CAMPO GRANDE (MS),

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    20/05/2017

    Janot defende continuidade de inquérito para investigar Temer

    Supremo autorizou inquérito para apurar os crimes de corrupção passiva, obstrução à Justiça e organização criminosa. Presidente pediu neste sábado que investigação seja suspensa.

    O procurador-geral da República, Rodrigo Janot (Foto: Carlos Moura/SCO/STF)
    O Ministério Público Federal divulgou nota na qual informou que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, enviou neste sábado (20) manifestação ao Supremo Tribunal Federal para defender a continuidade do inquérito aberto para investigar o presidente Michel Temer.

    A investigação foi autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Luiz Edson Fachin, relator da Operação Lava Jato, a pedido da PGR, com base nas delações dos empresários Joesley e Wesley Batista, donos da JBS, e do diretor da J&F Ricardo Saud.


    Temer será investigado pelos crimes de corrupção passiva, obstrução à Justiça e organização criminosa.


    O presidente da República, Michel Temer (PMDB), durante pronunciamento no Palácio do Planalto, neste sábado (20) (Foto: DIDA SAMPAIO/ESTADÃO CONTEÚDO)
    Mais cedo, neste sábado, o presidente fez um pronunciamento no Palácio do Planalto no qual disse ter pedido ao Supremo para suspender o inquérito, sob a alegação de que o áudio da conversa entre ele e Joesley Batista foi editado, o que a JBS nega.

    A conversa foi gravada em março deste ano, quando o empresário encontrou o presidente no Palácio do Jaburu, residência oficial da Vice-presidência.

    Segundo Temer, trata-se de uma "interceptação clandestina" e ilícita, mas o ministro Fachin já refutou essa tese, argumentando ser legal a gravação.


    Nota da PGR

    Na nota divulgada neste sábado, a PGR informou que, na manifestação enviada ao STF, Janot explica que a gravação passou por avaliação técnica segundo a qual o material, em análise preliminar, é "audível, inteligível e apresenta uma sequência lógica e coerente, com características iniciais de confiabilidade".

    "Ademais, a referida gravação é harmônica e consentânea com o relato da colaboração de pelo menos quatro colaboradores, a saber Joesley Batista, Wesley Batista, Ricardo Saud e Florisvaldo Caetano de Oliveira", diz Rodrigo Janot na peça, segundo a nota da PGR.

    A delação da JBS

    As delações de Joesley e Wesley Batista já foram homologadas pelo ministro Edson Fachin. O sigilo sobre o conteúdo foi retirado nesta semana e as informações foram divulgadas pelo Supremo.

    Para fechar o acordo, Joesley Batista pagará multa de R$ 110 milhões, parcelada em dez anos, a partir de 2018. Pelos termos, ele não será denunciado pelo Ministério Público e o acordo perderá o efeito se o empresário mentir ou adulterar provas.


    Por G1, Brasília
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