Alvo de disputa interna, líder do PMDB tenta evitar candidatura mineira. Deputado do Rio negou articulação para indicar deputado para Aviação Civil.
| Deputado Leonardo Picciani (PMDB-RJ) concede entrevista coletiva na Câmara (Foto: Fernanda Calgaro/G1) |
Pivô de uma rebelião de parlamentares peemedebistas no fim do ano passado, o líder do PMDB na Câmara, Leonardo Picciani (RJ), afirmou nesta terça-feira (12) que negocia com deputados do PMDB de Minas Gerais um acordo para ser reconduzido à liderança da legenda em 2016. Em fevereiro, o PMDB da Câmara escolherá quem irá liderar a bancada ao longo do ano.
Nos bastidores da capital federal, comenta-se que a presidente Dilma Rousseff estaria disposta a indicar um deputado de Minas Gerais para o comando da Secretaria de Aviação Civil (SAC) para tentar viabilizar o acordo de Picciani com a bancada de Minas, garantindo a recondução do deputado fluminense à liderança do partido.
Aliado da presidente da República, Leonardo Picciani se indispôs, em dezembro, com um grupo de deputados peemedebistas que defende o rompimento do partido com o Executivo federal ao indicar apenas parlamentares com perfil governista para a comissão especial do impeachment.
A ala oposicionista do PMDB conseguiu inclusive destitui-lo da função, emplacando o deputado mineiro Leonardo Quintão na liderança do partido, porém, dias antes do início do recesso, o parlamentar do Rio retomou o comando com o apoio da maioria dos deputados.
Nesta terça, em uma entrevista coletiva na Câmara, Picciani foi questionado por jornalistas sobre a manobra do Palácio do Planalto que pretende entregar a Aviação Civil em troca de apoio político dos deputados mineiros na eleição da liderança.
O líder peemedebista não confirmou a negociação do governo com os colegas de partido, mas admitiu que busca um consenso com a bancada de Minas para que não seja indicado um nome do estado para a disputa interna. Ele negou que essa negociação tenha relação com a indicação para a Secretaria de Aviação Civil.
“Essa é uma decisão que cabe à bancada mineira. Eu noto disposição ao diálogo, de modo que acho que é possível buscar um caminho de convergência”, ressaltou Picciani.
“O convite para a SAC, primeiro, tem que acontecer. Até aqui, desconheço convite para ocupar a secretaria. Em ocorrendo, em a presidenta fazendo a opção por um deputado da bancada, isso nada terá a ver com a disputa pela liderança. Será uma opção do governo por razões políticas e administrativas”, complementou o líder do PMDB.
Temer
Picciani também afirmou esperar que o vice-presidente da República, Michel Temer, se mantenha afastado da disputa pela liderança do PMDB. Temer se desentendeu com o deputado do Rio de Janeiro depois que ele negociou diretamente com a presidente Dilma a indicação de nomes para dois ministérios. O vice-presidente também atuou para tentar impedir o retorno de Picciani à liderança, depois que foi temporariamente substituído por Leonardo Quintão.
Por outro lado, o deputado do Rio de Janeiro conta com o apoio da presidente Dilma Rousseff e de ministros do governo, que querem manter o aliado na liderança. “Esse tema está sendo tratado no interior da bancada. O conjunto da bancada tem apreço grande pelo vice-presidente Michel Temer de modo que eu particularmente acho desnecessária a presença do presidente do partido, o vice-presidente Michel Temer, na disputa interna da bancada", disse Picciani.
Indagado se não seria contraditório defender a não interferência de Temer enquanto obtém ajuda do Planalto, Picciani afirmou: “O Planalto não fez nenhum movimento que beneficiasse a mim nessa disputa. O máximo que pode se dizer é que há um posicionamento do Planalto em me considerar um aliado. Mas não há qualquer ação prática do governo no sentido de [influenciar na escolha da liderança do PMDB]”, disse.
Comissão impeachment
Picciani também afirmou que, se for reconduzido à liderança, vai contemplar a ala dissidente do PMDB na indicação para a comissão que analisará o processo do impeachment da presidente Dilma Rousseff. O fato de ter escolhido no ano passado apenas peemedebistas considerados alinhados com o Planalto foi o estopim para a mobilização que culminou com a substituição temporária de Picciani por Leonardo Quintão.
No ano passado, a Câmara escolheu para a comissão, em eleição secreta, uma chapa alternativa, organizada pela oposição e pela ala do PMDB que é crítica ao governo Dilma. No entanto, o Supremo Tribunal Federal (STF) anulou essa eleição e determinou que o pleito ocorra por voto aberto, além de determinar que só haja indicações feitas pelos líderes dos partidos.
"Certamente faremos uma indicação diferente. A ideia é fazer uma indicação que mescle essas duas chapas, a chapa indicada pela liderança e a chapa avulsa", afirmou Picciani.
Do G1, em Brasília
Por: Nathalia Passarinho e Fernanda Calgaro
Link original: http://g1.globo.com/politica/noticia/2016/01/picciani-tenta-acordo-com-bancada-de-mg-para-continuar-lider-do-pmdb.html