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    02/07/2014

    Polícia investiga MC ligado ao desvio de ingressos doados pela Fifa para três ONGs

    Quadrilha de cambistas chefiada por argelino naturalizado francês usava site para vender entradas


    Material apreendido: ingressos, dinheiro e passaportes recolhidos com os acusados de integrar
     a quadrilha - Foto: Hudson Pontes / Agência O Globo

    RIO - Com a prisão do argelino naturalizado francês Mohamadou Lamine Fofana, apontado como chefe de uma quadrilha de cambistas envolvida na venda de ingressos para a Copa do Mundo, nesta terça-feira (01/7), a Polícia Civil trabalha agora na identificação dos elos entre o bando, a Fifa e três Organizações Não-Governamentais (ONGs), que tiveram convites desviados para o esquema ilegal. De acordo com o delegado Fábio Barucke, da 18ª DP (Praça da Bandeira), as escutas telefônicas indicam que um MC da Zona Oeste atuava como intermediário entre as ONGs e o grupo, que também mantinha um site na internet para vender os ingressos.

    Mohamadou e os outros dez presos na Operação Jules Rimet se recusaram a prestar depoimento na Polícia Civil. Segundo Barucke, todos disseram que só falariam em juízo. Além do argelino naturalizado francês, o delegado aponta Antônio Henrique de Paula Jorge como um importante articulador do esquema. Mohamadou e Henrique aparecem em interceptações telefônicas autorizadas pela Justiça conversando com jogadores, ex-jogadores, artistas e empresários.

    De acordo com o delegado, Henrique já operava como cambista, negociando ingressos para grandes eventos, shows e até mesmo para os desfiles de escolas de samba na Marquês de Sapucaí. Além de manter um site para operar o esquema, a quadrilha contava com três agências de turismo, que foram interditadas ontem pela polícia. A investigação mostra que uma delas funcionava apenas como fachada:

    — Eles usavam o espaço apenas para negociar ingressos para a Copa — disse o delegado.

    Fábio Barucke espera concluir o inquérito até o fim da próxima semana, quando pretende solicitar ao Ministério Público que as prisões temporárias dos 11 detidos sejam convertidas em prisões preventivas. Com isso, os presos terão que responder o processo na cadeia. O delegado também acredita que outros sete suspeitos terão as prisões decretadas pela Justiça.

    — Estamos concentrados agora na análise de documentos e computadores apreendidos durante a operação para tentar identificar os demais integrantes do bando e, principalmente, os elos com a Fifa — concluiu.

    Na tarde desta quarta-feira, representantes da Fifa vão ter um encontro com o chefe da Polícia Civil, Fernando Veloso, e o delgado Fábio Barucke, na sede da Polícia Civil. A porta-voz da Fifa, Delia Fischer, disse que a entidade está feliz com a atuação da polícia e que a reunião desta tarde vai definir as ações que serão tomadas contra a venda ilegal de ingressos.






    Fonte: OGlobo/JE
    Por: Sérgio Ramalho