Quem acompanha as propagandas eleitorais gratuitas dos candidatos ao governo, Delcídio do Amaral (PT) e Reinaldo Azambuja (PSDB), pode até não acreditar, mas ambos passaram boa parte do ano – e do período de pré-campanha – andando juntos, ensaiando uma improvável aliança local, barrada em nível nacional por seus partidos.
Na ocasião, o projeto previa lançar Delcídio para o Governo e Reinaldo ao Senado, com ambos enfrentando a chapa do PMDB, desenhada com Nelsinho Trad ao Executivo e Simone Tebet para senadora.
Delcídio, inclusive, foi a diversos encontros regionais promovidos pelos tucanos no Estado, como parte de uma agenda criada para montar programa de governo. Como disse o deputado estadual Zé Texeira, na sessão desta terça-feira (14/10) na Assembleia Legislativa, “quem disse que o Reinaldo era o melhor senador foi ele (Delcídio)”.
O projeto de união, no entanto, derrocou poucos dias antes das convenções partidárias. Foi vetado pelo primeiro escalão petista e pelos tucanos de alta plumagem, que orientaram o PSDB local a alçar voo solo, vislumbrando, já naquela altura, a polarização no segundo turno na briga pela Presidência.
Com as negativas vindas de cima, findou também a proximidade – e a troca de elogios – entre Delcídio e Reinaldo. O tucano começou a campanha disparando contra o petista, relacionando-o a escândalos de corrupção.
A chegada de ambos ao segundo turno, com vantagem de Delcídio abaixo do que as primeiras pesquisas indicavam, no início da campanha, levou o petista a uma estratégia agressiva. Seus programas no rádio e tevê questionam o trabalho feito pelo adversário enquanto prefeito e parlamentar.
No programa veiculado nesta terça-feira, por exemplo, Reinaldo é chamado de ‘duas caras’. Depoimentos, aparentemente de populares, trazem reclamações relacionadas à gestão do tucano na Prefeitura de Maracaju.
Reinaldo, desde que a propaganda foi retomada, no sábado (11), mantém-se na defensiva. No programa desta terça, chegou a mostrar declaração de ‘nada consta’ emitida pelo TCE (Tribunal de Contas do Estado), em resposta aos ataques.
A propaganda de Delcídio até, em alguns momentos, fala de propostas de governo. Mas, a exemplo da tática adotada nacionalmente pelo QG de Dilma Rousseff em relação a Aécio Neves, traz essencialmente críticas ao adversário e comparações às experiências e currículos de ambos: um dos motes da campanha do petista é ‘quem compara, vota 13’.
Reinaldo, entre uma resposta e outra, aposta na interação com o público. Fala do ‘Pensando MS’, o mesmo projeto que levou ele e Delcídio a viajarem por várias regiões do Estado no início das discussões acerca das eleições deste ano.
Fonte: Midiamax/JE
Por: Waldemar Gonçalves
Por: Waldemar Gonçalves