Comerciantes que insistem em pagar o piso salarial de pouco mais de R$ 800,00 como “teto” não conseguem profissionais
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| Idelmar da Mota Lima, presidente do Sindicato dos Empregados no Comércio de Campo Grande SEC/CG |
O comércio de Campo Grande, que já vinha sofrendo dificuldade para conseguir mão de obra para suprir suas necessidades, está enfrentando uma situação muito pior nessa reta final do ano de aumento das vendas e de consequente necessidade de contratação de trabalhadores temporários. A informação é de Idelmar da Mota Lima, presidente do Sindicato dos Empregados no Comércio de Campo Grande – SEC/CG, que atribui aos baixos salários oferecidos pelo comércio, essa recusa dos trabalhadores.
“Os empresários precisam se conscientizar de que os valores que estabelecemos na Convenção Coletiva de Trabalho são pisos salariais, ou seja, o mínimo que o empregado deve ganhar. Eles (empresários) estabelecem esses valores como se fossem grandes atrativos e não são. Se não pagarem melhor terão sempre dificuldade para suprir seus quadros de funcionários”, explica o sindicalista.
O setor de supermercados, segundo Idelmar, é o que mais enfrenta dificuldade para conseguir mão de obra. “As pessoas querem qualidade de vida e melhores condições de trabalho nas empresas. Esse negócio de trabalhar sábados, domingos e feriados sem uma boa remuneração não funciona mais. Os tempos são outros”, afirma Idelmar lembrando que a economia no Brasil alavancou, elevando a classe trabalhadora para outros patamares da classe salarial.
“Como um supermercado ou uma loja espera atrair e segurar funcionário para trabalhar 8 horas/dia, inclusive aos domingos e feriados, pagando um piso de pouco mais de R$ 800,00. Se não pagarem bem, um piso e meio, dois ou mais, não terão como encontrar pessoal capacitado para o trabalho”, afirma o sindicalista.
15 de NOVEMBRO – “O quadro do feriado de amanhã (Proclamação da República) demonstra bem sobre o que estamos falando. Todos os supermercados abrem normalmente e boa parte do comércio lojista também. No domingo, muitos retornam ao trabalho. E onde fica o convívio familiar! O tempo para o descanso e lazer com a família? Se não compensar financeiramente, ficará cada vez mais difícil conseguir profissionais para ocupar esses espaços necessários em lojas e supermercados”, afirma Idelmar.
Pagando melhor, as empresas, segundo o sindicalista, não só vão atrair novos profissionais para o mercado, como também vão segurar os bons funcionários nas empresas. “Se não pagar bem, ele logo deixa o estabelecimento e parte para outra empresa onde o comerciante tem maior visão empresarial e paga melhor para valorizar o profissional, que terá melhor desempenho no trabalho”, afirma.
Fonte: ASSECOM/JE
Por: Wilson Aquino
