Campo Grande (MS),

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    22/01/2019

    Somos o país que mais preserva o meio ambiente, diz Bolsonaro em Davos; veja a íntegra do discurso

    Presidente brasileiro fez estreia em eventos internacionais nesta terça-feira (22) no Fórum Econômico Mundial. Ele apresentou Sérgio Moro como 'homem certo' para combate à corrupção.

    'Somos o país que mais preserva o meio ambiente', diz Bolsonaro em Davos ©REPRODUÇÃO-G1
    Em sua estreia em eventos internacionais, o presidente Jair Bolsonaro discursou nesta terça-feira (22) na abertura da sessão plenária do Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça. Em meio ao discurso de oito minutos, Bolsonaro afirmou aos líderes mundiais que o governo dele quer compatibilizar preservação do meio ambiente e biodiversidade com avanço econômico.

    Diante das desconfianças internacionais em relação à política do governo Bolsonaro para a preservação ambiental, o presidente brasileiro disse na abertura do fórum que o Brasil é o país que mais preserva o meio ambiente.

    Na tentativa de rebater críticas contra mudanças que implementou na estrutura de preservação ambiental do governo, ele citou estatísticas para demonstrar aos líderes do planeta que o agronegócio não estaria avançando sobre áreas de preservação ambiental, como as florestas. Segundo ele, a agricultura ocupa apenas 9% do território brasileiro, e a pecuária, menos de 20%.

    "Nossa missão é avançar na compatibilização da preservação do meio ambiente e biodiversidade com avanço econômico", discursou.

    “Hoje, 30% do Brasil são florestas. Então, nós damos, sim, exemplo para o mundo. O que pudermos aperfeiçoar, o faremos. Nós pretendemos estar sintonizados com o mundo na busca da diminuição de CO2 e na preservação do meio ambiente", complementou o presidente depois do pronunciamento, ao responder perguntas dos organizadores.

    Bolsonaro foi o primeiro chefe de Estado da América Latina a discursar na abertura do fórum. Cerca de 250 autoridades do G20 (grupo que reúne as 20 principais economias do mundo) e de outros países compareceram ao evento, porém, a edição deste ano tem ausências importantes.

    Em outro trecho do discurso, Jair Bolsonaro afirmou à plateia do fórum que assumiu a Presidência da República com uma "profunda crise ética, moral e econômica". Após dizer que não aceitou pressões políticas para montar seu ministério, o presidente apresentou o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, como "homem certo" para o combate à corrupção e o combate à lavagem de dinheiro.

    "Vamos investir pesado na segurança para que vocês nos visitem com suas famílias, pois somos um dos primeiros países em belezas naturais, mas não estamos entre os 40 destinos turísticos mais visitados do mundo. Conheçam a nossa Amazônia, nossas praias, nossas cidades e nosso pantanal. O Brasil é um paraíso, mas ainda é pouco conhecido", declarou.

    Reformas

    Depois de se apresentar aos líderes mundiais na abertura do discurso, Bolsonaro afirmou que tem "credibilidade" para realizar as reformas que o Brasil precisa e que o "mundo espera", sem especificar quais seriam as mudanças estruturais que pretende propor ao longo do mandato.

    Ao final do pronunciamento, ao responder perguntas do fundador e presidente executivo do Fórum Econômico Mundial, Klaus Schwab, Bolsonaro mencionou a intenção de realizar as reformas previdenciária e tributária.

    "Pretendemos diminuir o tamanho do Estado, realizar reformas, por exemplo, como a da Previdência e tributária, queremos tirar o peso do Estado de cima de quem produz, de quem empreende", afirmou Bolsonaro.

    O presidente destacou ainda que pretende investir em educação e repetiu, mais uma vez, que deseja tirar o "viés ideológico" dos negócios realizados com outros países, "visando o comércio com aqueles que comungam com práticas semelhantes à nossa".

    Ele ainda defendeu uma reforma da Organização Mundial do Comércio (OMC). "Buscaremos integrar o Brasil ao mundo também por meio de uma defesa ativa da reforma da OMC, com a finalidade de eliminar práticas desleais de comércio e garantir segurança jurídica das trocas comerciais internacionais", disse no discurso.

    Mercosul

    Em outro trecho da fase de perguntas e respostas, Jair Bolsonaro relatou aos participantes do fórum que conversou com os presidentes Mauricio Macri (Argentina), Sebastián Piñera (Chile) e Mario Abdo (Paraguai) sobre a necessidade de fazer mudanças no Mercosul. O bloco também é composto pelo Uruguai.

    O presidente brasileiro não citou quais alterações defende, mas já defendeu, após um encontro com Macri, um Mercosul “enxuto”.

    “Estamos preocupado sim em fazer uma América do Sul grande, que cada país, obviamente, mantenha a sua hegemonia local. Não queremos uma América bolivariana como há pouco existia no Brasil em governos anteriores”, afirmou.

    Bolsonaro ressaltou as vitórias recentes em países do continente de políticos de centro e de centro-direita o que, segundo ele, é uma “resposta” à esquerda.

    “Creio que isso seja uma resposta que a esquerda não prevalecerá nessa região, o que é muito bom no meu entender, não só para América do Sul, bem como para o mundo”, opinou.

    Ausências importantes

    O encontro deve contar com apenas três líderes do G7 (grupo formado pelos sete países mais industrializados do mundo): o primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, a chanceler alemã, Angela Merkel, e o premiê italiano, Giuseppe Conte.

    Líderes mundiais poderosos, como os presidentes Donald Trump (EUA), Xi Jinping (China), Emmanuel Macron (França), Vladimir Putin (Rússia) e os primeiros-ministros Theresa May (Reino Unido) e Ram Nath Kovind (Índia), não foram aos alpes suíços para o encontro econômico.

    Veja abaixo a íntegra do discurso:

    "Boa tarde a todos!

    Muito obrigado, professor Schwab!

    Agradeço, antes de mais nada, o convite para participar deste fórum e a oportunidade de falar a um público tão distinto.

    Agradeço também a honra de me dirigir aos senhores já na abertura desta sessão plenária.

    Esta é a primeira viagem internacional que realizo após minha eleição, prova da importância que atribuo às pautas que este fórum tem promovido e priorizado.

    Esta viagem também é para mim uma grande oportunidade de mostrar para o mundo o momento único em que vivemos em meu país e para apresentar a todos o novo Brasil que estamos construindo.

    Nas eleições, gastando menos de 1 milhão de dólares e com 8 segundos de tempo de televisão, sendo injustamente atacado a todo tempo, conseguimos a vitória.

    Assumi o Brasil em uma profunda crise ética, moral e econômica.

    Temos o compromisso de mudar nossa história.

    Pela primeira vez no Brasil um presidente montou uma equipe de ministros qualificados. Honrando o compromisso de campanha, não aceitando ingerências político-partidárias que, no passado, apenas geraram ineficiência do Estado e corrupção.

    Gozamos de credibilidade para fazer as reformas de que precisamos e que o mundo espera de nós.

    Aqui entre nós, meu ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, o homem certo para o combate à corrupção e o combate à lavagem de dinheiro.

    Vamos investir pesado na segurança para que vocês nos visitem com suas famílias, pois somos um dos primeiros países em belezas naturais, mas não estamos entre os 40 destinos turísticos mais visitados do mundo. Conheçam a nossa Amazônia, nossas praias, nossas cidades e nosso Pantanal. O Brasil é um paraíso, mas ainda é pouco conhecido!

    Somos o país que mais preserva o meio ambiente. Nenhum outro país do mundo tem tantas florestas como nós. A agricultura se faz presente em apenas 9% do nosso território e cresce graças a sua tecnologia e à competência do produtor rural. Menos de 20% do nosso solo é dedicado à pecuária. Essas commodities, em grande parte, garantem superávit em nossa balança comercial e alimentam boa parte do mundo.

    Nossa missão agora é avançar na compatibilização entre a preservação do meio ambiente e da biodiversidade com o necessário desenvolvimento econômico, lembrando que são interdependentes e indissociáveis.

    Os setores que nos criticam têm, na verdade, muito o que aprender conosco.

    Queremos governar pelo exemplo e que o mundo restabeleça a confiança que sempre teve em nós.

    Vamos diminuir a carga tributária, simplificar as normas, facilitando a vida de quem deseja produzir, empreender, investir e gerar empregos.

    Trabalharemos pela estabilidade macroeconômica, respeitando os contratos, privatizando e equilibrando as contas públicas.

    O Brasil ainda é uma economia relativamente fechada ao comércio internacional, e mudar essa condição é um dos maiores compromissos deste Governo.

    Tenham certeza de que, até o final do meu mandato, nossa equipe econômica, liderada pelo ministro Paulo Guedes, nos colocará no ranking dos 50 melhores países para se fazer negócios.

    Nossas relações internacionais serão dinamizadas pelo ministro Ernesto Araújo, implementando uma política na qual o viés ideológico deixará de existir.

    Para isso, buscaremos integrar o Brasil ao mundo, por meio da incorporação das melhores práticas internacionais, como aquelas que são adotadas e promovidas pela OCDE.

    Buscaremos integrar o Brasil ao mundo também por meio de uma defesa ativa da reforma da OMC, com a finalidade de eliminar práticas desleais de comércio e garantir segurança jurídica das trocas comerciais internacionais.

    Vamos resgatar nossos valores e abrir nossa economia.

    Vamos defender a família e os verdadeiros direitos humanos; proteger o direito à vida e à propriedade privada e promover uma educação que prepare nossa juventude para os desafios da quarta revolução industrial, buscando, pelo conhecimento, reduzir a pobreza e a miséria.

    Estamos aqui porque queremos, além de aprofundar nossos laços de amizade, aprofundar nossas relações comerciais.

    Temos a maior biodiversidade do mundo e nossas riquezas minerais são abundantes. Queremos parceiros com tecnologia para que esse casamento se traduza em progresso e desenvolvimento para todos.

    Nossas ações, tenham certeza, os atrairão para grandes negócios, não só para o bem do Brasil, mas também para o de todo o mundo.

    Estamos de braços abertos. Quero mais que um Brasil grande, quero um mundo de paz, liberdade e democracia.

    Tendo como lema “Deus acima de tudo”, acredito que nossas relações trarão infindáveis progressos para todos.

    Muito obrigado."

    Fonte: G1



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