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    14/12/2015

    LÍNGUA PORTUGUESA - Professor Fernando Marques


    QUANTIA / QUANTIDADE - Quantia significa soma ou quantidade de dinheiro; importância monetária.
    Para evitar a redundância, diz-se apenas quantia e não quantia em dinheiro. 
    Quantidade equivale à grandeza expressa em número; grande porção de pessoas ou de coisas; grande número; duração relativa das notas ou sílabas na música; qualidade do que pode ser numerado ou medido; aquilo que pode aumentar ou diminuir; valor das sílabas na prosódia; grande número, porção, abundância. 
    Durante um comício, uma candidata bradou: "Estou feliz, cercada por esta quantia de homens".

    QUARENTA MIL É / QUARENTA MIL SÃO - Quando o sujeito é constituído de uma expressão numérica que se considera em sua totalidade, o verbo ser fica no singular. Exemplos:
    "Quarenta mil é o suficiente para a compra da casa".
    "Oito anos sempre é alguma coisa". - Carlos Drumond de Andrade
    "Dez contos? Não será demais"?  - Almada Negreiros

    QUESTÃ / QUESTÃO - A forma correta é questão que, embora alguns dicionaristas atribuam à palavra significação equivalente a pergunta ou interrogação, questionar não significa perguntar nem interrogar, conforme possa parecer.
    Questionar significa por em dúvida; perguntar significa querer saber. Exemplos:
    O Promotor de Justiça questionou a lisura dos contratos firmados por determinados políticos.
    O aluno perguntou ao professor quando seria realizada a prova de Direito Tributário.
    Em relação à grafia e à pronúncia, a forma correta é questão e não questã
    Quem diz questã, provavelmente diz: coraçã; limã; mã; paixã; liquidaçã; gratidã; programaçã, ou seja, nã tem consideraçã por quem nasceu neste chã.

    RAIOS INFRAVERMELHOS / RAIOS ULTRAVIOLETA – Diz-se: raios infravermelhos ou radiações infravermelhas porque a composição adjetiva (vermelho) implica princípios linguísticos que levam à concordância.
    ‘Diz-se: raios ultravioleta porque a composição é substantiva (violeta), ou seja, não admite a forma pluralizada.

    RAPTO / SEQUESTRO - Rapto consiste no ato ou efeito de arrebatar, de levar consigo mulher, para fins libidinosos, por violência, fraude ou sedução. Portanto, incorre em erro quem diz que determinado homem foi raptado.
    Rapto que consistia em crime cometido contra a mulher, ante a sua retirada do lar por meio de violência, grave ameaça, fraude ou sedução, para fins libidinosos, teve a descaracterização de ilicitude com a revogação dos artigos 219, 220, 221 e 222 do Código Penal.
    No Título VI, o Código Penal dispõe sobre os Crimes Contra os Costumes: Dos Crimes Contra a Liberdade Sexual, Da Sedução e da Corrupção de Menores, Do Lenocínio e do Tráfico de Pessoas.
    Sequestro - No Direito Penal, vincula-se ao crime de privação da liberdade de alguém. Diz respeito à situação de privação da liberdade física ou psicologicamente de alguém, com o consequente impedimento do exercício da sua volição; crime de reter ilegalmente alguém, sobretudo para receber resgate em troca de sua liberdade.
    Sequestro - No Direito Civil, consiste na apreensão judicial de um bem sob litigio, com a finalidade de assegurar-lhe a entrega, oportunamente, à pessoa a que se reconheça que a ela deva tocar.
    A patologia denomina sequestro o fragmento de osso morto e que, devido à necrose, separou-se da parte sã.

    RECLAMAR CONTRA / RECLAMAR DE - Reclamar – tendo a acepção de protestar, opor-se – deve ser a seguido de contra e não de de.  Exemplos:
    “Os acadêmicos decidiram reclamar contra as piadas preconceituosas do professor.”
    “O povo brasileiro gosta de sofrer: paga elevada carga tributária sem reclamar contra esse abuso.”
    Reclamar – com a acepção de reivindicar, exigir, demandar – admite as preposições de e por: Exemplos:
    “Os idosos deveriam reclamar por mais direitos.”
    “Os índios reclamam pelo direito à terra.”
    “O politico corrupto reclamou o repasse da propina.”

    REGÊNCIA NOMINAL / REGÊNCIA VERBALRegência nominal – diz respeito à da relação de dependência existente entre um nome (substantivo, adjetivo, advérbio) e seu complemento. Em geral, as palavras relacionam-se formando uma interdependência, para formar um significado na oração.
    É pela regência que se estuda a relação existente entre os termos de uma oração ou entre as orações de um período.
    A necessária relação que se estabelece entre duas palavras, uma das quais serve de complemento a outra, tem a denominação de regência.  A palavra dependente é chamada de regida; o termo a que ela se subordina, regente.
    Regência nominal ocorre quando o termo regente é um nome. Exemplos: acostumado a ou acostumado com, adido a, amor a, anexado a, assíduo em, atenção a, atenção para, chute a, consulta a, cuidadosa com, curioso de, deputado por, desacustumado a ou desacustumado com, falta a, grudado a, insistem em, invasão de, liderança sobre, morador em, ódio a, ódio contra, palpite sobre, preferência por, presente a, presente em, pressão sobre, residente em, senador por, situado em.
    João era hábil (regente) jogador (regido).
    Ele está habituado (regente) à leitura diária (regido).
    Denomina-se regência verbal quando o termo regente é um verbo.
    A regência verbal estuda a relação de dependência estabelecida entre os verbos e seus complementos.
    O que se analisa na regência verbal é se o verbo é transitivo direto, transitivo indireto, transitivo direto e indireto e qual a preposição relacionada a ele. Exemplo:
    Namorar – é verbo transitivo direto. Portanto, não admite a preposição com. Assim, corretamente se diz: Helen namora David.

    REGISTROS DE LINGUAGEM - A nossa sociedade condicionada às variadas formas de preconceito, usa a linguagem como instrumento de dominação e discriminação, evidenciando automatismo na separação que implica prestígio, ascensão profissional e social ou vitimização de preconceitos, menosprezo, dissabores, baixos salários e atribuições que caracterizam marginalização e exclusão frente às oportunidades de progresso. 
    Para o exercício de determinadas atividades, a linguagem adequada é requisito indispensável.
    Os termos específicos significam ferramentas de trabalho, tal qual o conjunto necessário à competência profissional. Assim, o indivíduo que melhor sobressai é aquele que, em seu estojo (cérebro) carrega o suficiente para o uso conforme cada caso requer. 
    Nos diálogos, redações e nos discursos, deve-se empregar as variadas formas de linguagem, adequando-as de acordo com o nível vocabular e sintático do ambiente ou do interlocutor.
    1 - Linguagem popular - é a utilizada por pessoas simples, destituídas de preocupação com regras gramaticais, formas de flexão, concordância, regência etc.
    Nas comunicações pragmáticas do dia-a-dia, a linguagem popular apresenta caraterísticas da forma oral, com vocabulário restrito, uso de gíria, onomatopeia, clichês, frases feitas e formas deturpadas:
    Inducadora, por educadora; Insempro, por exemplo; prástico, por plástico; bicicreta, por bicicleta; oxílio, por auxílio; pobrema, por problema; ele pegou e disse, por ele disse; nóis num sabia, por não sabíamos; nóis se confundiu, por nos confundimos; intertido, por entretido; ispromentar, por experimentar; gratuíto, por gratuito; partileira, por prateleira etc.

    2 - Linguagem familiar - nesta forma de linguagem, a obediência às normas gramaticais é relativa. Gírias, frases entrecortadas, vocabulário grosseiro, termos da linguagem comum e nível menos formal, são usados até mesmo por indivíduos que obtiveram graduação universitária.
    Há pessoas que, apesar de conhecerem a adequada forma linguística, facilmente se deixam influenciar pela linguagem menos formal, usada nos meios de comunicação de massa (rádio e televisão, inclusive jornais destinados a determinadas categorias da sociedade).
    Na linguagem familiar comumente se usa formas diminutivas de advérbios com valor superlativo: Exemplos:
    Filha, você é a minha queridinha.
    O seu tio chegará amanhã cedinho.
    Comprei este presente para o meu paizinho.

    3 - Linguagem culta - esta forma, também chamada de variante-padrão, apresenta vocabulário rico, cujas prescrições gramaticais são plenamente obedecidas.
    A linguagem culta é usada nos meios científicos e diplomáticos, nos documentos e nas correspondências oficiais, inclusive nos sermões e nos discursos.
    Sua utilização está associada às classes intelectuais, sendo mais evidente na forma escrita que na forma oral, principalmente por causa das constantes mudanças espontaneamente impostas por despreparados formadores de opinião ("criativos" parlamentares, juristas, doutrinadores, líderes religiosos e outros que disseminam expressões incorretas).
    Entre alguns, até mesmo nas situações de formalidade ou no exercício da profissão, o estilo coloquial estruturado de forma equivocada passou a ser tão aceitável quanto as deturpações morais, frequentemente demonstradas por determinados "empresários" e por alguns políticos.
    Desta forma, novas formas de linguagem oriundas de telenovelas, de duplas sertanejas, de radialistas, de políticos, de líderes religiosos, de jogadores de futebol, de presidiários e de pessoas que possam influenciar comunidades, surgem para estabelecer padrões linguísticos temporários ou definitivos.
    Exemplos de expressões que se arraigam até mesmo entre aqueles que deveriam aprimorar o vocabulário:
    Olha só; veja bem; correr atrás do prejuízo; se melhorar estraga; tamo junto; vamo nessa; vítima fatal; risco de vida; remédio pra matar pernilongo; não aprendi dizer adeus; com migo; com sigo; se sinto bem; mim sinto bem; o jornalista, ele; o professor (técnico); a tia (professora); a presidenta; bom dia a todos e a todos; mulher sapiens; roraimados; pasta voltar para dentro do dentifrício; lugar incerto e não sabido; maquinário; por conta de; final de semana; eu estava depressivo; eu, enquanto gente; devagarinho.