Em reunião com dirigentes asiáticos e africanos em São Paulo, presidente da entidade rebate denúncias de corrupção na escolha do Catar
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| O cartola chamou de odiosos os ataques contra a integridade da Confederação Africana, envolvida na denúncia |
São Paulo — As suspeitas de corrupção na escolha do Catar como sede da Copa do Mundo de 2022 tiraram Joseph Blatter da linha. Ontem, o presidente da Fifa rebateu pela primeira vez de forma enfática as denúncias. Ele alegou que tudo não passa de “um complô da mídia e da oposição para destruir a Fifa”, de acordo com a BBC. “Há uma tempestade contra a Fifa relacionada à Copa do Mundo no Catar. Infelizmente, há uma grande quantidade de discriminação e racismo, e isso me deixa triste”, discursou Blatter, durante reunião com dirigentes asiáticos e africanos em São Paulo.
Ainda que possíveis irregularidades em relação à Copa 2022 não estejam na pauta do 64º Congresso da Fifa, que começa hoje na capital paulista, o tema certamente fará sombra sobre o evento. Presidente da entidade há 16 anos, Blatter começou duas campanhas: uma pela reeleição, em 2015, e outra pela lisura na escolha do Catar como sede do Mundial.
O mandatário fez questão de participar de reuniões das federações da Ásia e da África em São Paulo para defender-se das denúncias de compra de votos veiculadas inicialmente na Inglaterra. “Eles querem nos destruir. Não querem destruir o futebol, mas sim a Fifa. Não vamos permitir que isso ocorra”, defendeu-se. Ele condenou “os repetidos, deliberadamente odiosos, difamatórios e degradantes ataques da mídia, notavelmente britânica, sobre a imagem e a integridade da Confederação Africana de Futebol e de todo o continente africano”.
Blatter ainda ameaçou processar os autores da “campanha difamatória”, e cobrou união dos dirigentes. “Precisamos manter a unidade. Meu mandato acaba em 2015, mas decidi que minha missão não acabou. Mostrarmos unidade é a melhor forma de lidar com os destruidores do mundo”, disse o cartola.
De acordo com a imprensa britânica, o ex-presidente da Confederação Asiática de Futebol Mohamed bin Hammam estaria envolvido na compra de votos de dirigentes africanos para a eleição do Catar como sede do Mundial. Banido da Fifa em 2012 por corrupção, Bin Hammam teria gastado mais de US$ 5 milhões em troca de apoio de dirigentes africanos ao país. A Fifa contratou uma consultoria externa e recebeu o relatório sobre o caso. Inicialmente, no entanto, os resultados só devem ser divulgados em setembro ou outubro.
Amanhã, às 17h, será realizada a cerimônia de abertura do 64º Congresso da Fifa. Em pauta, estão assuntos como a aprovação das contas da entidade, a reformulação do papel do agente no futebol, uma proposta que limita a idade dos dirigentes a 72 anos (Blatter tem 78), informes sobre a Copa do Mundo no Brasil e outras questões técnicas.
Fonte: OGlobo/JE
Por: Felipe Seffrin /Correio Braziliense
Por: Felipe Seffrin /Correio Braziliense
