QUANTIA
/ QUANTIDADE - Quantia significa soma ou quantidade de dinheiro; importância
monetária.
Para evitar a redundância, diz-se apenas
quantia e não quantia em dinheiro.
Quantidade
equivale à grandeza expressa em número; grande porção de pessoas ou de coisas;
grande número; duração relativa das notas ou sílabas na música; qualidade do
que pode ser numerado ou medido; aquilo que pode aumentar ou diminuir; valor
das sílabas na prosódia; grande número, porção, abundância.
Durante um comício, uma
candidata bradou: "Estou feliz, cercada por esta quantia de homens".
QUARENTA
MIL É / QUARENTA MIL SÃO
- Quando o sujeito é constituído de uma expressão numérica que se considera em
sua totalidade, o verbo ser fica no
singular. Exemplos:
"Quarenta mil é o
suficiente para a compra da casa".
"Oito anos sempre é
alguma coisa". - Carlos Drumond de Andrade
"Dez contos? Não será
demais"? - Almada Negreiros
QUESTÃ
/ QUESTÃO - A forma correta é questão que, embora alguns
dicionaristas atribuam à palavra significação equivalente a pergunta ou
interrogação, questionar não significa perguntar nem interrogar, conforme possa
parecer.
Questionar
significa por em dúvida; perguntar
significa querer saber. Exemplos:
O Promotor de Justiça questionou a lisura dos contratos
firmados por determinados políticos.
O aluno perguntou ao professor quando seria realizada a prova de Direito
Tributário.
Em relação à grafia e à
pronúncia, a forma correta é questão
e não questã.
Quem diz questã, provavelmente
diz: coraçã; limã; mã; paixã; liquidaçã; gratidã; programaçã, ou seja, nã tem
consideraçã por quem nasceu neste chã.
RAIOS
INFRAVERMELHOS / RAIOS
ULTRAVIOLETA – Diz-se: raios infravermelhos ou radiações infravermelhas
porque a composição adjetiva (vermelho) implica princípios linguísticos que
levam à concordância.
‘Diz-se: raios ultravioleta
porque a composição é substantiva (violeta), ou seja, não admite a forma
pluralizada.
RAPTO / SEQUESTRO - Rapto consiste no ato ou efeito de arrebatar, de levar consigo
mulher, para fins libidinosos, por violência, fraude ou sedução. Portanto,
incorre em erro quem diz que determinado homem foi raptado.
Rapto que
consistia em crime cometido contra a mulher, ante a sua retirada do lar por
meio de violência, grave ameaça, fraude ou sedução, para fins libidinosos, teve
a descaracterização de ilicitude com a revogação dos artigos 219, 220, 221 e
222 do Código Penal.
No Título VI, o Código Penal
dispõe sobre os Crimes Contra os Costumes: Dos Crimes Contra a Liberdade
Sexual, Da Sedução e da Corrupção de Menores, Do Lenocínio e do Tráfico de
Pessoas.
Sequestro - No Direito Penal, vincula-se ao crime de privação da
liberdade de alguém. Diz respeito à situação de privação da liberdade física ou
psicologicamente de alguém, com o consequente impedimento do exercício da sua
volição; crime de reter ilegalmente alguém, sobretudo para receber
resgate em troca de sua liberdade.
Sequestro
- No Direito Civil, consiste na apreensão
judicial de um bem sob litigio, com a finalidade de assegurar-lhe a entrega,
oportunamente, à pessoa a que se reconheça que a ela deva tocar.
A patologia denomina sequestro
o fragmento de osso morto e que, devido à necrose, separou-se da parte sã.
RECLAMAR
CONTRA / RECLAMAR DE - Reclamar – tendo a acepção de
protestar, opor-se – deve ser a seguido de contra
e não de de. Exemplos:
“Os acadêmicos decidiram reclamar contra as piadas
preconceituosas do professor.”
“O povo brasileiro gosta de
sofrer: paga elevada carga tributária sem reclamar contra esse abuso.”
Reclamar – com
a acepção de reivindicar, exigir, demandar – admite as preposições de e por: Exemplos:
“Os idosos deveriam reclamar
por mais direitos.”
“Os índios reclamam pelo
direito à terra.”
“O politico corrupto reclamou
o repasse da propina.”
REGÊNCIA
NOMINAL / REGÊNCIA VERBAL
– Regência nominal – diz respeito à
da relação de dependência existente entre um nome (substantivo, adjetivo,
advérbio) e seu complemento. Em geral, as palavras relacionam-se formando uma
interdependência, para formar um significado na oração.
É pela regência que se estuda
a relação existente entre os termos de uma oração ou entre as orações de um
período.
A necessária relação que se
estabelece entre duas palavras, uma das quais serve de complemento a outra, tem
a denominação de regência. A palavra
dependente é chamada de regida; o termo a que ela se subordina, regente.
Regência
nominal ocorre quando o termo regente é um nome. Exemplos: acostumado
a ou acostumado com, adido a, amor a, anexado a, assíduo em, atenção a, atenção
para, chute a, consulta a, cuidadosa com, curioso de, deputado por,
desacustumado a ou desacustumado com, falta a, grudado a, insistem em, invasão
de, liderança sobre, morador em, ódio a, ódio contra, palpite sobre,
preferência por, presente a, presente em, pressão sobre, residente em, senador
por, situado em.
João era hábil (regente)
jogador (regido).
Ele está habituado (regente) à
leitura diária (regido).
Denomina-se regência verbal quando o termo regente
é um verbo.
A regência verbal estuda a relação de dependência estabelecida entre
os verbos e seus complementos.
O que se analisa na regência verbal é se o verbo é
transitivo direto, transitivo indireto, transitivo direto e indireto e qual a
preposição relacionada a ele. Exemplo:
Namorar – é verbo transitivo
direto. Portanto, não admite a preposição com. Assim, corretamente se diz: Helen
namora David.
REGISTROS
DE LINGUAGEM - A nossa sociedade condicionada às variadas
formas de preconceito, usa a linguagem como instrumento de dominação e
discriminação, evidenciando automatismo na separação que implica prestígio,
ascensão profissional e social ou vitimização de preconceitos, menosprezo,
dissabores, baixos salários e atribuições que caracterizam marginalização e
exclusão frente às oportunidades de progresso.
Para o exercício de
determinadas atividades, a linguagem adequada é requisito indispensável.
Os termos específicos significam
ferramentas de trabalho, tal qual o conjunto necessário à competência
profissional. Assim, o indivíduo que melhor sobressai é aquele que, em seu
estojo (cérebro) carrega o suficiente para o uso conforme cada caso
requer.
Nos diálogos, redações e nos
discursos, deve-se empregar as variadas formas de linguagem, adequando-as de
acordo com o nível vocabular e sintático do ambiente ou do interlocutor.
1 - Linguagem popular - é a utilizada por pessoas simples, destituídas
de preocupação com regras gramaticais, formas de flexão, concordância, regência
etc.
Nas comunicações pragmáticas
do dia-a-dia, a linguagem popular apresenta caraterísticas da forma oral, com
vocabulário restrito, uso de gíria, onomatopeia, clichês, frases feitas e
formas deturpadas:
Inducadora, por educadora; Insempro,
por exemplo; prástico, por plástico; bicicreta, por bicicleta; oxílio, por
auxílio; pobrema, por problema; ele pegou e disse, por ele disse; nóis num
sabia, por não sabíamos; nóis se confundiu, por nos confundimos; intertido, por
entretido; ispromentar, por experimentar; gratuíto, por gratuito; partileira,
por prateleira etc.
2 - Linguagem familiar - nesta forma de linguagem, a obediência às
normas gramaticais é relativa. Gírias, frases entrecortadas, vocabulário grosseiro,
termos da linguagem comum e nível menos formal, são usados até mesmo por
indivíduos que obtiveram graduação universitária.
Há pessoas que, apesar de conhecerem a adequada
forma linguística, facilmente se deixam influenciar pela linguagem menos formal,
usada nos meios de comunicação de massa (rádio e televisão, inclusive jornais
destinados a determinadas categorias da sociedade).
Na linguagem familiar
comumente se usa formas diminutivas de advérbios com valor superlativo:
Exemplos:
Filha, você é a minha
queridinha.
O seu tio chegará amanhã
cedinho.
Comprei este presente para o
meu paizinho.
3 - Linguagem culta - esta forma, também chamada de variante-padrão,
apresenta vocabulário rico, cujas prescrições gramaticais são plenamente
obedecidas.
A linguagem culta é usada nos meios científicos e diplomáticos, nos
documentos e nas correspondências oficiais, inclusive nos sermões e nos
discursos.
Sua utilização está associada
às classes intelectuais, sendo mais evidente na forma escrita que na forma oral,
principalmente por causa das constantes mudanças espontaneamente impostas por
despreparados formadores de opinião ("criativos" parlamentares,
juristas, doutrinadores, líderes religiosos e outros que disseminam expressões
incorretas).
Entre alguns, até mesmo nas
situações de formalidade ou no exercício da profissão, o estilo coloquial
estruturado de forma equivocada passou a ser tão aceitável quanto as
deturpações morais, frequentemente demonstradas por determinados
"empresários" e por alguns políticos.
Desta forma, novas formas de
linguagem oriundas de telenovelas, de duplas sertanejas, de radialistas, de
políticos, de líderes religiosos, de jogadores de futebol, de presidiários e de
pessoas que possam influenciar comunidades, surgem para estabelecer padrões linguísticos
temporários ou definitivos.
Exemplos de expressões que se
arraigam até mesmo entre aqueles que deveriam aprimorar o vocabulário:
Olha só; veja bem; correr
atrás do prejuízo; se melhorar estraga; tamo junto; vamo nessa; vítima fatal;
risco de vida; remédio pra matar pernilongo; não aprendi dizer adeus; com migo;
com sigo; se sinto bem; mim sinto bem; o jornalista, ele; o professor
(técnico); a tia (professora); a presidenta; bom dia a todos e a todos; mulher
sapiens; roraimados; pasta voltar para dentro do dentifrício; lugar incerto e
não sabido; maquinário; por conta de; final de semana; eu estava depressivo;
eu, enquanto gente; devagarinho.
