofreu duas perfurações no tórax, uma na costela e outra no braço direito.
O crime aconteceu enquanto vítima e dois familiares retornavam de uma casa noturna onde foram comemorar aniversário.
Informações da Polícia Civil apontam que Ricardo Moon teria disparado pelo menos sete vezes.
A assessoria da PRF em Mato Grosso do Sul afirmou que, na versão do policial preso em flagrante, ele teria tentado abordar a caminhonete Toyota Hilux conduzida por Adriano Correia, que teria desobedecido e avançado com o veículo na direção do agente. Diante da ocorrência, o policial, que dirigia uma Mitsubishi Pajero, teria perseguido a vítima e efetuado os disparos em seguida.
Policial foi indiciado pela Polícia Civil por cometer crime de homicídio doloso, quando há intenção de matar, e por duas tentativas de homicídio.
Fonte: CE
Por: GLAUCEA VACCARI E BÁRBARA CAVALCANTI
Link original: http://www.correiodoestado.com.br/cidades/campo-grande/delegado-afirma-na-justica-que-prf-que-matou-empresario-mentiu-a/301929/
