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    22/08/2015

    Língua Portuguesa - Professor Fernando Marques





    MANDADO / MANDATO - Mandado significa: ordem escrita que emana de uma autoridade judicial; ordem ou determinação imperativa; garantia constitucional para proteger direito individual líquido e certo, não amparado por habeas corpus, contra ilegalidade ou abuso de poder, seja qual for a autoridade que os pratique; enviado; que se mandou; recado, incumbência. 

    Mandato - poderes políticos que o povo outorga a um cidadão, pelo voto, para governar a nação, Estado ou município, ou representá-lo nas respectivas assembleias legislativas; autorização que alguém confere a outrem para praticar em seu nome certos atos; procuração. 

    Por extensão, mandato também pode significar: o período de exercício do poder outorgado. 

    MANICURA / MANICURE / MANICURO - Manicura: aquela que se dedica ao tratamento das mãos ou das unhas das mãos. 

    Manicure: forma errada - adotada pelo povo. 

    Manicuro: homem que exerce a função de embelezar mãos e unhas das mãos da sua clientela. 

    MANTER O MESMO - Redundância. Não se mantém outro, e sim o mesmo. Portanto, diz-se apenas: manteve o programa; manteve o projeto; mantêm os segredos; mantém os professores. 

    MAQUINARIA / MAQUINÁRIO - Maquinaria é um conjunto de máquinas. Entretanto, alguns políticos dedicados ao neologismo criaram a variante masculina maquinário que o povo adotou e a Academia Brasileira de Letras incluiu no Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa. Por adaptação, evidenciou-se outra pérola maquinária. 

    Provavelmente, quando alguns "políticos criativos" resolverem verbalizar e o povo homologar suas falácias, tenhamos: bichária, bicicletária, cervejária, churrascária, funilária, garrafária, hotelária, marcenária, padária.

    MATINAL / MATUTINO - Matinal – quer dizer da manhã - diz-se daquilo, que se faz pela manhã, que sucede de manhã: missa matinal, culto matinal, refeição matinal, passeio matinal, aula matinal. 

    Matutino – diz-se daquilo ou daquele que é madrugador; que surge nas primeiras horas da manhã. Refere às primeiras horas da manhã, ao alvorecer, ao amanhecer. 

    Exemplos: “estrela matutina”; jornal que é distribuído nas primeiras horas da manhã; pão matutino (feito nas primeiras horas da manhã).

    MEIA / MEIO - Meia, como adjetivo, varia, ou seja, antes de substantivo, concorda com este. 

    Exemplos:

    Meia garrafa de vinho.

    Meio copo de leite.

    Meia taça de licor.

    Meio, advérbio, não varia. Refere-se a um adjetivo e por essa razão, permanece no masculino singular. 

    Exemplos:

    Durante a prova, a professora viu o acadêmico guardar um papel no bolso e ficou meio desconfiada.

    Carla sempre foi meio amiga das crianças.

    Chifronésia é meio alegre, meio louca, meio esperta.

    Poderá haver mulher "meia" louca se ela demonstrar loucura na metade do corpo: da cintura para baixo, da cintura até a cabeça ou em um dos lados do corpo. 

    MEIO PERÍODO / UM PERÍODO - Quando uma pessoa disser que trabalha apenas meio período, talvez não esteja querendo ser engraçada. Se ela trabalhar somente duas horas por dia, estará dizendo a verdade.

    Um período equivale a quatro horas, podendo ser matutino, vespertino ou noturno.

    Quem trabalhar durante quatro horas, seja no período da manhã, da tarde ou da noite, trabalhará um período e não meio período

    MENAS / MENOSMenas – expressão inexistente. Usada por pessoas que não sabem o que dizem ou escrevem.

    Menos pode implicar pronome indefinido – significando em menor quantidade ou número, em condição inferior; advérbio – em número ou quantidade menor; preposição – salvo, exceto; ou substantivo masculino – o que é mínimo.

    MENSAGENS PROLIXAS; introduções inadequadas, em desuso que evidenciam falta de objetividade, despreparo:

    "A bem da verdade..."

    "A presente visa informar."

    "Pelo presente ofício, informamos que."

    "Tem o presente ofício a finalidade de."

    "Venho pelo presente." 

    "Venho por intermédio do presente ofício." 

    "Vimos por meio desta."

    “Vimos através do presente ofício.”

    “Tem o presente a finalidade de...”

    “Através do presente, acusamos o recebimento...”

    “Apresentando os nossos protestos de elevada estima e distintas considerações, somos mui.”

    “Sendo o que se apresenta para o momento.”

    MEU ÓCULOS / MEUS ÓCULOS - usa-se sempre no plural: meus óculos; seus óculos; nossos óculos. Da mesma forma:

    Algemas, anais, bodas, condolências, costas (parte do corpo humano), damas (o jogo), meus parabéns, minhas férias, meus pêsames, olheiras, suas núpcias, seus ciúmes, ela dorme de bruços, suspensórios, trevas.

    Usando folhetos e cartazes, o proprietário de uma grande ótica anunciou:

    “Faça um óculos de grau na Ótica...e ganhe um brinde especial.”

    Encomendar um óculo, talvez fosse a opção de alguma pessoa que tenha deficiência em um olho.

    A maioria, provavelmente, preferirá encomendar seus óculos em outra empresa.

    MEU PERSONAGEM / MINHA PERSONAGEM – São femininas as palavras terminadas em gem, com exceção de selvagem. Portanto, deve-se dizer: a imagem, a metalinguagem, a bobagem, a bagagem, a garagem, a coragem, a viagem etc. Também são femininos os seguintes substantivos: agravante, aguardente, alface, análise, apendicite, cal, cataplasma, comichão, derme, dinamite, ênfase, fruta-pão, grama (mato), omoplata, tiroide.

    Por influência do idioma francês, algumas pessoas passaram a usar o vocábulo combinando com o gênero. Porém, no português, a forma correta é a feminina, independentemente de ser a persona do sexo masculino ou feminino. 

    Quem diz meu personagem; o personagem, quando deveria dizer minha personagem; a personagem, erra tanto quanto quem diz minha carro; a carro.

    MISSA DE SÉTIMO DIA / MISSA DO SÉTIMO DIA - Antes de números ordinais (primeiro, segundo, terceiro, quarto, quinto, sexto etc.) o uso do artigo é obrigatório. Portanto, corretamente, grafa-se: missa do sétimo dia; festa do septuagésimo ano; escola do segundo grau; eleição do primeiro turno; sala no oitavo andar; edifício na Quinta Avenida.

    MORRER DO CORAÇÃO - Ninguém morre do coração, do pulmão, do cérebro, do estômago, do pé, da mão, do dedo, da unha. Morre-se de enfarto, de pneumonia, de AVC (Acidente Vascular Cerebral) ou de outros problemas de doença.

    Uma médica afirmou que o presidente Tancredo Neves morreu do coração.

    MUITA DÓ / MUITO DÓ – Para que ninguém sinta muito dó de quem diz sentir muita dó, convém lembrar que dó é vocábulo masculino.

    São masculinas outras palavras como: grama (medida de peso), tapa (o tapa, um tapa, dois tapas).

    Entre os substantivos originados de palavras gregas, são masculinos os terminados em -ema e –oma: 

    anátema, aroma, axioma, cinema, coma, diadema, dilema, diploma, edema, emblema, estratagema, fonema, idioma, pijama, poema, problema, proclama, sistema, telefonema, tema, teorema, trema, zeugma etc.

    Também são do gênero masculino, os seguintes substantivos: apêndice, champanha, clã, formicida, guaraná, lança-perfume, milhar, sabiá, saca-rolha, sanduíche, suéter, telefonema. 

    MUITÍSSIMO / MUITO - Muitíssimo é expressão inadequada, aceitável somente na linguagem coloquial, não na forma escrita. 

    Muito - o que é em grande quantidade, em abundância, em demasia, em alto grau - é adjetivo que deve ser pronunciado com a tonicidade em ui, tal como circuito, fortuito e não como muita gente pronuncia uin, ou seja, muinto.

    Corretamente, se diz que uma pessoa está muito triste, e não bastante triste. Bastante corresponde a suficiência; ao que satisfaz.

    Ver: BASTANTE / MUITO. 

    MUITO OBRIGADA / MUITO OBRIGADO - Mulher, grata, diz muito obrigada! A mulher deve pronunciar a palavra obrigada, sendo enfática na entonação da última silaba. Homem, grato, diz: muito obrigado! 

    Outras formas: "Eu é que sou grato!" 

    "Eu é que sou grata!"

    "Obrigada eu!" 

    "Obrigado eu!"

    "Obrigadas nós!"

    "Obrigados nós!"

    "Sou eu quem agradece!"

    "Somos nós quem agradecemos!" 

    Ver: OBRIGADA / OBRIGADO.

    NAMORAR COM / NAMORAR A - O verbo namorar é transitivo direto e, por regência verbal, não admite a preposição “com”. Portanto, uma pessoa namora outra, e não com outra. Da mesma forma: "...noivar Talita, e não com Talita".

    A preposição “com” exprime variadas relações entre palavras (companhia, comparação, união, semelhança etc.). Logo, afirmar que uma pessoa namora com outra, implica afirmar que: aquela namora em companhia desta.

    Na linguagem formal culta, o verbo namorar exige complemento sem preposição.

    Exemplos corretos:

    Gabriela namora Sterferson.

    Sterferson namora Eva.

    Adriano namora uma colega da universidade.



    Ver: REGÊNCIA NOMINAL / REGÊNCIA VERBAL