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    01/12/2015

    Primeiro a afirmar que CIMI incita invasões, administrador de fazenda invadida é ouvido em CPI

    Divulgação

    O administrador da fazenda Brasília do Sul, Ramão Aparecido Evangelista Cristaldo foi ouvido hoje durante reunião da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga a atuação do Conselho Indigenista Missionário (CIMI) no Estado e foi o primeiro depoente a afirmar que o CIMI incita invasões de terras.

    A Fazenda fica localizada no município de Juti, foi adquirida pelo proprietário em 1928 e tem área total de quase 100 mil hectares, sendo que atualmente 1,2 mil hectares estão ocupados por cerca de 180 índios. Ramão, que é nascido e criado na região, presenciou todos os conflitos por terra na fazenda e afirmou que o local nunca foi terra indígena.

    Testemunha em vários processos sobre conflitos, retomadas, invasões e da morte do Cacique Marcos Veron, atualmente Ramão não consegue trabalhar em outra atividade, já que é constantemente convocado para audiências.

    Por isso, permanece na fazenda invadida, já foi sequestrado e torturado por índios e hoje diz viver pacificamente com os invasores, destacando que somente quando o CIMI visita a reserva os índios ficam violentos e entram em conflito.

    Ao depor na CPI Ramão apresentou muitos documentos, fotos e relatou tudo que já viu e ouviu sobre a atuação do Conselho Indígenas Missionário na área. Logo no inicio do depoimento ele disse ter medo de voltar para a fazenda e pediu reforço na segurança do local. Em resposta a presidente da CPI, deputado Mara Caseiro afirmou que vai encaminhar ofício com a solicitação à Secretaria de Segurança do Estado.

    Ramão começou a trabalhar na fazenda em 1999, ano da primeira invasão. Ele disse que chegou a fazer amizade com o Cacique Marcos Veron e que ouviu muitas vezes dele que o CIMI pedia para que a fazenda fosse invadida. “Ele dizia que eram incentivados pelo CIMI e pela FUNAI a invadir fazendas da região. Mas ali nunca teve índio”, disse.

    Em outra parte do depoimento Ramão declarou que ouviu de Veron que o CIMI prometia ajuda aos índios que invadiam fazendas, mas que depois não cumpria com o combinado. “A gente fez amizade, eu fiz contato com o cacique, que era o Seu Marcos Veron para a gente poder transitar com o gado porque o gado tinha medo dos índios e eles, um dia me chamaram e falaram ‘a gente não vai aguentar mais. O CIMI pediu para que a gente entrasse aqui que ele ia nos ajudar junto com a FUNAI e não ajudou. A gente vai se manifestar e entrar na sede’, e eu não acreditei, mas aconteceu. Eles dizem para mim que o grupo que esta do lado do CIMI é favorecido. Eles ganham as coisas e os outros não. Daí, os mais pobrezinhos vêm pedir ajuda pra mim e eu dou do meu próprio bolso”, contou.

    Ao final da reunião Paulo Corrêa destacou a importância do depoimento de Ramão. “Pela primeira vez uma pessoa, que foi o senhor Ramão, afirmou essas ações do CIMI. Nós estamos investigando exatamente a participação do CIMI nas invasões. Agora ele vai passar para a CPI nomes de indígenas que também serão ouvidos pela CPI”, disse o relator deputado Paulo Corrêa.

    Morte de Marcos Veron

    Sobre o cacique Marcos Veron, Ramão entregou documentos comprovando que o cacique era paraguaio e não índio. De acordo com os registros, Veron nasceu no Paraguai, mas teria conseguido registros de nascimento brasileiros nas cidades de Ponta Porã e também em Caarapó. Ele era aposentado como servidor do Ministério da Agricultura e teria se tornado “índio” após seu segundo casamento, com uma indígena que até hoje vive na área invadida.

    Posteriormente Ramão chegou a ser acusado e preso pela morte do cacique, e hoje apresentou vários Boletins de Ocorrência, alguns registrados por índios, que testemunharam a morte de Veron e afirmaram que ele morreu após uma discussão com outros indígenas. Nos BOs conta que ferido após a briga, ele teria sido encaminhado para um hospital de Dourados onde faleceu.

    Os documentos agora serão repassados para a CPI que investiga a ação/omissão do Estado nos casos de mortes de indígenas e que também é composta pelos deputados Mara Caseiro e Paulo Corrêa.




    Fonte: ASSECOM