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    26/08/2013

    Tombado, conjunto dos ferroviários guarda histórias de Campo Grande

    O Conjunto dos Ferroviários, que fica na região centro-norte da cidade, é tombado e não pode ser modificado sem autorização da administração municipal. É exatamente essa a graça para quem mora no local ou vai visitar parentes para relembrar com detalhes a infância.


    As casas pintadas em tom de creme com janelas de madeira em marrom bem escuro escondem histórias de uma Campo Grande feliz e bem distante. O Conjunto dos Ferroviários, que fica na região centro-norte da cidade, é tombado e não pode ser modificado sem autorização da administração municipal. Para alegria de Maria de Lurdes de Alencar, de 57 anos, mãe de seis filhos e viúva de um ex-empregado da NOB (Noroeste do Brasil).

    Ela acompanhou as mudanças e fechamento da empresa de perto, que fez com que a Vila dos Ferroviários fosse o berço dos trabalhadores de Campo Grande ao longo dos anos. Após seu pai, o esposo conseguiu uma vaga na empresa. E ela garante que isso mudou a vida e os rumos da família.

    Segundo o arquiteto e Urbanista Ângelo Arruda, há registros de que a ideia de implantar a Esplanada da Noroeste em Campo Grande tenha surgido logo após o crescimento econômico com a enorme movimentação de cargas e de passageiros, verificados a partir de 1919, com a abertura dos mercados após a Primeira Guerra mundial.

    Os comerciantes sentiam-se impulsionados em importar produtos de e exportar, principalmente charque e, com isso, Campo Grande foi escolhida para a implantação da ferroviária.

    O negócio trouxe vida nova para Maria, cuja história se confunde com a do conjunto tombado. Ela, que ainda usa a aliança, conta que o pai trabalhou na companhia e o marido entrou nos anos 70. “Foram 23 anos dedicados a empresa que ele tanto adorava”.

    No Dia das Crianças, a empresa passava jogando presentes às crianças, de trem. “Era uma festa, as crianças saíam correndo atrás dos brinquedos. Criei meus filhos na NOB e tenho muita saudade da empresa. Ela trouxe uma vida melhor para mim e meu marido”.

    Nas férias das crianças, os pais podiam levar os filhos para passear de graça de trem. “Dá saudade de ver o trem passando e aquela gente toda trabalhando com isso. Esses dias eu vi uma matéria na televisão sobre uma vila bem conservada em Minas Gerais. O trem ainda passa lá. Bem que ele podia passar por aqui ainda”, lamentou.

    Maria, entretanto, agradece a oportunidade de morar em um imóvel no centro da cidade e sem impostos. A família morava no bairro Guanandi antes de conseguir uma casa no coração da ferrovia.

    “Nós conseguimos a casa através de um leilão feito na época, há 16 anos. Eles queriam que funcionários conseguissem as casas para morar perto do serviço e meu marido conseguiu comprar, na época saiu bem barato. Ele saía de casa e era andar só um pouco que já estava trabalhando”.

    Já doente, a família ainda brincou com o fato de ter conseguido uma casa no centro. “Ele sempre quis morar aqui. Passava e ficava olhando para a vila. Quando mudamos, ainda brincamos que era só dar um passo e ele já estaria internado na Santa Casa”.

    E assim foi. Após a falência da empresa, o marido de Maria ficou doente e foi internado. “Ele morreu há dois anos, mas tivemos uma vida boa, sem ter o que reclamar. Foram 39 anos de casamento e seis filhos. Hoje, recebo a aposentadoria dele e meus filhos, que estão casados, trabalham no centro e sempre passam aqui para almoçar comigo”, nos contou Maria. 


    Foto: Divulgação

    Fonte: Midiamax
    Por: Evelin Araujo