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    12/10/2015

    LÍNGUA PORTUGUESA - Professor Fernando Marques



    PÕE / PÕEM - Põe indica a forma singular da conjugação do verbo pôr, na terceira pessoa do presente indicativo. Exemplos:
    O aposentado põe os óculos para ler o livro.
    Ela não põe o pé na água quente.
    Minha mãe põe folha de louro na feijoada.
    Põem indica o plural, considerando as conjugações do verbo pôr na terceira pessoa do presente indicativo. Exemplos:
    Os baianos põem pimenta nas refeições.
    As pessoas organizadas põem os objetos nos devidos lugares.
    Os cães põem as caudas entre as pernas quando ficam amedrontados.
    Cognatos do verbo pôr são pronunciados e grafados da mesma forma: 
    Compor: ela compõe, elas compõem.
    Depor: ela depõe, eles depõem.
    Expor: ele expõe, elas expõem.
    Impor: ela impõe, elas impõem.
    Opor: ela opõe; eles opõem.
    Repor: ela repõe, elas repõem.
    Sobrepor: ele sobrepõe, elas sobrepõem.
    Supor: ela supõe, eles supõem etc.

    POETA / POETAÇO / POETISA - Poeta – diz-se do homem que faz versos; daquele que tem faculdades poéticas e se dedica à poesia; daquele que devaneia ou tem caráter idealista; daquele que tem imaginação inspirada; daquele que é loquaz, que fala bem.
    Poetaço é forma depreciativa. Refere-se àquele que é mau poeta, ou seja, mau versejador que também é designado por poeta-de-água doce ou poetastro.
    Poetisa – mulher que faz poesias.
    Há que se observar que o vocábulo poetisa, isto é, com “s”, designa o feminino de poeta. Com “z”, significa tornar poético ou poetificar; fazer versos, poetar. É a forma como se conjuga o verbo poetizar, na 3ª pessoa do indicativo presente, ou seja, ele poetiza (ou, ela poetiza).

    POMO-DA-DISCÓRDIA – Nem sempre se deve usar tal expressão. Para referência à coisa ou à pessoa motivadora de uma dissensão, preferivelmente, deve-se usar expressão que seja compreensível aos ouvintes. Exemplos:
    A guarda dos filhos sempre foi o maior motivo para as desavenças; pós-separação.
    Um talão de cheques foi a causa principal da discussão entre Jonas e o sócio.
    O linguajar da noiva consistiu-se no ponto fundamental da divergência.
    A divisão da herança foi o motivo da discórdia naquela família.
    Pomo-da-discórdia – tal expressão só deve ser usada quando houver a certeza de que os ouvintes têm conhecimento a respeito da sua origem.  Não de deve negligenciar os fundamentos da arte do diálogo, da redação ou do discurso. O bom vocabulário possibilita a adaptação que torna fácil a compreensão do leitor ou da plateia.
    As pessoas ficam concentradas na mensagem, quando não se ocupam com o significado das palavras.
    O porquê da expressão pomo-da-discórdia:
    Furiosa por não ter sido convidada para a cerimônia do casamento de Tétis e Peleu, a deusa Discórdia pôs à mesa do banquete um pomo de ouro. Dentre os convidados, Minerva, Juno e Vênus insistiam na posse do fruto. A divergência de opiniões fez com que as deusas determinassem que o caso fosse decidido pelo primeiro mortal que as três encontrassem e esse homem foi o príncipe Páris, filho de Príamo, rei de Tróia.
    Minerva disse ao príncipe que se ela fosse a escolhida, a gentileza seria retribuída com o dom da sabedoria; Juno prometeu a felicidade conjugal; e Vênus, o amor da mulher mais bonita. Páris preferiu a oferta de Vênus. Helena era a mais bela e, embora esposa de Menerlau, rei de Esparta, apaixonou-se por Páris. 
    Daquele pomo surgiram os conflitos cuja sequência deu origem à Guerra de Tróia. Portanto, pomo-da-discórdia passou a significar: “o motivo da dissensão.” 
    Pomo – substantivo masculino que significa fruto; coisa ou pessoa que suscita discórdia.
    Poeticamente, o vocábulo pomo pode ser usado para designar seio feminino.
    Pomo – fruto similar à maçã e à pera, no formato esférico e na consistência.

    PORQUE / POR QUE / PORQUÊ / POR QUÊ - Porque - conjunção causal - é empregado em causas ou explicações. Em alguns casos, pode ser substituído por pois ou pelo fato de que. Exemplos:
    Conceição foi uma das melhores universitárias porque estudava muito.
    O político Hojerrico da Silva recebe malas de dinheiro porque é corrupto!
    Não fui ao congresso porque estava na Bahia com os meus pais!
    Também se usa porque em orações interrogativas, nas quais a resposta já é sugerida na pergunta. Exemplos:
    João não foi à aula porque está doente ou porque não quis?
    Camile está alegre porque foi aprovada no concurso?
    Por que é empregado no início de frases interrogativas ou, ainda, em frases interrogativas indiretas. Exemplos:
    Por que você comprou esta mala?
    Não entendemos por que o partido se dissolveu depois de tanto discurso moralista.
    Porquê - como "substantivo" ou sinônimo de motivo, razão ou causa, a palavra "porque" deve ser acentuada (podendo também ser grafado no plural):
    Aquele pai nem sequer imaginava o porquê da garota tirar notas baixas nas provas do semestre.
    Agora se sabe o porquê do deputado “ganhar” dinheiro com tanta facilidade.
    Os eleitores sabem os porquês daquele político “trabalhar” tanto.
    Por quê - dois vocábulos, com acentuação na segunda palavra, equivale a por que motivo, por que razão. Embora haja quem afirme que a acentuação do que ocorra por ele ficar no fim de pergunta, em verdade, também pode ser acentuado quando aparecer antes de pausa forte. Exemplos:
    Você não foi à reunião! Pode me dizer por quê?
    Eles não fizeram o trabalho por quê?
    Não se sabe como, por quê, onde nem quando começou a confusão. Não me pergunte por quê, mas vou a pé. 

    POR SUA VEZ – Não há justificativa para o emprego da inexistente e dispensável expressão por sua vez. Tal vício linguístico empobrece a mensagem e denota incúria cultural.
    “A mulher gastou muito dinheiro na joalharia. O marido, por sua vez, comprou uma lancha.” Forma errada. 
    “A mulher gostou muito dinheiro na joalharia. O marido comprou uma lancha.” Forma correta.
    “O patrão finge pagar. O empregado, por sua vez, simula trabalhar.” Forma errada. 
    “O patrão finge pagar. O empregado simula trabalhar.” Forma correta.

    PORTABLE / QUERABLE - Portable - vocábulo francês - portável (em português) - diz-se da obrigação ou dívida que se há de pagar no domicílio do credor; diz-se do pagamento que assim se faz.
    Querable - vocábulo francês - quesível ou reclamável (em português) - diz-se da obrigação ou dívida cujo pagamento o credor deve receber ou reclamar na residência ou domicílio do devedor. 

    PÓS / PRÉ / PRÓ – Pós (prefixo) significa: posterior a, após, que sucede. Exemplos:
    pós-boca (a parte posterior da boca);
    pós-datado (em que se colocou pós-data; data posterior à data atual) - expressão correta para designar cheque cuja data de compensação é prevista para data posterior.
    pós-diluviano (posterior ao dilúvio); 
    pós-escrito (escrito depois); 
    pós-fixado (diz-se de investimento cujo rendimento é calculado ao fim do prazo de aplicação); 
    pós-graduado (pessoa que concluiu o curso de ensino superior, depois do curso de graduação);  
    pós-operatório; 
    pós-moderno.
    Pré (prefixo) significa: anterior a, antecedente a, antes de, que precede. Exemplos:
    Pré-carnavalesco (um pouco anterior ao período do carnaval);
    Pré-colombiano (anterior a Cristovão Colombo, navegador genovês a serviço da Espanha (1436-1506), ou aos seus descobrimentos);
    Pré-datado – vocábulo inadequado para designar cheque cuja compensação será efetuada posteriormente.  A forma correta é pós-datado.
    Ver: CHEQUE PÓS-DATADO nos textos anteriores.
    Pré-eleitoral  (precedente a eleição ou eleições).
    Pré-escolar  (anterior à idade ou ao período escolar).
    Pré-fabricado (cujas peças ou partes já estão fabricadas e prontas para serem armadas ou montadas).
    Pré-socráticos (diz-se dos filósofos da natureza, pois viveram antes de Sócrates, um dos três maiores filósofos da Antiguidade). “...mais inteligente é aquele que sabe que não sabe...” - Sócrates 
    Pró (advérbio) significa: em defesa de, em favor de, em proveito de; movimento para frente. Exemplos:
    Embora os nobres colegas se manifestem contra, darei meu parecer pró réu.
    Decidiremos pró instituição do curso de oratória forense na Academia de Letras Jurídicas.
    Pró (como substantivo masculino) significa: vantagem, conveniência: os prós e os contras.

    PRENHA / PRENHE - Prenha é a forma errada. Fêmea pode ficar prenhe, não prenha.
    A vaca está prenha! (forma errada)
    A vaca está prenhe! (forma correta)
    A égua está prenha! (forma errada)
    A égua está prenhe! (forma correta)

    PRIORIDADE PRIMEIRA / PRIORIDADE PRINCIPAL - Expressões redundantes.  Prioridade já contém a acepção de: qualidade do que está em primeiro lugar ou do que aparece primeiro; preferência conferida a alguém relativamente ao tempo de realização de seu direito, com preterição do de outrem; qualidade de uma coisa é posta em primeiro lugar dentro de uma série ou ordem; primazia.

    PROCEDENTE A AÇÃO / PROCEDENTE O PEDIDO – Corretamente, julga-se procedente o pedido e não a ação. Se a ação for aceita, não há que se julgá-la procedente ou improcedente. Não sendo aceita, o juiz deverá defini-la pela ocorrência da inépcia.
     O pedido é que poderá ser julgado procedente ou improcedente.
    Quando o juiz fizer o julgamento, corretamente escreverá:
    “Julgo procedente o pedido e condeno o réu...” ou
    “Julgo improcedente o pedido e...” 
    PROTESTOS DE ELEVADA ESTIMA E DISTINTAS CONSIDERAÇÕES - Não se devem misturar protestos com elevada estima nem com distintas considerações. Bobagem copiada por secretárias desprovidas de capacidade intelectiva.
    Na parte final do ofício, basta grafar:
    Elevada estima;
    Distintas considerações;
    Respeitosamente; ou

    Atenciosamente.