| Foto: Minamar Junior |
Cerca de 40 indígenas voltaram insatisfeitos a Mato Grosso do Sul, nesta sexta-feira (7), após reunião com o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, em Brasília. Reunidos nesta tarde na Praça do Rádio Clube em Campo Grande, as lideranças disseram aos Terena, Guarani, Kadiwéu e Kaiowá que fizeram protesto nesta manhã, que nenhum compromisso concreto foi feito e que decidiram por uma trégua de 15 dias nos conflitos para que a situação das demarcações sejam resolvidas.
“Resolver a questão só dependia de uma autorização do ministro para concluir as demarcações e ele ficou com medo de cumprir a lei ou faltou boa vontade. Demos 15 dias para que o Governo Federal apresentasse algo de concreto, senão vamos continuar o processo de ocupação”, disse o líder Terena, Lindomar Terena.
Uma xerox do documento que listava os três compromissos assumidos pelo ministro foi mostrada para a reportagem do Midiamax, em que o primeiro item a ser cumprido pelo Governo Federal será a abertura de um inquérito policial para incriminar os responsáveis pela morte do índio Oziel Gabriel, de 34 anos. Segundo item é a criação de um fórum permanente em conjunto com diversas entidades para discussão das demarcações e em terceiro é que o fórum seja criado em 15 dias.
“Ou seja, nada disso foi concreto. Entregamos uma lista para eles de terras que não tem impedimentos judiciais para prosseguir com a demarcação e o ministro nos disse que neste momento devem-se evitar novos conflitos, mas nós vamos lutar”, afirmou Lindomar.
O irmão de Oziel, Elizur Terena, criticou a atuação do Governo Federal. “Neste país se mata seu próprio filho e dão cobertura para fazendeiro que muitos nem brasileiros são. Oxalá se nós quiséssemos buscar o país novamente. Só queremos 17 mil hectares”, ressaltou.
Os proprietários rurais reivindicam que ao ocorrerem as demarcações que eles sejam ressarcidos financeiramente pela perda das terras, no valor da terra nua e não só pelas benfeitorias como propõe a Fundação Nacional do Índio (Funai). Um exemplo é a terra do ex-governador Pedro Pedrossian, na região da Aldeia Cachoeirinha que está envolvida em conflito e a Funai avalia em R$ 2 milhões, mas o dono quer R$ 6 milhões pelos 1.200 hectares.
“Uma vez definido pagar pela terra nua é colocar a terra indígena em comércio. Isso é um desrespeito. Se é dinheiro que eles querem paguem logo e deixa a gente sobreviver”, concluiu o terena que confirmou que atualmente 65 fazendas estão em conflito em Mato Grosso do Sul.
Fonte: Midiamax
Por: Fernanda Kintschner
Foto: Minamar Junior