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    27/05/2014

    Tupiniquim, cervejaria novata do RS, vence a 'Libertadores da Cerveja

    A quarta edição da South Beer Cup – a "Taça Libertadores da América" da cerveja, realizada em Belo Horizonte, paralelamente à ExpoCachaça – consagrou uma cervejaria brasileira com menos de um ano de existência. Com duas medalhas de ouro, duas de prata e uma de bronze, a Tupiniquim, de Porto Alegre (RS), foi considerada a melhor cervejaria da competição, que reuniu 105 cervejarias de oito países, com 530 rótulos distribuídos em 36 categorias.



    Divulgação

    Formada pelos amigos Christian Bonotto, André Bettiol, Fernando Jaeger, Alex Ribeiro e Márcio Santos, a Tupiniquim surgiu em julho do ano passado, produzindo suas levas na Saint Beer, de Forquilhinha (SC). Em janeiro deste ano, eles inauguraram a fábrica própria, com capacidade para produzir cerca de 30 mil litros mensais. 

    — Eu, o André e o Fernando éramos estagiários da seção de informática de um banco do Rio Grande do Sul, e acabamos montando uma importadora, a Beer Legends, há três anos. Márcio e o Alex vieram para cuidar da parte comercial. Como eu e André já fazíamos cerveja em casa, e tínhamos muitos contatos com distribuidores, decidimos produzir as nossas cervejas — contou o cervejeiro Christian Bonotto, em entrevista ao Dois Dedos de Colarinho.

    A Tupiniquim ficou com ouro e prata na categoria India Pale Ale (IPA), estilo inglês cuja característica fundamental é amargor mais marcante devido a doses extras de lúpulo, com a Extra Fancy e a Anunciação, respectivamente. Na categoria Imperial IPA, versão "turbinada" mais alcoólica e amarga da IPA, ganharam ouro com a Polimango. Para não dizer que só falaram de flores (de lúpulo), eles pegaram ainda medalha de bronze na categoria ales belgas e francesas – vencida pela excelente Saison a Trois, da carioca 2Cabeças e da paulista Invicta – com a Saison de Caju.

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    Os cinco rótulos premiados foram feitos em parcerias com cervejarias estrangeiras de destaque no meio artesanal. A Extra Fancy e a Lost in Translation vieram da colaboração com o dinamarquês Jeppe Jarnit-Bergsø, da Evil Twin; a Polimango, com o sueco Henok Fentie, daOmnipollo; e a Saison de Caju, com o americano Brian Strumke, daStillwater. 

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    O que significa, essencialmente, que a Tupiniquim vai ter que provar que consegue fazer boas cervejas sem a mãozinha dos gringos talentosos.

    — A responsabilidade aumenta, né? Com certeza — ri Christian. — Mas a gente vê estas colaborativas como um aprendizado — analisa.

    Os convites foram facilitados, segundo ele, pela própria atuação da importadora, que traz 180 rótulos para o país, distribuídos em cinco estados (RS, RJ, SC, SP e MG). A cervejaria, agora, tem planos de lançar um ou dois rótulos a cada dois meses, segundo ele.

    Quer dizer que pode-se esperar uma enxurrada de IPAs? Não exatamente, diz Bonotto.

    — Temos receitas de vários estilos. Vamos continuar inovando, que é o que o mercado está pedindo. Além disso temos uma pilsen e uma weissque são bastante vendidas no Rio Grande do Sul. 

    Ele não quis adiantar quais são os próximos lançamentos. No Facebook, porém, já mostrou fotos da produção de uma imperial stout(9,5% de teor alcoólico) em colaboração com a com holandesa Rooie Dop, que se chamará Back to Black. 

    Surpresas nos resultados

    As cervejarias brasileiras conquistaram 25 (70%) das 36 medalhas de ouro em disputa – em três categorias, não houve medalhas de ouro, já que só são premiadas com medalhas as amostras que alcançam pontuações mínimas na média dos juízes. A lista dos vencedores, que pode ser vista no site da South Beer Cup, trouxe outras surpresas além da vitória da novata Tupiniquim. 

    A maior delas, possivelmente, é a zebra na categoria International Lager (a popular "loura gelada"). A artesanal paulista Dama Bier ficou com a prata com sua Pilsen, enquanto o ouro ficou para a industrialSchin, da Brasil Kirin, superando outras 15 cervejas. Não houve medalha de bronze na categoria.

    Outra é a ausência absoluta da vencedora do Festival Brasileiro da Cerveja, a Açaí Stout, da paraense Amazon Beer. Por outro lado, a cervejaria conquistou ouro e prata na categoria destinada às cervejas com ervas e temperos, com a Taperebá Witbier e a Priprioca Red Ale, respectivamente. E, ainda, medalha de prata na categoria cervejas com frutas, com a Forest Bacuri Pilsen.





    Fonte: Estadão/JE
    Por: Márcio Beck