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    21/02/2016

    LÍNGUA PORTUGUESA| Professor Fernando Marques

    O Jornal do Estado tem a grata satisfação de apresentar a continuação dos textos relacionados ao livro REDIGIR, DIALOGAR E DISCURSAR CORRETAMENTE.
    Conforme prometido, esta é a sequencia do tema Redigir, iniciado na semana anterior.

    O início – também chamado de introdução ou começo – pode consistir-se numa afirmação, declaração, pergunta, citação, divisão, vocativo ou outro sistema que chame a atenção do leitor para o tema a ser desenvolvido, debatido, analisado ou exposto.  É a tese da redação.
    A fim de não desmotivar a leitura da redação, a parte introdutória não deve ser muito longa. Para uma redação de prevista para conter trinta e cinco linhas, recomenda-se o uso de cinco a sete para a introdução.
    Esse é o tópico frasal que deve ser objetivo e atraente. É a parte que, conforme o seu significado, deve “levar o leitor para dentro” do texto.  

    O QUE EVITAR NO INÍCIO OU INTRODUÇÃO:
    • começar com as palavras usadas no título;
    • iniciar com uma ideia geral, porém, alheia à segunda parte da redação;
    • iniciar com digressões, dispersando-se dos objetivos da parte inicial da redação; e
    • usar chavões. Exemplos:
    - Antes de mais nada...
    - Com meus parcos conhecimentos...
    - Conforme já se sabe... 
    - Conforme manda o figurino... 
    - Desde a mais tenra idade...
    - Desde o berço das civilizações...
    - Desde os primórdios da antiguidade...
    - É difícil discorrer sobre...
    - Não quero discutir o sexo dos anjos...
    - Não sou o dono da verdade...
    - No apagar das luzes...
    - Nos primórdios dos tempos...
    - Peço a atenção...
    - Prometo que vou ser breve!
    - Posso estar errado, mas...
    - Um dos problemas mais discutidos...

    O meio – também chamado de desenvolvimento ou corpo da redação, é a sua parte principal; o debate da tese; a mais importante peça. Nela os argumentos deverão ser apresentados de forma ordenada, a fim de que os pensamentos sejam devidamente compreendidos pelo leitor.
    O desenvolvimento deverá fundamentar-se no tópico frasal do início (introdução) e, também, preparar o leitor para o fim (conclusão). Nesta fase, quem redige deverá  aplicar coerentemente as palavras, escolhendo-as conforme o planejamento da sua redação e os objetivos da transmissão dos pensamentos.
    Diziam os romanos: “in claris interpretato cessat” – Quando o texto é claro, cessa a interpretação.
    Texto, do latim textum, significa trama. É a aplicação dos vocábulos; um “tecido” formado por palavras selecionadas e combinadas que se tornam sinais gráficos para a transmissão de ideias.
    O QUE EVITAR NO DESENVOLVIMENTO:
    • pormenores irrelevantes;
    • repetição desnecessária;
    • divagação (textos longos);
    • ultrapassar o espaço da conclusão.

    O uso excessivo do verbo no gerúndio deverá ser evitado. Tal prática prejudica as possibilidades de persuasão e compromete a harmonia do texto. Exemplo: “Meu cliente está confiando, acreditando que os jurados estarão analisando e se importando com os fatos que vou estar apresentando.”
    Quando expressa simultaneidade de ação com outro verbo, o gerúndio é empregado adequadamente. Exemplos:
    1 – O juiz observava analisando.
    2 – O promotor levantou-se acusando.
    O ou repetido, indicando alternativa ou pensamento, obrigatoriamente, deve ser precedido de vírgula. Exemplos:
    1-  Ou estuda direito, ou continua pobre.
    2-  Ou dirige o carro, ou usa o telefone.
    A expressão etc. (do latim et cetera) significa “e outros”; “e mais”. Não deve ser precedida de vírgula.
    Não se deve usar letras excessivamente grandes, nem demasiadamente pequenas.
    Não se faz “bolinha” sobre o “j” ou sobre o “i”, nem se corta o “sete”.
    Nos teclados dos aparelhos eletrônicos, facilmente se percebe que o “sete” não é cortado.

    Continuação na próxima semana.