O Jornal do Estado tem a grata
satisfação de apresentar a continuação dos textos relacionados ao livro
REDIGIR, DIALOGAR E DISCURSAR CORRETAMENTE.
Conforme prometido, esta é a
sequencia do tema Redigir, iniciado
na semana anterior.
O início – também chamado de introdução ou começo – pode consistir-se
numa afirmação, declaração, pergunta, citação, divisão, vocativo ou outro
sistema que chame a atenção do leitor para o tema a ser desenvolvido, debatido,
analisado ou exposto. É a tese da redação.
A fim de não desmotivar a
leitura da redação, a parte introdutória não deve ser muito longa. Para uma
redação de prevista para conter trinta e cinco linhas, recomenda-se o uso de
cinco a sete para a introdução.
Esse é o tópico frasal que
deve ser objetivo e atraente. É a parte que, conforme o seu significado, deve
“levar o leitor para dentro” do texto.
O QUE EVITAR NO INÍCIO OU INTRODUÇÃO:
- começar com as palavras usadas no título;
- iniciar com uma ideia geral, porém, alheia à segunda parte da redação;
- iniciar com digressões, dispersando-se dos objetivos da parte inicial da redação; e
- usar chavões. Exemplos:
- Antes de mais nada...
- Com meus parcos
conhecimentos...
- Conforme já se sabe...
- Conforme manda o
figurino...
- Desde a mais tenra idade...
- Desde o berço das
civilizações...
- Desde os primórdios da
antiguidade...
- É difícil discorrer sobre...
- Não quero discutir o sexo
dos anjos...
- Não sou o dono da verdade...
- No apagar das luzes...
- Nos primórdios dos tempos...
- Peço a atenção...
- Prometo que vou ser breve!
- Posso estar errado, mas...
- Um dos problemas mais
discutidos...
O meio – também chamado de desenvolvimento ou corpo da redação, é a
sua parte principal; o debate da tese; a mais importante peça. Nela os
argumentos deverão ser apresentados de forma ordenada, a fim de que os
pensamentos sejam devidamente compreendidos pelo leitor.
O desenvolvimento deverá
fundamentar-se no tópico frasal do início (introdução) e, também, preparar o
leitor para o fim (conclusão). Nesta fase, quem redige deverá aplicar coerentemente as palavras,
escolhendo-as conforme o planejamento da sua redação e os objetivos da
transmissão dos pensamentos.
Diziam
os romanos: “in claris interpretato
cessat” – Quando o texto é claro, cessa a interpretação.
Texto, do latim textum, significa trama. É a aplicação
dos vocábulos; um “tecido” formado por palavras selecionadas e combinadas que
se tornam sinais gráficos para a transmissão de ideias.
O QUE EVITAR NO DESENVOLVIMENTO:
- pormenores irrelevantes;
- repetição desnecessária;
- divagação (textos longos);
- ultrapassar o espaço da conclusão.
O uso excessivo do verbo no
gerúndio deverá ser evitado. Tal prática prejudica as possibilidades de
persuasão e compromete a harmonia do texto. Exemplo: “Meu cliente está confiando, acreditando que os jurados estarão
analisando e se importando com os fatos que vou estar apresentando.”
Quando expressa simultaneidade
de ação com outro verbo, o gerúndio é empregado adequadamente. Exemplos:
1 – O juiz observava
analisando.
2 – O promotor levantou-se
acusando.
O ou repetido, indicando alternativa ou pensamento, obrigatoriamente,
deve ser precedido de vírgula. Exemplos:
1- Ou
estuda direito, ou continua pobre.
2- Ou
dirige o carro, ou usa o telefone.
A
expressão etc. (do latim et cetera)
significa “e outros”; “e mais”. Não deve ser precedida de vírgula.
Não
se deve usar letras excessivamente grandes, nem demasiadamente pequenas.
Não
se faz “bolinha” sobre o “j” ou sobre o “i”, nem se corta o “sete”.
Nos
teclados dos aparelhos eletrônicos, facilmente se percebe que o “sete” não é
cortado.
Continuação
na próxima semana.
