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    20/06/2016

    LÍNGUA PORTUGUESA| Professor Fernando Marques


    Continuação do Capítulo “Dialogar”.
     Os vícios de linguagem correspondem aos desvios de construções gramaticais os quais ocorrem por descuido ou desconhecimento das normas da língua nos diferentes níveis linguísticos.

    Solecismo é o desvio em relação à sintaxe, cuja ocorrência em meio a pessoas detentoras de conhecimento gramatical expõe o utente como pessoa despreparada. Solecismo pode ser:
    De concordância, quando se fexiona o verbo de forma incorreta. Exemplos:
    A gente moramos naquele edifício.
    A gente vamos de carro
    Aluga-se salas.
    Faltou muitos convidados.
    Fazem três meses que...
    Haviam pessoas de todas as classes na reunião.
    O pessoal já chegaram?
    Precisa-se de balconistas.
    Vende-se carros seminovos.

    As formas corretas seriam:
    A gente mora naquele edifício. (Embora a expressão a gente tenha a conotação de nós, o verbo deve ser utilizado no singular).
    A gente vai de carro. (Nessa frase, o verbo deve ser utilizado no singular).
    Alugam-se salas. (Para indicar a disponibilidade do aluguel de mais de uma sala, o verbo deve ser conjugado no plural).
    Faltaram muitos convidados. (Para haver a concordância, o verbo deve ser conjugado no plural).
    Faz três meses que... (Quando o verbo fazer indicar tempo, deve ser conjugado no singular, de forma impessoal, fazendo com que a oração fique sem sujeito).
    Havia pessoas de todas as classes na reunião. (Os verbos impessoais (unipessoais) são empregados na terceira pessoa do singular. Isso é o que ocorre com o verbo haver no sentido de existir, ocorrer, acontecer, ou tempo decorrido).
    O pessoal já chegou?
    Precisam-se de balconistas. (Nesse caso, se houvesse uma vaga o verbo seria conjugado no singular. Mais de uma vaga, requer o verbo no plural).
    Vendem-se carros seminovos. (Para indicar a venda de mais de um produto, o verbo deve ser flexionado no plural).
    Observação:
    Até os mais capacitados professores de gramática têm dúvidas quando precisam empregar o verbo haver, considerando-se as suas diferentes construções. Desta forma, não se pode afirmar que o verbo “haver” só possa ser utilizado no singular, conforme veremos em seguida.
    O verbo HAVER pode ser auxiliar, como sinônimo de “ter” nos tempos compostos, quando deve ser utilizado no plural. Exemplo:
    Os diretores haviam permitido a venda dos livros na universidade.
    Houveram do empresário a doação da ambulância. (Nessa frase, como verbo pessoal, com sujeito, o verbo haver tem o sentido de “obter”).
    Nós o havemos por o mais apto para o cargo. (Como sinônimo de “considerar”, o verbo haver tem sujeito, motivo pelo qual vai para o plural).
    Os vereadores houveram-se com honestidade diante das ofertas de propina. (Nessa frase, o verbo haver é empregado na acepção de “comportar-se”, motivo pelo qual fica no plural).
    Os policiais houveram-se muito bem nas revistas dos suspeitos. (Com o sentido de “lidar”, o verbo haver pode ser utilizado no plural).

    Conforme observamos, quando o verbo haver apresentar a acepção de “existir” e de “ocorrer”, bem como a indicação de tempo decorrido, permanecerá invariável. Assim, pode-se grafar tranquilamente:
    Cheguei dois meses.
    Meu bebê é uma linda menina que nasceu duas semanas.
    Daqui a três dias haverá alterações nas regras.
    Nesta lista não favoritos.  (Não existem).
    Houve vários acidentes ontem durante a queima de fogos. (Aconteceram; ocorreram).
    Imaginei que houvesse mais recursos para o apoio aos idosos. (Existir).
    Havia anos que não vinha a este lugar. (Tempo decorrido).

    Continuação na próxima semana.


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