Campo Grande (MS),

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    20/07/2018

    Dólar fecha abaixo de R$ 3,80 com Trump e apoio de centrão a Alckmin

    A queda foi resultado de uma combinação improvável de notícias do cenário externo e da conjuntura política atual

    ©DR
    O dólar despencou ante o real nesta sexta-feira (20) e fechou abaixo dos R$ 3,80 pela primeira vez em dias 10.

    A queda foi resultado de uma combinação improvável de notícias do cenário externo e da conjuntura política atual. A Bolsa brasileira destoou do exterior e avançou mais de 1%.

    Nesta sexta, e pelo segundo dia consecutivo, o presidente Donald Trump criticou a alta da taxa básica de juros dos EUA.

    Se na véspera ele havia comentado o tema em entrevista, dessa vez recorreu ao Twitter. Trump afirmou que os EUA "não devem ser penalizados" porque sua economia está indo bem. "O aperto [monetário] agora fere tudo o que fizemos", escreveu.

    "Os Estados Unidos deveriam poder recapturar o que foi perdido devido à manipulação ilegal de moedas e a acordos comerciais ruins. As dívidas perto de vencer e nós estamos aumentando juros -sério?", disse na mensagem.

    As manifestações do presidente americano colocam em xeque a independência do Fed (Federal Reserve, o banco central dos EUA). A taxa americana está no intervalo entre 1,75% e 2% ao ano, e a expectativa é de que os membros do Fed promovam mais dois aumentos neste ano apoiados pela recuperação da economia do país.

    Quando as taxas de juros americanas sobem, a tendência é que investidores migrem recursos antes aplicados em países emergentes, considerados mais arriscados, para títulos da dívida dos Estados Unidos. O movimento tende a fazer o dólar se valorizar.

    No entanto, as manifestações de Trump têm tido o efeito de derrubar o dólar ante os emergentes. Nesta sexta, a moeda americana perdeu para 17 de 24 divisas emergentes.

    O dólar fechou o dia em queda de 1,87%, a R$ 3,7740, no menor valor em um mês.

    Para analistas, o novo patamar do dólar não deve se manter daqui pra frente.

    "É difícil imaginar que tenhamos muitos dias favoráveis como os de hoje. Tudo pela frente indica que a gente ainda vai ter dólar forte no exterior, que esses alívios são temporários", disse Ignacio Crespo, da Guide Corretora.

    Entre os emergentes, o real foi a moeda que mais se valorizou nesta sexta.

    Investidores atribuíram o movimento ao cenário político. Na quinta, partidos do chamado centrão –DEM, PP, PR, PRB e SD– fecharam um acordo para apoiar Geraldo Alckmin (PSDB) à presidência. Não há acordo formal selado.

    Para o mercado financeiro, o maior tempo de TV que viria da coligação ajudaria a aumentar a exposição do tucano, elevando as chances de ele crescer na preferência dos eleitores.

    Segundo a pesquisa Datafolha mais recente, publicada em 10 de junho, Alckmin tem entre 6% e 7% das intenções de voto, conforme o cenário. Sem Lula (PT), preso desde abril, a corrida eleitoral é liderada por Bolsonaro (PSL), Ciro Gomes (PDT) e Marina Silva (Rede).

    Entre eles, Alckmin é visto pelo mercado financeiro com o mais propenso a conduzir reformas, como a da Previdência, que eles consideram essenciais para a economia do país.

    "A notícia mostra para o mercado que candidatos que não vinham apresentando um programa de reformas estruturantes, um discurso de que o investidor gosta, podem perder força", diz Alvaro Bandeira, economista-chefe da Modalmais.

    O otimismo do mercado com a possibilidade de Alckmin avançar fez a Bolsa brasileira descolar do exterior e subir mais de 1%.

    O Ibovespa, principal índice acionário do país, ganhou 1,40%, a 78.571 pontos. A alta foi impulsionada pelos papéis da Petrobras e do setor financeiro, com maior peso no índice. Na semana, a alta de 2,6%.

    No exterior, os índices americanos fecharam perto da estabilidade, enquanto a maioria das Bolsas europeias fecharam no vermelho.

    A animação poderá ceder mais uma vez espaço para as incertezas típicas do período eleitoral, que devem deixar o mercado financeiro volátil na próxima semana.

    Após o fechamento do mercado, Paulinho da Força (SD), um dos líderes do centrão, ameaçou o acordo e reabriu negociações com Ciro.

    "O acordo está sendo dado como certo, mas a oficialização é uma questão", disse Crespo antes mesmo da oposição de Paulinho da Força. 

    NAOM-Com informações da Folhapress.


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