Campo Grande (MS),

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    25/06/2018

    Proposta por Siufi, audiência discute curso de Medicina da UEMS e cria comissão especial

    Siufi acredita que a audiência trará bons resultados e já convocou a criação de uma comissão especial multidisciplinar para cobrar providências urgentes do Governo do Estado

    ©Luciana Nassar 
    A audiência pública realizada na manhã desta segunda-feira, 25, na Assembleia Legislativa discutiu a situação atual do curso de medicina da Universidade Estadual de Mato grosso do Sul (UEMS). Proposta pelo presidente da Comissão Permanente de Saúde da ALMS, deputado estadual Dr. Paulo Siufi (MDB), a audiência ouviu acadêmicos, corpo docente e diretoria da instituição, que questionam a falta de equipamentos, de estrutura e de professores, bem como a possibilidade do não reconhecimento do curso pelo Ministério da Educação (MEC).

    A acadêmica Liviane Michelassi da Silva apresentou a realidade do curso, desde sua criação em 2015 até hoje. “Temos um prédio bonito, mas desequipado, com professores contratados e não efetivos, uma biblioteca deficiente, materiais que foram licitados e sua compra autorizada, mas que não foram entregues. Em 2016, fizemos a primeira paralisação, ouvimos promessas que até agora não foram cumpridas em sua totalidade”, afirmou a estudante do terceiro ano. Liviane lembrou que existem critérios do MEC que precisam ser atendidos e que, no momento, estão aquém, como a quantidade de livros por aluno, desestruturação de laboratórios básicos, infraestrutura deficiente, poucos profissionais efetivos, ausência de um hospital-escola, entre outras deficiências. “Um dos nossos maiores receios é de que o MEC não reconheça o curso, que agora é apenas autorizado”, apontou a acadêmica.

    A professora doutora Renata Vidal, vice-coordenadora do curso de Medicina da UEMS, acredita que o curso de Medicina precisa de um cuidado e atenção maiores por parte do poder público. Já a professora Erika Caneta Ferri, egressa da UEMS e há 20 anos na instituição, afirmou que a UEMS deve ser olhada como um todo. “Temos que pensar na UEMS que nós queremos e o Estado tem que entender que a educação é um bem público. Os esforços devem ser traduzidos em ações concretas. Para isso, nós, docentes, discentes e sociedade, precisamos sair da morosidade”, apontou.

    Representando o sindicato dos professores da UEMS, o professor Ismael de Almeida chamou atenção para as discussões quanto à aprovação da Lei das Diretrizes Orçamentárias (LDO) que será analisada e votada pelos deputados estaduais, por meio do Projeto de Lei 116/2018, do Executivo, já em tramitação na Casa de Leis. Conforme o sindicalista, seriam necessários R$ 252 milhões de recursos para garantir a saúde financeira da universidade no ano corrente. No entanto, foram aprovados R$ 201 milhões para 2018, ou seja, houve um déficit de R$ 51 milhões nas contas da UEMS. “Essa diferença impede investimentos prioritários para a normalização da instituição. Estamos sempre correndo atrás do que está faltando, por isso não conseguimos planejar a UEMS para atingir o que consideramos uma situação ideal”, declarou.

    Para o pró-reitor de Ensino da UEMS, João Mianutti, apesar da diretoria instituição buscar soluções para os problemas enfrentados, a burocracia existente nos pregões de compra de materiais e a ausência de maiores incentivos para os profissionais médicos desejarem compor o corpo docente do curso emperram ainda mais a conclusão para os entraves. “Deveremos empossar dez novos professores do curso de Medicina até o dia 6 de julho”. Com relação ao reconhecimento do curso pelo Ministério da Educação, o pró-reitor foi enfático: “Todo esforço será feito no sentido de que a formação superior desses acadêmicos seja devidamente reconhecida”.

    O deputado Dr. Paulo Siufi acredita que a audiência trará bons resultados e já convocou a criação de uma comissão especial multidisciplinar para cobrar providências urgentes do Governo do Estado. “Faremos um documento sobre tudo o que foi explanado aqui e, junto com esse grupo de trabalho, composto por estudantes, professores, representantes da universidade, além dos deputados estaduais que quiserem fazer parte da mobilização, buscaremos a garantia de investimentos para a universidade e o repasse efetivo desses recursos junto ao Governo do Estado”, afirmou Siufi.

    “O Estado dá muitas desculpas, mas não resolve a situação. Vou apresentar uma emenda parlamentar para auxiliar o curso. Este é o momento oportuno, pois a LDO está tramitando nesta Casa de Leis”, ressaltou o parlamentar.

    Fonte: ASSECOM
    Por: Adriana Viana


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