Empresário morreu na manhã desta quinta-feira, em São Paulo. Polonês, Klein deixou a Europa e instalou-se no Brasil na década de 1950.
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| Samuel Klein em dezembro de 2004. (Foto: Eduardo Nicolau/Estadão Conteúdo/Arquivo) |
O empresário deixa os filhos Michael, Eva, Oscar e Saul Klein, além de oito netos e cinco bisnetos.
Polonês naturalizado brasileiro, ele deixou a Europa durante a Segunda Guerra Mundial. Primeiro, foi para a Bolívia, mas um ano depois chegou ao Brasil, onde depois de uma rápida passagem pelo Rio de Janeiro, instalou-se em São Caetano do Sul, no ABC paulista.
Segundo informações da Casas Bahia, com US$ 6 mil no bolso, Samuel comprou uma casa e uma charrete. Com a ajuda de um conhecido da região do Bom Retiro, reduto dos imigrantes judeus e árabes na década de 1950, comprou uma carteira de 200 clientes e mercadorias – roupas de cama, mesa e banho. Começou a vender seus produtos de porta em porta. "Quando alguém dizia que não podia pagar, Samuel logo lhe oferecia condições: ficar com o produto e pagar em prestações, tudo no crediário."
Em cinco anos, Klein comprou sua primeira loja, no centro de São Caetano do Sul, na Avenida Conde Francisco Matarazzo, 567, e deu o nome de “Casa Bahia” em homenagem aos imigrantes nordestinos.
Durante sua trajetória de vida, Samuel Klein recebeu centenas de prêmios e condecorações, segundo a Casas Bahia. Em novembro de 2003, Samuel Klein registrou suas memórias no livro “Samuel Klein e Casas Bahia – Uma Trajetória de Sucesso”.
Negócios
Em 2009, o Grupo Pão de Açúcar anunciou que havia fechado um acordo de fusão com as Casas Bahia. Segundo comunicado divulgado ao mercado na ocasião, o contrato visava a integração dos seus negócios no setor de varejo e de comércio eletrônico. Com isso, a associação uniu as operações do Ponto Frio (Globex), das Casas Bahia e do Extra Eletro (Grupo Pão de Açúcar) em uma única e nova sociedade.
De acordo com a nota, a empresa resultante da operação teria, na época, 1.582 lojas, em 337 municípios, incluindo super e hipermercados. As unidades estão em 18 estados e no Distrito Federal. O faturamento anualizado da Companhia em 2008 com Ponto Frio e Casas Bahia estava ao redor de R$ 40 bilhões.
“Acredito no ser humano. Caso contrário, não abriria as portas das minhas lojas todos os dias. O que ajuda a me manter vivo é a confiança que tenho no próximo.”
“Um bom comerciante só não vai para trás se olhar e seguir sempre em frente. E preciso entender o que o outro precisa para viver. Ganhar e deixar ganhar. O sol nasceu para todos.”
"Em nossa vida profissional, não podemos falhar. São justamente nossos erros que estragam nossos acertos."
"Um mais um é igual a dois. Mas a soma de uma ideia mais uma ideia não são duas ideias, e sim milhares de ideias."
"Ontem foi ontem, já passou. Hoje é hoje e é o que nos importa. Amanhã, o futuro, a Deus pertence.”
“Que país abençoado esse Brasil. O povo também é pacato e acolhedor. O Brasil é um país que dá oportunidades para quem quer trabalhar e crescer na vida. Cresci junto com o Brasil. Não fiquei parado vendo o país crescer.”
“De um bom namoro sai um bom casamento. Da boa conversa, sai um bom negócio.”
“O segredo é comprar bem comprado e vender bem vendido.”
"A riqueza do pobre é o nome. O credito é uma ciência humana, não exata. Não importa se o cliente é um faxineiro ou um pedreiro, se ele for bom pagador, a Casas Bahia dará credito para que ele resgate a cidadania e realize seus sonhos”.
"Temos que amar o País em que vivemos. A palavra crise não existe no meu dicionário. Eu sempre comprei por 100 e vendi por 200."
“Meu lema é confiar. Confiar no freguês, nos fornecedores, nos funcionários, nos amigos e, principalmente, em mim.”
“Eu vivo e deixo os outros viverem.”
Do G1, em São Paulo/JE

