Continuação do tema
relacionado à sínclise pronominal na
Redação, Diálogo e Discurso.
3. Mesóclise
Mesóclise
é usada no futuro do presente ou no futuro do pretérito, caso não haja palavra
que possa atrair o pronome oblíquo. Dessa forma, a colocação do pronome oblíquo
átono é feita no meio do verbo. Exemplos:
Vê-lo-ei
nas praias de João Pessoa no decorrer deste ano.
O
concurso realizar-se-á no próximo domingo.
Far-lhe-ei uma proposta de parceria.
Amar-te-ei até o fim dos meus dias.
Convidar-me-ão para proferir a palestra no Congresso de Direito
Contemporâneo.
Quando houver, antes do verbo
no futuro do presente, ou do pretérito, uma palavra expressamente atrativa, não
ocorrerá mesóclise e sim próclise. Exemplos:
Jamais lhe venderemos (e não
Jamais vender-lhe-emos) nossos
votos.
Banquete: é o que lhes
ofereceríamos (e não o que oferecer-lhes-íamos)
se viessem.
Ninguém lhe negará (e não
negar-lhe-á) apoio,
Nunca se dirá (e não dir-se-á)
que ela foi desonesta.
Observação:
O cumprimento das regras que
explicam as posições dos pronomes são determinadas pela eufonia (som
agradável, especialmente pela combinação de certas palavras; contrapondo-se,
portanto, à cacofonia que evidencia forma desagradável, resultando sentido
obsceno ou ridículo), motivo pelo qual se admite exceções. São três os
fatores que concorrem nessa observação: a distância, a pausa (vírgula) e a
liberdade poética.
O princípio fundamental (a
causa, o móvel) que implica a adequada colocação pronominal deve ater-se à
suavidade da pronúncia; à elegância; à emissão agradável do som ante quem lê,
ou pronuncia e perante quem ouve.
1) Distância:
Quando houver uma locução, um
parêntese, uma oração interferente, entre uma palavra de valor atrativo
(advérbio, pronome indefinido, pronome relativo, conjunção subordinada,
partícula negativa) e o verbo, essa palavra perderá o seu poder de atração,
desobrigando a anteposição do pronome oblíquo. Exemplos:
“Antigamente, apesar de todo
esforço, vivia-se muito bem” (em vez de: “Antigamente, apesar de todo esforço,
se vivia muito bem”).
Sejam liberais, porque o povo
paga-se muito desta virtude (em vez de: “Sejam liberais, porque o povo se paga
muito desta virtude”). (Antonio Vieira).
2) Pausa
Embora, por egra, os advérbios
atraiam os pronomes oblíquos, a pausa faz com que haja a perda da força
atrativa. Para efeito de prosódia, o pronome oblíquo deve apoiar-se no acento
do verbo, não se podendo iniciar um período com aquele e sim com este.
Exemplos:
“Isto passava-se um dia antes”
(em vez de: “Isto se passava um dia antes”).
“Ali falavam-se verdades aos
reis e grandes” (em vez de: “Ali se falavam verdadades aos reis e grandes”).
(Júlio de Castilho).
Embora não haja o sinal
indicativo de pausa, subentende-se a sua existência. Portanto, fazendo-se
pausa, não há atração.
3)
Liberdade
Poética
Ao poeta é permitida a
liberdade da colocação pronominal, visto que ele busca a eufonia vinculada à
pureza gramatica. Assim, observa-se que, sabiamente, Olavo Bilac evitou a
ruidosa sequência dos três “s” (solsesepulta)
no seguinte verso da “Sagres”:
“Em que solidão o sol
sepulta-se” (em vez de: “Em que solidão o sol se sepulta”).
Cabe ressaltar que a liberdade
poética está vinculada ao conhecimento gramatical e ao talento do poeta, excetuando-se
dessa condição o chamado poetaço e o compositor de versos ou de “modas”
populares que não apresentam compromisso com a firma erudita.
A aplicação correta dos
pronomes é exigida nos trabalhos científicos (acadêmicos), bem como nas provas
e concursos, considerando-se que os examinadores buscam a seleção daqueles que
sabem a respeito das regras e das exeções. As formas utilizadas no dia a dia
quase sempre são viciosas e desprovidas de princípios, o que faz com que haja a
indução ao erro e as consequentes reprovações, bem como as rejeições a
apresentadores de programas de rádio, vídeos e televisão cujos hábitos
multiplicam bobagens e erronias.
