PÕE /
PÕEM - Põe indica a forma singular da conjugação do verbo pôr, na terceira
pessoa do presente indicativo. Exemplos:
O aposentado põe os óculos para ler o livro.
Ela não põe o pé na água quente.
Minha mãe põe folha de louro na feijoada.
Põem
indica o plural, considerando as conjugações do verbo pôr na terceira pessoa do
presente indicativo. Exemplos:
Os baianos põem pimenta nas refeições.
As pessoas organizadas põem os objetos nos devidos lugares.
Os cães põem as caudas entre as pernas quando ficam
amedrontados.
Cognatos do verbo pôr são pronunciados e grafados da mesma
forma:
Compor: ela compõe, elas compõem.
Depor: ela depõe, eles depõem.
Expor: ele expõe, elas expõem.
Impor: ela impõe, elas impõem.
Opor: ela opõe; eles opõem.
Repor: ela repõe, elas repõem.
Sobrepor: ele sobrepõe, elas sobrepõem.
Supor: ela supõe, eles supõem etc.
POETA
/ POETAÇO / POETISA - Poeta – diz-se do homem que faz versos; daquele que tem
faculdades poéticas e se dedica à poesia; daquele que devaneia ou tem caráter
idealista; daquele que tem imaginação inspirada; daquele que é loquaz, que fala
bem.
Poetaço é
forma depreciativa. Refere-se àquele que é mau poeta, ou seja, mau versejador
que também é designado por poeta-de-água doce ou poetastro.
Poetisa – mulher que faz poesias.
Há que se observar que o vocábulo poetisa, isto é, com “s”,
designa o feminino de poeta. Com “z”, significa tornar poético ou poetificar;
fazer versos, poetar. É a forma como se conjuga o verbo poetizar, na 3ª pessoa
do indicativo presente, ou seja, ele poetiza (ou, ela poetiza).
POMO-DA-DISCÓRDIA
– Nem sempre se deve usar tal expressão. Para referência à coisa ou à pessoa
motivadora de uma dissensão, preferivelmente, deve-se usar expressão que seja
compreensível aos ouvintes. Exemplos:
A guarda dos filhos sempre foi o maior motivo para as
desavenças; pós-separação.
Um talão de cheques foi a causa principal da discussão
entre Jonas e o sócio.
O linguajar da noiva consistiu-se no ponto fundamental da
divergência.
A divisão da herança foi o motivo da discórdia naquela
família.
Pomo-da-discórdia – tal
expressão só deve ser usada quando houver a certeza de que os ouvintes têm
conhecimento a respeito da sua origem. Não
de deve negligenciar os fundamentos da arte do diálogo, da redação ou do
discurso. O bom vocabulário possibilita a adaptação que torna fácil a
compreensão do leitor ou da plateia.
As pessoas ficam concentradas na mensagem, quando não se
ocupam com o significado das palavras.
O porquê da expressão pomo-da-discórdia:
Furiosa por não ter sido convidada para a cerimônia do
casamento de Tétis e Peleu, a deusa Discórdia pôs à mesa do banquete um pomo de
ouro. Dentre os convidados, Minerva, Juno e Vênus insistiam na posse do fruto.
A divergência de opiniões fez com que as deusas determinassem que o caso fosse
decidido pelo primeiro mortal que as três encontrassem e esse homem foi o
príncipe Páris, filho de Príamo, rei de Tróia.
Minerva disse ao príncipe que se ela fosse a escolhida, a
gentileza seria retribuída com o dom da sabedoria; Juno prometeu a felicidade
conjugal; e Vênus, o amor da mulher mais bonita. Páris preferiu a oferta de
Vênus. Helena era a mais bela e, embora esposa de Menerlau, rei de Esparta,
apaixonou-se por Páris.
Daquele pomo surgiram os conflitos cuja sequência deu
origem à Guerra de Tróia. Portanto, pomo-da-discórdia passou a significar: “o
motivo da dissensão.”
Pomo –
substantivo masculino que significa fruto; coisa ou pessoa que suscita
discórdia.
Poeticamente, o vocábulo pomo pode ser usado para designar
seio feminino.
Pomo –
fruto similar à maçã e à pera, no formato esférico e na consistência.
PORQUE
/ POR QUE / PORQUÊ / POR QUÊ - Porque -
conjunção causal - é empregado em causas ou explicações. Em alguns casos, pode
ser substituído por pois ou pelo
fato de que. Exemplos:
Conceição foi uma das melhores universitárias porque estudava
muito.
O político Hojerrico da Silva recebe malas de dinheiro
porque é corrupto!
Não fui ao congresso porque estava na Bahia com os meus
pais!
Também se usa porque em orações interrogativas, nas quais a
resposta já é sugerida na pergunta. Exemplos:
João não foi à aula porque está doente ou porque não quis?
Camile está alegre porque foi aprovada no concurso?
Por
que
é empregado no início de frases interrogativas ou, ainda, em frases
interrogativas indiretas. Exemplos:
Por que você comprou esta mala?
Não entendemos por que o partido se dissolveu depois de
tanto discurso moralista.
Porquê -
como "substantivo" ou sinônimo de motivo, razão ou causa, a palavra
"porque" deve ser acentuada (podendo também ser grafado no plural):
Aquele pai nem sequer imaginava o porquê da garota tirar
notas baixas nas provas do semestre.
Agora se sabe o porquê do deputado “ganhar” dinheiro com
tanta facilidade.
Os eleitores sabem os porquês daquele político “trabalhar”
tanto.
Por
quê
- dois vocábulos, com acentuação na segunda palavra, equivale a por que motivo,
por que razão. Embora haja quem afirme que a acentuação do que ocorra por ele
ficar no fim de pergunta, em verdade, também pode ser acentuado quando aparecer
antes de pausa forte. Exemplos:
Você não foi à reunião! Pode me dizer por quê?
Eles não fizeram o trabalho por quê?
Não se sabe como, por quê, onde nem quando começou a
confusão. Não me pergunte por quê, mas vou a pé.
POR
SUA VEZ – Não há justificativa para o emprego da inexistente e dispensável
expressão por sua vez. Tal vício linguístico empobrece a mensagem e denota
incúria cultural.
“A mulher gastou muito dinheiro na joalharia. O marido, por
sua vez, comprou uma lancha.” Forma errada.
“A mulher gostou muito dinheiro na joalharia. O marido
comprou uma lancha.” Forma correta.
“O patrão finge pagar. O empregado, por sua vez, simula
trabalhar.” Forma errada.
“O patrão finge pagar. O empregado simula trabalhar.” Forma
correta.
PORTABLE
/ QUERABLE - Portable - vocábulo
francês - portável (em português) - diz-se da obrigação ou dívida que se há de
pagar no domicílio do credor; diz-se do pagamento que assim se faz.
Querable -
vocábulo francês - quesível ou reclamável (em português) - diz-se da obrigação
ou dívida cujo pagamento o credor deve receber ou reclamar na residência ou
domicílio do devedor.
PÓS /
PRÉ / PRÓ – Pós (prefixo) significa:
posterior a, após, que sucede. Exemplos:
pós-boca (a parte posterior da boca);
pós-datado (em que se colocou pós-data; data posterior à
data atual) - expressão correta para designar cheque cuja data de compensação é
prevista para data posterior.
pós-diluviano (posterior ao dilúvio);
pós-escrito (escrito depois);
pós-fixado (diz-se de investimento cujo rendimento é
calculado ao fim do prazo de aplicação);
pós-graduado (pessoa que concluiu o curso de ensino
superior, depois do curso de graduação);
pós-operatório;
pós-moderno.
Pré
(prefixo) significa: anterior a, antecedente a, antes de, que precede.
Exemplos:
Pré-carnavalesco (um pouco anterior ao período do
carnaval);
Pré-colombiano (anterior a Cristovão Colombo, navegador
genovês a serviço da Espanha (1436-1506), ou aos seus descobrimentos);
Pré-datado –
vocábulo inadequado para designar cheque cuja compensação será efetuada
posteriormente. A forma correta é
pós-datado.
Ver: CHEQUE PÓS-DATADO nos textos anteriores.
Pré-eleitoral (precedente a eleição ou eleições).
Pré-escolar (anterior à idade ou ao período escolar).
Pré-fabricado (cujas peças ou partes já estão fabricadas e
prontas para serem armadas ou montadas).
Pré-socráticos (diz-se dos filósofos da natureza, pois
viveram antes de Sócrates, um dos três maiores filósofos da Antiguidade).
“...mais inteligente é aquele que sabe que não sabe...” - Sócrates
Pró
(advérbio) significa: em defesa de, em favor de, em proveito de; movimento para
frente. Exemplos:
Embora os nobres colegas se manifestem contra, darei meu
parecer pró réu.
Decidiremos pró instituição do curso de oratória forense na
Academia de Letras Jurídicas.
Pró (como
substantivo masculino) significa: vantagem, conveniência: os prós e os contras.
PRENHA
/ PRENHE - Prenha é a forma errada. Fêmea pode ficar prenhe, não prenha.
A vaca está prenha! (forma errada)
A vaca está prenhe! (forma correta)
A égua está prenha! (forma errada)
A égua está prenhe! (forma correta)
PRIORIDADE
PRIMEIRA / PRIORIDADE PRINCIPAL - Expressões redundantes. Prioridade já
contém a acepção de: qualidade do que está em primeiro lugar ou do que aparece
primeiro; preferência conferida a alguém relativamente ao tempo de realização
de seu direito, com preterição do de outrem; qualidade de uma coisa é posta em
primeiro lugar dentro de uma série ou ordem; primazia.
PROCEDENTE
A AÇÃO / PROCEDENTE O PEDIDO – Corretamente, julga-se procedente o pedido e não
a ação. Se a ação for aceita, não há que se julgá-la procedente ou
improcedente. Não sendo aceita, o juiz deverá defini-la pela ocorrência da
inépcia.
O pedido é que poderá ser julgado procedente ou
improcedente.
Quando o juiz fizer o julgamento, corretamente escreverá:
“Julgo procedente o pedido e condeno o réu...” ou
“Julgo improcedente o pedido e...”
PROTESTOS
DE ELEVADA ESTIMA E DISTINTAS CONSIDERAÇÕES - Não se devem misturar protestos
com elevada estima nem com distintas considerações. Bobagem copiada por
secretárias desprovidas de capacidade intelectiva.
Na
parte final do ofício, basta grafar:
Elevada
estima;
Distintas
considerações;
Respeitosamente;
ou
Atenciosamente.
