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| O poeta Manoel de Barros em cena do documentário "Só Dez por Cento é Mentira", de Pedro Cezar |
Morreu o poeta mato-grossense Manoel de Barros, aos 97, por volta das 8h30 (horário local) desta quinta (13/11), em um hospital de Campo Grande.
Barros estava internado há mais de uma semana na UTI do hospital Procon e havia passado por uma cirurgia de desobstrução do intestino.
Segundo boletim divulgado nesta segunda (11/11), no entanto, o poeta estava "consciente, orientado, mantendo sinais vitais estáveis".
O velório será realizado no cemitério Parque das Primaveras, em Campo Grande, mas ainda não há data definida e tampouco informações sobre o enterro.
Nascido em 1916 em Cuiabá, Manoel de Barros escreveu 18 livros de poesia, além de livros infantis e relatos autobiográficos. Recebeu diversos prêmios literários, entre os quais dois Jabutis em 1989, com "O Guardador de Águas", e em 2002, com "O Fazedor do Amanhecer".
Manoel de Barros morava em Campo Grande com a mulher, Stella, e a filha, Martha. Seus dois filhos homens, João Wenceslau e Pedro, morreram em 2007 e 2013, respectivamente.
DOCUMENTÁRIO
Em 2008, o cineasta Pedro Cezar lançou o documentário "Só Dez Por Cento É Mentira", que traz entrevistas com Manoel de Barros e artistas que se inspiraram em sua obra, como a escritora e atriz Elisa Lucinda, que já usou a poesia de Barros em seus espetáculos, e Joel Pizzini, diretor do curta "CaramujoFlor", inspirado na obra do poeta.
Uma das poesias do mato-grossense dizia "Noventa por cento do que escrevo é invenção. Só dez por cento é mentira", daí o título do filme.
OBRA
Veja abaixo sua obra completa, publicada pela editora Leya.
- "Poemas Concebidos Sem Pecado" (1937)
- "Face Imóvel" (1942)
- "Poesias" (1956)
- "Compêndio para Uso dos Pássaros" (1960)
- "Gramática Expositiva do Chão" (1966)
- "Matéria de Poesia" (1974)
- "Arranjos para Assobio" (1980)
- "Livro de PréCoisas" (1985)
- "O Guardador de Águas" (1989)
- "Concerto a Céu Aberto para Solos de Ave" (1991)
- "O Livro das Ignorãças" (1993)
- "Livro Sobre Nada" (1996)
- "Retrato do Artista Quando Coisa" (1998)
- "Ensaios Fotográficos" (2000)
- "Exercícios de Ser Criança" (2000)
- "Tratado Geral das Grandezas do Ínfimo" (2001)
- "O Fazedor do Amanhecer" (2001)
- "Cantigas para um Passarinho à Toa" (2003)
- "Poemas Rupestres" (2004)
- "Poeminha em Língua de Brincar" (2007)
- "Menino do Mato" (2010)
Fonte: Folha/JE
