
MANDADO / MANDATO - Mandado significa: ordem escrita que emana de uma autoridade judicial; ordem ou determinação imperativa; garantia constitucional para proteger direito individual líquido e certo, não amparado por habeas corpus, contra ilegalidade ou abuso de poder, seja qual for a autoridade que os pratique; enviado; que se mandou; recado, incumbência.
Mandato - poderes políticos que o povo outorga a um cidadão, pelo voto, para governar a nação, Estado ou município, ou representá-lo nas respectivas assembleias legislativas; autorização que alguém confere a outrem para praticar em seu nome certos atos; procuração.
Por extensão, mandato também pode significar: o período de exercício do poder outorgado.
MANICURA / MANICURE / MANICURO - Manicura: aquela que se dedica ao tratamento das mãos ou das unhas das mãos.
Manicure: forma errada - adotada pelo povo.
Manicuro: homem que exerce a função de embelezar mãos e unhas das mãos da sua clientela.
MANTER O MESMO - Redundância. Não se mantém outro, e sim o mesmo. Portanto, diz-se apenas: manteve o programa; manteve o projeto; mantêm os segredos; mantém os professores.
MAQUINARIA / MAQUINÁRIO - Maquinaria é um conjunto de máquinas. Entretanto, alguns políticos dedicados ao neologismo criaram a variante masculina maquinário que o povo adotou e a Academia Brasileira de Letras incluiu no Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa. Por adaptação, evidenciou-se outra pérola maquinária.
Provavelmente, quando alguns "políticos criativos" resolverem verbalizar e o povo homologar suas falácias, tenhamos: bichária, bicicletária, cervejária, churrascária, funilária, garrafária, hotelária, marcenária, padária.
MATINAL / MATUTINO - Matinal – quer dizer da manhã - diz-se daquilo, que se faz pela manhã, que sucede de manhã: missa matinal, culto matinal, refeição matinal, passeio matinal, aula matinal.
Matutino – diz-se daquilo ou daquele que é madrugador; que surge nas primeiras horas da manhã. Refere às primeiras horas da manhã, ao alvorecer, ao amanhecer.
Exemplos: “estrela matutina”; jornal que é distribuído nas primeiras horas da manhã; pão matutino (feito nas primeiras horas da manhã).
MEIA / MEIO - Meia, como adjetivo, varia, ou seja, antes de substantivo, concorda com este.
Exemplos:
Meia garrafa de vinho.
Meio copo de leite.
Meia taça de licor.
Meio, advérbio, não varia. Refere-se a um adjetivo e por essa razão, permanece no masculino singular.
Exemplos:
Durante a prova, a professora viu o acadêmico guardar um papel no bolso e ficou meio desconfiada.
Carla sempre foi meio amiga das crianças.
Chifronésia é meio alegre, meio louca, meio esperta.
Poderá haver mulher "meia" louca se ela demonstrar loucura na metade do corpo: da cintura para baixo, da cintura até a cabeça ou em um dos lados do corpo.
MEIO PERÍODO / UM PERÍODO - Quando uma pessoa disser que trabalha apenas meio período, talvez não esteja querendo ser engraçada. Se ela trabalhar somente duas horas por dia, estará dizendo a verdade.
Um período equivale a quatro horas, podendo ser matutino, vespertino ou noturno.
Quem trabalhar durante quatro horas, seja no período da manhã, da tarde ou da noite, trabalhará um período e não meio período
MENAS / MENOS – Menas – expressão inexistente. Usada por pessoas que não sabem o que dizem ou escrevem.
Menos pode implicar pronome indefinido – significando em menor quantidade ou número, em condição inferior; advérbio – em número ou quantidade menor; preposição – salvo, exceto; ou substantivo masculino – o que é mínimo.
MENSAGENS PROLIXAS; introduções inadequadas, em desuso que evidenciam falta de objetividade, despreparo:
"A bem da verdade..."
"A presente visa informar."
"Pelo presente ofício, informamos que."
"Tem o presente ofício a finalidade de."
"Venho pelo presente."
"Venho por intermédio do presente ofício."
"Vimos por meio desta."
“Vimos através do presente ofício.”
“Tem o presente a finalidade de...”
“Através do presente, acusamos o recebimento...”
“Apresentando os nossos protestos de elevada estima e distintas considerações, somos mui.”
“Sendo o que se apresenta para o momento.”
MEU ÓCULOS / MEUS ÓCULOS - usa-se sempre no plural: meus óculos; seus óculos; nossos óculos. Da mesma forma:
Algemas, anais, bodas, condolências, costas (parte do corpo humano), damas (o jogo), meus parabéns, minhas férias, meus pêsames, olheiras, suas núpcias, seus ciúmes, ela dorme de bruços, suspensórios, trevas.
Usando folhetos e cartazes, o proprietário de uma grande ótica anunciou:
“Faça um óculos de grau na Ótica...e ganhe um brinde especial.”
Encomendar um óculo, talvez fosse a opção de alguma pessoa que tenha deficiência em um olho.
A maioria, provavelmente, preferirá encomendar seus óculos em outra empresa.
MEU PERSONAGEM / MINHA PERSONAGEM – São femininas as palavras terminadas em gem, com exceção de selvagem. Portanto, deve-se dizer: a imagem, a metalinguagem, a bobagem, a bagagem, a garagem, a coragem, a viagem etc. Também são femininos os seguintes substantivos: agravante, aguardente, alface, análise, apendicite, cal, cataplasma, comichão, derme, dinamite, ênfase, fruta-pão, grama (mato), omoplata, tiroide.
Por influência do idioma francês, algumas pessoas passaram a usar o vocábulo combinando com o gênero. Porém, no português, a forma correta é a feminina, independentemente de ser a persona do sexo masculino ou feminino.
Quem diz meu personagem; o personagem, quando deveria dizer minha personagem; a personagem, erra tanto quanto quem diz minha carro; a carro.
MISSA DE SÉTIMO DIA / MISSA DO SÉTIMO DIA - Antes de números ordinais (primeiro, segundo, terceiro, quarto, quinto, sexto etc.) o uso do artigo é obrigatório. Portanto, corretamente, grafa-se: missa do sétimo dia; festa do septuagésimo ano; escola do segundo grau; eleição do primeiro turno; sala no oitavo andar; edifício na Quinta Avenida.
MORRER DO CORAÇÃO - Ninguém morre do coração, do pulmão, do cérebro, do estômago, do pé, da mão, do dedo, da unha. Morre-se de enfarto, de pneumonia, de AVC (Acidente Vascular Cerebral) ou de outros problemas de doença.
Uma médica afirmou que o presidente Tancredo Neves morreu do coração.
MUITA DÓ / MUITO DÓ – Para que ninguém sinta muito dó de quem diz sentir muita dó, convém lembrar que dó é vocábulo masculino.
São masculinas outras palavras como: grama (medida de peso), tapa (o tapa, um tapa, dois tapas).
Entre os substantivos originados de palavras gregas, são masculinos os terminados em -ema e –oma:
anátema, aroma, axioma, cinema, coma, diadema, dilema, diploma, edema, emblema, estratagema, fonema, idioma, pijama, poema, problema, proclama, sistema, telefonema, tema, teorema, trema, zeugma etc.
Também são do gênero masculino, os seguintes substantivos: apêndice, champanha, clã, formicida, guaraná, lança-perfume, milhar, sabiá, saca-rolha, sanduíche, suéter, telefonema.
MUITÍSSIMO / MUITO - Muitíssimo é expressão inadequada, aceitável somente na linguagem coloquial, não na forma escrita.
Muito - o que é em grande quantidade, em abundância, em demasia, em alto grau - é adjetivo que deve ser pronunciado com a tonicidade em ui, tal como circuito, fortuito e não como muita gente pronuncia uin, ou seja, muinto.
Corretamente, se diz que uma pessoa está muito triste, e não bastante triste. Bastante corresponde a suficiência; ao que satisfaz.
Ver: BASTANTE / MUITO.
MUITO OBRIGADA / MUITO OBRIGADO - Mulher, grata, diz muito obrigada! A mulher deve pronunciar a palavra obrigada, sendo enfática na entonação da última silaba. Homem, grato, diz: muito obrigado!
Outras formas: "Eu é que sou grato!"
"Eu é que sou grata!"
"Obrigada eu!"
"Obrigado eu!"
"Obrigadas nós!"
"Obrigados nós!"
"Sou eu quem agradece!"
"Somos nós quem agradecemos!"
Ver: OBRIGADA / OBRIGADO.
NAMORAR COM / NAMORAR A - O verbo namorar é transitivo direto e, por regência verbal, não admite a preposição “com”. Portanto, uma pessoa namora outra, e não com outra. Da mesma forma: "...noivar Talita, e não com Talita".
A preposição “com” exprime variadas relações entre palavras (companhia, comparação, união, semelhança etc.). Logo, afirmar que uma pessoa namora com outra, implica afirmar que: aquela namora em companhia desta.
Na linguagem formal culta, o verbo namorar exige complemento sem preposição.
Exemplos corretos:
Gabriela namora Sterferson.
Sterferson namora Eva.
Adriano namora uma colega da universidade.
Ver: REGÊNCIA NOMINAL / REGÊNCIA VERBAL