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    30/10/2013

    Projeto Centro-Oeste Competitivo aponta necessidade de 308 obras para garantir melhor infraestrutura logística

    Foto: José Paulo Lacerda


    Campo Grande (MS) – Um mapeamento logístico da região Centro-Oeste apresentado nesta terça-feira (29/10) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e Confederação Nacional da Agricultura (CNA), em Brasília, identificou 15 cadeias produtivas e a necessidade de 308 obras de modernização e ampliação da infraestrutura logística, ao custo aproximado de R$ 159 bilhões até o ano de 2020. O evento contou com a presença do governador André Puccinelli, que discursou em nome dos governadores da região.

    Conforme o presidente da CNI, Robson Braga de Andrade, o Projeto Centro-Oeste Competitivo, apresentado hoje, tem como objetivo integrar física e economicamente a malha de transporte desta região, identificar e selecionar sistemas de logística de menor custo, voltados tanto para o mercado interno quanto para o comércio exterior, desta forma garantindo mais competitividade. 

    “A implantação de um sistema de infraestrutura logística é uma das principais demandas do setor brasileiro e exige um planejamento cuidadoso. Investimentos em transportes exigem longos períodos de tramitação nos órgãos de governo e de construção, por isso, os projetos precisam ser bem estruturados com antecedência de até 20 anos”, justificou Robson.

    O projeto envolve o mapeamento da atual da infraestrutura e a implantação de uma nova rede. Ao se basear em dez eixos de desenvolvimento, o Centro-Oeste Competitivo constitui um sistema de logística integrado e intermodal. A iniciativa também delineou a melhor forma de financiamento em cada caso, seja por meio do poder público, pela iniciativa privada ou parcerias público-privadas.

    Foto: José Paulo Lacerda
    “Dos 308 projetos previstos, 106 foram considerados prioritários demandando R$ 36,4 bilhões em investimentos - o que equivale a 23% do total. Entre os projetos prioritários, 48% dos recursos previstos são destinados a ferrovias, 23% em portos e 18% empreendimentos hidroviários e 10% é rodovia”, informou o presidente da CNI. De acordo com Robson Braga de Andrade, essa execução das obras prioritárias propiciaria uma redução de 11,8% nas perdas totais causadas pela precariedade da infraestrutura de transporte na região. A economia seria equivalente a R$ 7,2 bilhões no escoamento para os mercados interno e externo, considerando um volume de cargas projetadas para 2020.

    Dados revelam que atualmente o setor produtivo do Centro-Oeste gasta em torno de R$ 60,9 bilhões por ano com transporte de cargas, equivalente 8,7% do produto interno do país. “Responsável por quase metade dos grãos produzidos no Brasil, a região precisa de obras urgentes, sob o risco de saturação das vias de transporte de produtos. Algumas rodovias, como trechos da BR 163, em Mato Grosso, têm uma utilização de 113% acima da capacidade limite, o que mostra o esgotamento do modelo atual”, salientou.

    Ferrovia

    De acordo com o presidente da CNI, a malha ferroviária brasileira é de apenas 3,5 quilômetros de infraestrutura instalada por mil quilômetros quadrados de área. Nos países como México e China, esta estrutura chega a nove quilômetros. Já nos Estados Unidos atinge 22,9 quilômetros. “A carência no Brasil neste segmento compromete o esforço de adequação do setor produtivo aos padrões de competição internacional”, disse.

    Os principais entraves logísticos, segundo Robson Braga de Andrade , além de problemas de infraestrutura física estão associados à falta de vias adequadas dos cruzamentos em cidades, rodovias e em portos. No Brasil existem 355 invasões de faixa de domínio e 3.375 passagens em nível com problemas sendo 279 em situação crítica. “Há, portanto, muito a ser feito. Felizmente estamos presenciando grande transformação do setor. O governo federal percebeu que a recuperação da infraestrutura e a superação das deficiências de logística passa pela efetiva participação do setor privado nas obras e na gestão”, disse.

    O projeto destaca ainda urgência na conclusão da Ferrovia Norte-Sul e da BR-163. Além disso, as hidrovias dos rios Paraguai e Madeira, que se forem modernizadas serão responsáveis por uma economia anual de cerca de R$ 2,3 bilhões. “A redução do déficit de infraestrutura é principal chave para o crescimento econômico vigoroso e sustentável do Brasil”, concluiu.

    Em seu pronunciamento, a presidente da Confederação Nacional de Agricultura (CNA), senadora Kátia Abreu, informou que no período de dez anos o custo de frete subiu 204% no Brasil, realidade diferente de outros países como os Estados Unidos com média de 80% e a Argentina – 56%. “Há outras questões que precisamos resolver para atingir os nossos objetivos. Primeiro é baixar o custo, vender um produto de qualidade e de preço razoável para os brasileiros e com vistas a outros países que estão nos aguardando. Além disso, temos a mão de obra que encarece todos os dias”, disse. 

    Ação conjunta

    Em nome dos presidentes das Federações das Indústrias, Sérgio Longen, de Mato Grosso do Sul (Fiems), disse que a importância do projeto é a ação conjunta do setor produtivo mostrando o alinhamento dos Estados na busca por soluções integradas, gestão logística e a unanimidade como gargalo a ser superado.

    “A manutenção hoje das elevadas taxas de crescimento da região Centro-Oeste tanto na indústria quanto na agricultura depende de que estes investimentos apresentados sejam iniciados imediatamente. Precisamos de certa forma ser os indutores dessas ações. É essencial reduzir os custos logísticos, garantindo a competitividade dos produtos agropecuários e agregar valor na nossa região”, destacou Longen.

    Sérgio Longen destacou que o desafio é o que fazer para garantir a execução deste projeto, e, desta forma, manter a parceria com a CNI e CNA. “Vamos buscar as propostas e soluções de interesse comum. Criar um grupo de trabalho para acompanhar a implantação do projeto Centro-Oeste Competitivo e aí alinhar a ideia às ações da CNI, CNA e das Federações das Indústrias”, disse. Outro objetivo é tratar com prioridade as parcerias públicos-privadas, acompanhar e monitorar permanentemente as atividades no âmbito público.


    Fonte: noticiasms
    Por: Bianca de Freitas Caruso 
    Foto: José Paulo Lacerda