| Bandeira do Estado de Mato Grosso do Sul - Reprodução |
A divisão do estado de Mato Grosso que resultou no nascimento de Mato Grosso do Sul é um marco na luta separatista promovida por moradores do sul e do norte nos campos políticos, ideológicos e, segundo a história, até mesmo físicos. Naquela época, devido aos escassos meios de comunicação e locomoção, a Imprensa Oficial era a principal fonte de notícias e cumpria um papel de informativo político e social à toda a população.
De acordo com o gerente de Patrimônio Histórico e Material da Fundação Estadual de Cultura (FCMS), o museólogo Caciano Lima, a imprensa nacional exercia papel fundamental na informação. “Eles veiculavam não apenas os atos oficiais, mas os acontecimentos políticos, sociais, econômicos. Eram notícias sobre o custo de vida em determinada cidade, atos sociais das primeiras damas, informações sobre as famílias tradicionais da época. O Diário Oficial constituía verdadeira fonte de informações para a população”, explica.
O acervo histórico da FCMS guarda o maquinário utilizado na década de 80 pelo governo para ‘rodar’ os exemplares da imprensa oficial. “Algumas peças foram vendidas. Outras ficaram por muito tempo na Agiosul. Mas em 2006 o tipógrafo e as prensas vieram para cá e hoje fazem parte do acervo histórico da fundação”, disse Cassiano.
Primeira edição
O Diário Oficial da terça-feira, 11 de outubro de 1977, trazia como primeira informação a assinatura da Lei complementar de criação do novo estado pelo Presidente da República, Ernesto Geisel. Na época, o governador de Mato Grosso era José Garcia Neto e o vice Cássio Leite de Barros.
O documento traz o relato do evento público realizado em Brasília, que teria durado ’15 minutos’ e o discurso do Presidente falando sobre abrir caminhos para melhorar a divisão territorial e ainda da necessidade de uma ordem política com vista ao equilíbrio da federação. Confira.
Edições históricas
As edições históricas do Diário Oficial de Mato Grosso do Sul e outros documentos de Mato Grosso uno ficam armazenados no Arquivo Público Estadual, localizado na Fundação Estadual de Cultura de MS. De acordo com a responsável, Áurea Coeli Daroz Pinto de Arruda, o acervo é muito procurado por pesquisadores e servidores públicos.
“Muitos historiados, mestrandos, doutorandos, pós-doutorandos e servidores públicos vem até o arquivo público em busca de documentos permanentes históricos. A maioria dos servidores vem em busca de documento pessoal deles, para fins de aposentadoria e em alguns casos precisam se deslocar para Cuiabá porque querem documentos de muito antes da divisão. Aqui nós guardamos ainda arquivos na Cia Mate Laranjeira e da Colônia Agrícola Nacional de Dourados (CAND)”, explicou.
Áurea disse ainda que o acervo cresce a cada dia que passa. “Todas as secretarias eliminam documentos de acordo com uma tabela e dentre esses documentos há os permanentes que chegam todos os dias. Os papéis chegam, é feita uma seleção e eles vem para cá. É um tipo de trabalho que não para”, contou.
Era digital
Como o manuseio dos documentos exige certo cuidado como a utilização de luvar e de máscara, a responsável pelo arquivo público estadual revela que está em andamento um trabalho de digitalização de todo o acervo.
“A luva e a máscara funcionam como uma proteção para as pessoas contra fungos e um possível processo alérgico, da mesma forma que protege o arquivo, já que o ato de manusear pode danificar e contaminar o papel. Mas para evitar tudo isso, todo nosso arquivo está sendo digitalizado. Até agora temos os acervos da Cia Mate Laranjeira e da CAND digitalizados. os demais passam por um processo de identificação para que o arquivo público seja em breve totalmente digital”, finalizou Áurea.
Fonte: Noticias MS