No ano de 2014 a inflação acumulada recuou para 6,25%, ficando abaixo do teto da meta inflacionária do país, de 6,5%
A inflação da Capital em dezembro registrou queda de 0,10% em relação a novembro e fechou em 0,44%, segundo o Índice de Preços ao Consumidor de Campo Grande (IPC/CG), divulgado mensalmente pelo Núcleo de Pesquisas Econômicas (NEPES) da Universidade Anhanguera-Uniderp.
A queda surpreendeu para essa época do ano, cujos índices inflacionários são bem mais elevados. Desse modo, a inflação acumulada no ano de 2014 na cidade recuou para 6,25%, permanecendo ainda muito próxima do topo da meta inflacionária estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) para o ano de 2014, que era de 6,5%.
Todos os grupos tiveram índices de inflação positivos neste mês de dezembro, com destaque para Vestuário (1,21%), Alimentação (1,04%) e Despesas Pessoais (0,37%). As maiores contribuições positivas para a inflação foram as dos grupos Alimentação (0,26%), Habitação (0,06%) e Vestuário (0,06%). As contribuições são diretamente proporcionais aos índices de inflação com as respectivas ponderações.
“O grupo Alimentação apresentou uma forte alta em relação ao mês anterior. Este grupo sofre muita influência de fatores climáticos e da sazonalidade de alguns de seus produtos, principalmente verduras, frutas e legumes. Alguns produtos aumentam de preços ao término da safra, por exemplo”, comenta o coordenador do Núcleo de Pesquisas Econômicas da Anhanguera-Uniderp, Celso Correia de Souza.
Inflação acumulada - A inflação acumulada nos últimos doze meses na cidade de Campo Grande é de 6,25%, bem acima do centro da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) que é de 4,5%, mas abaixo do teto da meta que é de 6,5%. Em virtude das festas de final de ano, o grupo Alimentação sempre tem aumento destacado, o que já era esperado. A carne bovina, apesar da pequena demanda, continua no aumento de preço devido, principalmente, ao volume alto de exportação desse produto e a sua entressafra.
Nesses últimos doze meses as maiores inflações acumuladas na Capital, por grupos, foram: Alimentação (10,81%) e Educação (8,15%), ambos com inflações superiores à inflação acumulada nos últimos doze meses, de 6,25%. Os demais grupos se encontram dentro da normalidade.
Os mais e os menos do IPC/CG – Os responsáveis pelas maiores contribuições para a inflação do mês de dezembro foram: frango congelado (0,04%), acém (0,03%), calça comprida masculina (0,02%), alcatra (0,02%), sabão em pó(0,02%), patinho (0,02%), aluguel apartamento (0,02%), feijão (0,02%), mão-de-obra de automóvel (0,02%) e costela (0,02%).
Já os itens que mais ajudaram a segurar a inflação nesse período, com contribuições negativas foram: gasolina (-0,03%), pescado fresco (-0,01%), óleo de soja (-0,01%), sabonete (-0,01%).
Segmentos
Em dezembro de 2014 o grupo Habitação apresentou uma pequena elevação em seu índice, em torno de 0,19% em relação a novembro. Alguns produtos/serviços que sofreram majorações de preços foram: saponáceo (6,45%), sabão em pó (2,68%), lustra móveis (2,35%), entre outros com menores aumentos. Quedas de preços ocorreram com: álcool para limpeza (-4,43%), forno micro-ondas (-3,86%), lâmpada (-3,46%), entre outros com menores quedas.
O índice de preços do grupo Alimentação apresentou uma forte alta em relação ao mês anterior, da ordem de 1,04%. Esse alto índice já era esperado, principalmente devido às festas de final de ano e do clima continuar prejudicando a produção de alimentos. Os maiores aumentos de preços que ocorreram em produtos desse grupo foram: abacaxi (12,48%), manga (10,27%), fígado bovino (6,61%), entre outros com menores aumentos. Fortes quedas de preços ocorreram com os seguintes produtos: limão (-9,40%), farinha de mandioca (-5,09%), chicória (-5,03%), entre outros com menores quedas.
Dos treze cortes de carnes bovina pesquisados pelo NEPES, somente vísceras de boi teve queda de preço de (-0,20%), os outros cortes tiveram aumentos de preços, com destaque para: fígado (6,61%), filé mignon (5,23%), cupim(4,13%), entre outros que apresentaram menores aumentos de preços. O frango resfriado teve forte aumento de preço de 4,92% e miúdos de frango uma pequena queda (-0,29%).
Segundo Celso Correia de Souza, o frango continua sendo uma boa opção para a substituição da carne bovina, que está com preço muito alto. “Quanto à carne suína, todos os cortes pesquisados pelo NEPES tiveram aumentos de preços, a saber: costeleta (5,76%), bisteca (2,45%) e pernil (2,08%). Certamente está havendo uma migração de consumidores de carne bovina para a carne suína, o que provocou esse aumento do produto”, complementa.
Observou-se no grupo Transportes, no mês de dezembro de 2014, uma pequena alta em seu índice, da ordem de 0,16% devido, principalmente, aos aumentos de preços de alguns de seus produtos/serviços, a saber: ônibus interestadual (4,73%), ônibus intermunicipal (2,75%), mão-de-obra de automóvel (1,30%), entre outros com menores aumentos de preços. Queda de preço nesse grupo ocorreu somente com a gasolina (-0,81%).
O Grupo Educação teve uma pequena inflação em seu índice, da ordem de 0,09%, devido aumentos de preços em produtos de papelaria, de 0,82%.
Já o grupo Despesas Pessoais apresentou uma alta moderada em seu índice, da ordem de 0,37%. Alguns produtos desse grupo que tiveram aumentos de preços foram: absorvente higiênico (5,09%), creme dental (3,64%), fio dental(1,01%), entre outros com menores altas de preços. Quedas de preços ocorreram com: sabonete (-1,86%), xampu (-1,24%), produtos de limpeza de pele (-0,60%), entre outros com menores quedas de preços.
O segmento Saúde apresentou uma pequena inflação em seu índice, da ordem de 0,16%. Os produtos desse grupo que aumentaram de preços foram: material para curativo (3,69%), antigripal e antitussígeno (1,85%), anti-inflamatório e antireumático (0,80%), entre outros com menores aumentos. Já, os produtos que tiveram quedas de preços foram: antialérgico e broncodilatador (-0,54%) e anti-infeccioso e antibiótico (-0,25%).
Observou-se no grupo Vestuário, no mês de dezembro de 2014, uma forte inflação em seu índice, da ordem de 1,21%. Aumentos de preços que ocorreram neste grupo foram: saia (3,27%), calça comprida masculina (3,12%), sapato masculino (2,89%), entre outros com menores altas de preços. Quedas de preços ocorreram com: camiseta masculina (-1,09%) e short e bermuda masculina (-0,11%).
IPC/CG - O Índice de Preços ao Consumidor de Campo Grande (IPC/ CG) é um indicador da evolução do custo de vida das famílias dentro do padrão de vida e do comportamento racional de consumo. O Índice busca medir o nível de variação dos preços mensais do consumo de bens e serviços, a partir da comparação da situação de consumo do mês atual em relação ao mês anterior, de famílias com renda mensal de 1 a 40 salários mínimos. A Universidade Anhanguera - Uniderp divulga mensalmente o Índice de Preços ao Consumidor de Campo Grande.
Por: Ayala Moitinho
