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    28/03/2016

    LÍNGUA PORTUGUESA| Professor Fernando Marques


    Continuação do tema relacionado à sínclise pronominal na Redação, Diálogo e Discurso.

    3. Mesóclise
    Mesóclise é usada no futuro do presente ou no futuro do pretérito, caso não haja palavra que possa atrair o pronome oblíquo. Dessa forma, a colocação do pronome oblíquo átono é feita no meio do verbo. Exemplos:

    Vê-lo-ei nas praias de João Pessoa no decorrer deste ano.

    O concurso realizar-se-á no próximo domingo.

    Far-lhe-ei uma proposta de parceria.

    Amar-te-ei até o fim dos meus dias.

    Convidar-me-ão para proferir a palestra no Congresso de Direito Contemporâneo.

    Quando houver, antes do verbo no futuro do presente, ou do pretérito, uma palavra expressamente atrativa, não ocorrerá mesóclise e sim próclise. Exemplos:

    Jamais lhe venderemos (e não Jamais vender-lhe-emos) nossos votos.

    Banquete: é o que lhes ofereceríamos (e não o que oferecer-lhes-íamos) se viessem.
    Ninguém lhe negará (e não negar-lhe-á) apoio,
    Nunca se dirá (e não dir-se-á) que ela foi desonesta.

    Observação:

    O cumprimento das regras que explicam as posições dos pronomes são determinadas pela eufonia (som agradável, especialmente pela combinação de certas palavras; contrapondo-se, portanto, à cacofonia que evidencia forma desagradável, resultando sentido obsceno ou ridículo), motivo pelo qual se admite exceções. São três os fatores que concorrem nessa observação: a distância, a pausa (vírgula) e a liberdade poética.
    O princípio fundamental (a causa, o móvel) que implica a adequada colocação pronominal deve ater-se à suavidade da pronúncia; à elegância; à emissão agradável do som ante quem lê, ou pronuncia e perante quem ouve.

    1)  Distância:
    Quando houver uma locução, um parêntese, uma oração interferente, entre uma palavra de valor atrativo (advérbio, pronome indefinido, pronome relativo, conjunção subordinada, partícula negativa) e o verbo, essa palavra perderá o seu poder de atração, desobrigando a anteposição do pronome oblíquo. Exemplos:

    “Antigamente, apesar de todo esforço, vivia-se muito bem” (em vez de: “Antigamente, apesar de todo esforço, se vivia muito bem”).

    Sejam liberais, porque o povo paga-se muito desta virtude (em vez de: “Sejam liberais, porque o povo se paga muito desta virtude”). (Antonio Vieira).

    2)  Pausa
    Embora, por egra, os advérbios atraiam os pronomes oblíquos, a pausa faz com que haja a perda da força atrativa. Para efeito de prosódia, o pronome oblíquo deve apoiar-se no acento do verbo, não se podendo iniciar um período com aquele e sim com este. Exemplos:

    “Isto passava-se um dia antes” (em vez de: “Isto se passava um dia antes”).

    “Ali falavam-se verdades aos reis e grandes” (em vez de: “Ali se falavam verdadades aos reis e grandes”). (Júlio de Castilho).

    Embora não haja o sinal indicativo de pausa, subentende-se a sua existência. Portanto, fazendo-se pausa, não há atração. 
       
    3)             Liberdade Poética
    Ao poeta é permitida a liberdade da colocação pronominal, visto que ele busca a eufonia vinculada à pureza gramatica. Assim, observa-se que, sabiamente, Olavo Bilac evitou a ruidosa sequência dos três “s” (solsesepulta) no seguinte verso da “Sagres”:

    “Em que solidão o sol sepulta-se” (em vez de: “Em que solidão o sol se sepulta”).

    Cabe ressaltar que a liberdade poética está vinculada ao conhecimento gramatical e ao talento do poeta, excetuando-se dessa condição o chamado poetaço e o compositor de versos ou de “modas” populares que não apresentam compromisso com a firma erudita.

    A aplicação correta dos pronomes é exigida nos trabalhos científicos (acadêmicos), bem como nas provas e concursos, considerando-se que os examinadores buscam a seleção daqueles que sabem a respeito das regras e das exeções. As formas utilizadas no dia a dia quase sempre são viciosas e desprovidas de princípios, o que faz com que haja a indução ao erro e as consequentes reprovações, bem como as rejeições a apresentadores de programas de rádio, vídeos e televisão cujos hábitos multiplicam bobagens e erronias.