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    18/08/2014

    Jornais querem avaliar melhor audiência nos meios impresso e digital

    Setor busca ferramenta para medir alcance dos meios eletrônicos para se adaptar aos leitores e à publicidade


    Congresso da ANJ: Ana Filizola (GRPCOM), Antonio Manuel Teixeira Mendes (Folha de S.P.),
     Cristiano Nygaard (Grupo Estado) Eduardo Smithv (RBS) e Marcello Moraes (Infoglobo)
    Foto: Marcos Alves / O Globo

    SÃO PAULO - Os jornais estão se reposicionando diante do mercado para se adaptar às novas demandas dos leitores e da publicidade. Esse foi o tema que permeou intenso e longo debate na manhã desta segunda-feira no 10º Congresso Brasileiro de Jornais, promovido pela Associação Nacional de Jornais (ANJ), em São Paulo.

    A necessidade de haver novas métricas para avaliar o real alcance do noticiário é uma das ações capitaneadas pela ANJ nesse processo de reposicionamento. A ideia defendida pela associação é substituir a atual contagem de exemplares por uma contabilidade de audiência, unindo o impresso e o digital, e possibilitando a comparação de jornal com televisão, revista e rádio.

    — Essa é uma discussão bem difícil, que deve ser profunda. Precisamos entender a nossa real audiência porque, com a chegada dos meios digitais, perdemos isso. Já temos algumas referências no mundo e buscá-las será muito importante. Não é um trabalho simples e precisamos debater muito para chegarmos à melhor solução — disse Marcello Moraes, diretor geral da Infoglobo.

    Antonio Manuel Teixeira Mendes, diretor-superintendente do Grupo Folha, reforçou, que o surgimento de uma nova métrica, não significa que a atual de contagem de exemplares feito pelo IVC (Instituto Verificador de Circulação) deixará de existir.

    — Temos de tomar cuidado para não jogar fora o que temos de melhor hoje, que é o IVC, que tem uma credibilidade enorme. Principalmente se levarmos em conta que a maior parte do nosso faturamento publicitário hoje vem do impresso — afirmou Mendes.

    Os jornais também estão se unindo para facilitar a vida dos publicitários e impulsionar a venda de espaços comerciais em seus sites. Ana Amélia Filizola, diretora da Unidade de Jornais do Grupo GRPCOM, do Paraná, que também fala em nome da ANJ, detalhou à plateia que entrará no ar na segunda quinzena de setembro o Digital Premium Jornais. A ferramenta, que representa uma "união inédita dos jornais brasileiros", trará em uma única página todas as informações relativas a esses espaços publicitários online.

    — As agências poderão entrar na páginas, negociar e comprar os espaços. A ideia é termos os 130 jornais associados ofertando seus espaços. Vamos inserir os títulos gradualmente — explicou.

    Outra ferramenta lançada durante o painel é o Marketplace de Jornais. Essa, que entrará no ar apenas no início do ano que vem, servirá como um banco de dados para as agências. Ana Amélia explicou que todas as informações relativas aos veículos estarão lá.

    — Perfil do leitor, tiragem, market share, praça de atuação. Tudo estará lá — explicou.

    INOVAÇÃO

    O 10º Congresso Brasileiro de Jornais, que ocorre hoje e amanhã, foi aberto por Jean-Marie Dru, presidente mundial da agência de publicidade TBWA, com palestra foca na necessidade de inovar para avançar. Para alcançar a inovação, segundo ele, é preciso que haja uma "ruptura com o anterior".

    — Evidentemente para se ter algo novo é preciso romper com o anterior. É uma ideia bastante básica e eficaz, não importa a categoria da empresa — afirmou.

    Para ele, que apresentou várias campanhas desenvolvidas por sua agência em que o conceito de ruptura foi utilizado, o vídeo é o futuro da notícia. Apresentando aplicativos internacionais, Dru citou que a interatividade audiovisual é mais atrativa aos jovens.

    — Se eu soubesse a resposta de como romper com o analógico para o digital, eu estaria muito feliz. Mas posso dizer que o digital deve vir primeiro. E a matéria do impresso vem depois. Sabemos que o jornal é onde tudo começa, mas, ao mesmo tempo, o digital tem de vir primeiro. É preciso ter essa consciência.

    CERTIFICAÇÃO DE QUALIDADE

    A qualidade gráfica que, somada a outros requisitos, possibilita aos jornais a obtenção de certificações de qualidade, pode ser decisiva para o futuro da mídia impressa. A opinião é de Rodrigo Schoenacher, diretor de Gestão e Operações da Infoglobo, que participou de um dos debates que abriu o período vespertino do 10º Congresso Brasileiro de Jornais.

    -- A mídia impressa ainda é um segmento muito importante, responsável pela maior parte da receita publicitária das empresas jornalísticas, ainda vai perdurar por muito tempo. Mas, para que isso ocorra, é preciso imprimir e entregar os exemplares adequadamente -- afirmou.

    As exigências para obter os certificados de circulação, como por exemplo de manutenção das florestas, dão credibilidade ao meio e intensificam a leitura, segundo o especialista.

    Ao lado de Schoenacher, estava Bruno Mortara, diretor-técnico da certificadora ABTG. Em uma palestra de conteúdo mais técnico, Mortara explicou que as certificações têm diferentes estágios.

    -- Damos certificações isentas que variam entre as categorias: bronze, prata, ouro e platina. Quanto mais alto o nível de certificação, mais rígido são os critérios de auditoria -- disse.

    Na ocasião, a Infoglobo recebeu o chamado 'Certificado de Excelência em Gestão Gráfica Prata". O Estado de S. Paulo também recebeu o mesmo certificado. O jornal gaúcho Zero Hora foi contemplado com a certificação da categoria ouro.





    Fonte: OGlobo/JE
    POR O GLOBO