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    27/05/2014

    Marcola, o embaixador que quer dominar o Narcosul

    O traficante Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, durante depoimento em Comissão
     Parlamentar de Inquérito, em Brasília - Foto: Ailton de Freitas / 21.08.2001

    Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, ascendeu dentro do Primeiro Comando da Capital (PCC) no fim de 2002, quando isolou os traficantes que dominavam a facção — José Márcio Felício, o Geleião, e César Augusto Rodriz, o Cesinha. Na época, a então mulher de Marcola, a advogada Ana Maria Olivatto, foi assassinada. Desde sua ascensão, ele imprimiu um inédito modelo de gestão, quase uma empresa. Descentralizou o poder. Em cada estado ou país onde o grupo atua, há uma célula, chamada de “sintonia”. A atribuição de cada um é clara: fazer o poder do grupo crescer.

    A facção compra maconha de traficantes na fronteira do Brasil com o Paraguai, cocaína de Luiz Carlos da Rocha, o Cabeça Branca, Jarvis Ximenes, o Pavão, e Erineu Soligo, o Pingo. Na Bolívia, negocia com atravessadores em Santa Cruz de la Sierra. No Peru, emissários negociaram com produtores próximo à fronteira

    O grupo revende a droga para quadrilhas menores ou organizações criminosas como as facções do Rio. Este ano, a Polícia Federal brasileira provou que eles exportam para a Europa.

    De acordo com o Ministério Público de São Paulo, que fez uma investigação para tentar mensurar o tamanho do grupo, seu lucro anual é de R$ 120 milhões, sem incluir os negócios particulares dos integrantes. Teriam ainda 100 fuzis e R$ 7 milhões enterrados em seis imóveis comprados pela facção. A recuperação judicial de parte desses bens está em curso.

    Situação criminal

    Marcola estava em Regime Disciplinar Diferenciado, mas uma liminar no mês passado o autorizou a voltar para o regime comum, em que a comunicação com comparsas fora da cadeia é mais fácil




    Fonte: Extra/JE
    Por: 
    Guilherme Amado