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    24/07/2012

    ‘Avenida Brasil’: ‘Pensei como seria morrer’, diz Betty Faria, que sofreu de polimialgia e tomou cortisona por 4 anos

    Betty Faria diz que se identifica com a positividade de Pilar: ‘Tive momentos de bambeada e não perdi a esperança’ Foto: Darlei Marinho / EXTRA / Agência O Globo

    Betty Faria desce do carro, dirige-se a um restaurante no Leblon, local da entrevista, e estanca: “Aqui está muito cheio, vamos fazer em outro lugar? Morro de vergonha!”, diz, já saindo de fininho. A reação da atriz é curiosa, afinal, aos 71 anos, 50 deles dedicados à carreira, é surpreendente ver que ainda se sente constrangida por chamar atenção. Mas quando começa a falar, Betty não tem reservas. Neste bate-papo, a intérprete da Pilar de “Avenida Brasil” fala de velhice, vaidade, homens, doença, morte e superação.

    Positividade

    “Pilar é sem limite, politicamente incorreta, chega a ser amoral. Eu me identifico com a positividade dela, tenho esse olhar sobre a vida. Quase todos os sobreviventes têm. Já tive momentos de bambeada e não perdi a esperança. Não é só questão de fé, é de temperamento, natureza. Eu tenho talento para ser feliz. Há pessoas assim.”

    Vício em cortisona

    “A polimialgia é uma doença terrível. Todas as articulações ficam doloridas, inflamadas. Só conseguia aplacar a dor constante com cortisona. Ela é uma droga poderosa, fiquei viciada nela por quatro anos. Chegou uma hora em que a cortisona em comprimido não fazia mais efeito e descobri uma injeção do medicamento que era um sonho, a vida voltava a sorrir. Imagina se não ia tomar! Enchia a cara de cortisona e fazia dieta para não ficar gorda.”

    Pensar na morte

    “Apesar de eu ser solar, a dor invalida, você não serve mais para nada. E começa a pensar: ‘Aquele brinquinho vou dar a minha filha ou neta? E para a outra neta, vou dar o quê?’ Pensei como seria morrer. E isso uma pessoa com a cabeça trabalhada, budista. Mas quando a dor bate, se bobear, você entra em depressão. Consegui me livrar com um pacote: fitoterápico, hidroterapia, cuido da cabeça, mantenho longe gente negativa, porque tudo isso retesa. Estou feliz!”

    Velha cascuda

    “Sou vaidosa sem exageros. Quero ficar uma velhinha direita, jeitosa, cheirosinha, com roupa bacaninha. Não curto mulher relaxada, reparo mesmo. Na minha idade, tem que estar mais bem cuidada, senão vira velha cascuda”.

    Idade real

    “Não foi difícil entrar nos 70, porque vim negociando isso psicologicamente antes dos 50. Nunca enganei idade, acho triste mulheres que ficam comendo dois aninhos... Tem colegas minhas que tinham quatro anos a mais, agora vejo nas revistas que elas tem quatro a menos. E a velha sou eu, né? É puro medo de não se sentir sedutora”.

    Plástica com dignidade

    “Quero fazer papéis para os quais fisicamente eu seja adequada. Não tenho intenção de ficar me repuxando, dar uma ajeitadinha aqui e ali, como já dei. Mas nunca quis ficar plastificada, porque aí você perde todos os papéis”.

    Sem namorado

    “Já tive medo de não ser mais sedutora quando namorei homens mais novos. É uma chatice! A mulher fica preocupada em parecer mais jovem. Sem contar os programas chatos que se faz para agradar: show na praia de um roqueiro chato. Hoje, não tenho uma relação amorosa e não estou contando há quanto tempo estou sozinha, simplesmente não aconteceu. Preenchi minha vida com tantas coisas que nem sei como vai ser para adaptar o meu dia a dia, caso tenha alguém. Mas homem mais novo, nunca mais!”

    Remake de ‘Tieta’

    “Seria bacana ver um remake de ‘Tieta’, 23 anos após ter ido ao ar. Para fazer a personagem, penso na Claudia Raia! Ela seria uma Tietona grandona, ótima. É talentosa, competente, das atrizes mais jovens que eu respeito. Por que para fazer Tieta tem que ter b...! E ela tem!”

    Fonte: Extra
    Por: Marcelle Carvalho