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    09/03/2016

    PONTA PORÃ LINHA DO TEMPO| Lendas da região fronteiriça do Brasil e Paraguai. Causo de tropeiro

    “A arte emita a vida e a vida emita a arte, mas justamente pelo conceito 'imitar' determina que não seja a mesma coisa, especialmente em deliberação maquiavélica, não no caso da arte retratando a vida. Muitos dos mitos e lendas acabam se originalizado naturalmente de acordo com as crenças culturais e religiosas de uma civilização”. fonte

    Acervo de Carlos Morel, foto da família de Francisco Rodrigues, década de 1930, fazenda emboscada nesta época pertencia à região de Ponta Porã, hoje localizada no município de Aral Moreira.

    Acreditar ou não em mistérios que estão além da compreensão humana, fatos que povoam o imaginário das pessoas a séculos, causos que viram lendas em narrativas fantásticas repassadas de geração a geração através da oralidade de moradores anciões, muitos afirmando ter vivenciado estes acontecimentos, isso antes de haver a informação impressa, a maior parte das informações e histórias eram passadas através da tradição oral. 

    Alguns povos tinham "contadores de histórias" que iam de lugar em lugar contando fatos e fantasias, nas aldeias e vilas havia pessoas que eram guardiãs das tradições e histórias, sendo procuradas pelos que queriam ouvir e saber. Na idade média, os trovadores iam de cidade em cidade "cantando" as histórias e lendas. 
    Arquivo pessoal de Nilza Terezinha: Foto do acervo de seu pai Itrio Araújo dos Santos conhecido como (cabo Itrio), que serviu no 11º Regimento de Cavalaria na cidade de Ponta Porã, Cabo Itrio era um admirador da arte de tirar fotos, desta forma ao longo dos anos ele agregou ao seu acervo centenas de ricas imagens da região de fronteira. Esta imagem da região do maemi fazenda nas proximidades, década de 40.

    A palavra lenda apareceu primeiramente na língua latina, passando para o francês e o inglês, do latim veio também para o português, italiano e espanhol, já nos tempos antigos, uma "lenda" descrevia fatos, pessoas e histórias tidas como verídicas. 

    A forma moderna de se entender "lenda" apareceu em 1865, através da observação de Jacob Grimm, que escreveu: "O conto de fadas é poético, a lenda é histórica". 

    Os enredos são ricos em detalhes dignos de contos e filmes épicos, ficção ou não o questionamento que ficará é: Como criaram tais fatos ricos em informações? Muitos antigos quanto o homem na terra. E como surgiu essa criatividade na humanidade?

    Esta lenda se passa na fronteira do Brasil com Paraguai na região de Ponta Porã e Pedro Juan Caballero, em tempos que o cultivo da erva mate era a principal fonte da economia da região, muitas fazenda, estancia existia nestes tempos a fronteira era vasta em matas fechadas, muitos córregos e pequenos riachos existiam nesta época.

    Tropeiros, viajantes e aventureiros em busca de trabalho se deslocavam para região fronteiriça, na bagagem muita fé, força e vontade, nestes tempos fé era algo que motivava e guiava de maneira respeitosa a população, que tinha dentro de sua cultura, muitos fatos que viravam lendas na região, estas lendas até hoje se mantem vivas na cultura fronteiriça.

    Ponta Porã Linha do Tempo. Arquivo pessoal de Nilza Terezinha:
     Foto do acervo de seu pai Itrio Araújo dos Santos conhecido como (cabo Itrio),
     que serviu no 11º Regimento de Cavalaria na cidade de Ponta Porã na década de 40.
     Na imagem acima um tropeiro típico fronteiriço fazenda na região do maemi.

    Certa vez um tropeiro que maneava os gados de uma invernada para outra em uma das várias fazendas da região fronteiriça, depois do seu trabalho resolveu seguir para as cidades fronteiriças de Ponta Porã e Pedro Juan Caballero.

    Segue o causo que a viajem era longa e com o cair da noite preferiu parar e fez seu acampamento para descanso a beira de um pequeno rio, assim dar de beber ao seu cavalo e ter agua para se reabastecer e no amanhecer seguir viajem.

    Antes, porém, precisa de comida, precisava caçar, aproveitou à noite de lua cheia que iluminava aquele vasto rincão, deixou seu acampamento montado fez uma bela fogueira que além de aquecer serviria de referência para ele não se perder na volta, com a carne da caça, que o mesmo preparou e colocou para assar, tudo ocorria bem até que um barulho na mata e o relinchar do cavalo o assustou, quando olhou em direção a mata viu uma criatura de olhos vermelhos que rondava seu acampamento, a mesma veio em direção do seu cavalo, está criatura, era conhecida como “Pai do Mato” outros a tinha como um “Demônio”, pois muitos tropeiros que se arriscavam sozinhos a entrar na mata não voltavam.

    Temeroso por sua vida e preocupado que a criatura matasse seu cavalo seu único meio de transporte, em um ato de coragem gritou para a criatura que a mesma poderia comer sua caça e não seu cavalo, inteligentemente se afastou da sua caça indo em direção de seu cavalo, para assim fugir rápido do local.

    Quando montou em seu cavalo seguindo em disparada, olhou para traz e notou que a criatura destruirá seu acampamento e vinha ferozmente em sua direção, chegou tão perto que com suas garras machucaram a (anca) o quadril do seu cavalo, em ato de sorte conseguiu atravessar o rio, a criatura não seguiu pelo rio, pois segundo a lenda ela não pode atravessar água corrente.

    Chegando à cidade contou o acontecido para todos, os mais velhos falaram que ele deixou a criatura braba quando ofereceu à carne da caça, a mesma estava temperada com sal grosso algo que a criatura não suporta e sal grosso. A também o fato do tropeiro ter caçado no território de tal criatura deixando a mesma furiosa.

    Muitos relatos de ataques a fazendas e tropeiros desta criatura em outras épocas existem na região fronteiriça, Demônio ou não a lenda do “Pai do Mato” povoa o imaginário a gerações. 
    “Ponta Porã a princesinha dos ervais, cidade acolhedora e cheia de histórias dos seus ancestrais, Ponta Porã cidade vizinha, Junto à cidade de Pedro Juan Caballero que foi um paraguaio bravo guerreiro de outros tempos que não voltam mais”. Pensador