As equipes feminina e masculina de ginástica falam em Londres sobre as expectativas para os Jogos. Enquanto elas têm poucas chances de ganhar medalhas, eles sonham com o pódio
| A seleção feminina de ginástica artística: (da esq. para a direita) Bruna Leal, Adrian Gomes, Daniele Hypolito, Daiane dos Santos e Ethiene Franco (Foto: Felipe Pontes/ÉPOCA) |
A seleção feminina de ginástica artística chegou leve a Londres. Após quase uma década como potência olímpica brasileira, a equipe não tem nenhuma estrela ou pressão por medalhas nesta edição dos Jogos. Espírito resumido pela ucraniana Irina Ilyaschenko, treinadora da seleção. “As meninas estão se dedicando muito, mas não dá para prever se vão subir ao pódio”, afirma. O clima é de passagem de bastão no quinteto formado por Daiane dos Santos, Daniele Hypolito, Adrian Gomes, Ethiene Franco e Bruna Leal. Daiane, a mais velha, tem 29 anos – 10 anos a mais que Bruna Leal, a caçula do grupo. Em conversa com a imprensa na Vila Olimpica, elas mostraram sintonia e trocaram abraços. Daiane, que participará de sua última Olimpíada, puxou brincadeiras e diz que alertou Adrian e Bruna, calouras nos Jogos, a evitar a badalação da Vila Olímpica. "Nós viemos para trabalhar e representar o país. Depois, qualquer uma faz o que quiser", afirma, às risadas.
A equipe feminina também sofreu duas baixas para Londres. Jade Barbosa, considerada a ginasta brasileira com mais chances de medalha, não foi à Olimpíada por não ter assinado um contrato de patrocínio com a Confederação Brasileira de Ginástica (CBG). Ela foi substituída por Lais Souza, que por sua vez sofreu uma fratura na mão direita durante treinos em Ipswich, onde a equipe se concentrou por 11 dias antes de vir à capital britânica. Ethiene Franco, suplente da seleção, ficou com a vaga. "Fico triste por elas, mas treinei muito e também mereço estar aqui", afirma Ethiene, que pintou a bandeira da Grã-Bretanha em suas unhas e posou para fotógrafos mostrando a sua mão. Daniele Hypolito, a caminho de sua quarta Olimpíada, não quis comentar os cortes. "O assunto da Jade já deu. E a Lais teve essa infelicidade, mas lesões são comuns para qualquer atleta", diz. Daiane, a principal representante da geração que levantou a ginástica artística brasileira nos anos 2000, quando foi campeã mundial e bicampeã da Copa do Mundo na prova do solo, diz que os problemas fortaleceram a equipe. "O tufão passou. Agora, somos um grupo forte e unido", afirma.O ambiente tinha tudo para ser dos piores. Ano passado, a seleção teve um desempenho muito abaixo no esperado no mundial de Tóquio, e, no Pan de Guadalajara, não foi às finais por equipe pela primeira vez desde o Pan de Mar del Plata, em 1995. Após a competição no México, Adrian revelou que o grupo estava rachado porque ela e Daiane desejavam a volta da equipe permanente, enquanto Daniele e Jade Barbosa preferiam treinar em seus clubes. Em abril, com a inauguração de um centro de treinamento no Rio, o debate público entre as atletas foi temporariamente deixado de lado e a seleção feminina poderá voltar a concentrar suas ginastas a partir de 2014 como preparação para os Jogos do Rio, em 2016.
| Sergio Sasaki (à esq.) e Arthur Zanetti, da ginástica artística, em Londres (Foto: Felipe Pontes/ÉPOCA) |
Sem problemas de relacionamento, a seleção masculina ultimamente apareceu menos nos noticiários, mas chamará mais a atenção em Londres. Com a classificação de Diego Hypolito, Arthur Zanetti e Sergio Sasaki, essa é a primeira Olimpíada que contará com mais de um ginasta brasileiro. E dois deles podem subir ao pódio. Hypolito, bronze na prova do solo no Mundial de 2011, em Tóquio, e o único veterano do trio, está cotado para conquistar uma medalha, desta vez sem a pressão de Pequim. Ele era favorito ao ouro nos Jogos de 2008, quando sofreu uma queda na final e ficou em sexto. "É bom não ter essa pressão nas costas. Estou bem mais feliz aqui", afirma. Arthur Zanetti, especialista na prova de argolas, soma três ouros e uma prata em etapas da Copa do Mundo de 2012 e venceu o Pré-Olímpico de Londres. Forte candidato a ouro, não quer passar pelo mesmo problema que Hypolito. "Eu tento esquecer as expectativas e não me sinto obrigado a ganhar nada", diz. Sergio Sasaki, de 20 anos, usará Londres como preparação para a Olimpíada do Rio e planeja ficar entre os 10 primeiros no individual geral.
O Brasil nunca conquistou uma medalha olímpica na ginástica, mesmo na melhor época das ginastas brasileiras. Em Londres, essa missão passou para os homens, nunca antes visados como uma equipe forte. Questionado sobre a inversão de papéis entre mulheres e homens na ginástica brasileira, Sasaki foi direto. "A gente torce por elas, mas também quer conquistar o nosso espaço. Não podemos ficar atrás", diz. A Olimpíada de Londres é a chance dos homens de, quem diria, tomar a frente dos tablados e aparelhos.
Fonte: Época
Por: FELIPE PONTES, DE LONDRES