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    04/07/2014

    Fábrica paraibana de sanfonas se prepara para exportar instrumentos

    Empresa é a única do Brasil a produzir foles de oito baixos.Demanda de outros países já existe, diz gerente administrativa.


    Acordeons produzidos na Paraíba custam entre R$ 13 mil e R$ 20 mil (Foto: Rafael Melo/ G1)

    Na terra do 'Maior São João do Mundo', Campina Grande, na Paraíba, está a única fábrica a produzir foles de oito baixos no país. A empresa surgiu há dez anos e se prepara para expandir as vendas para outros países, diante da demanda já existente. Artista consagrados, a exemplo de Dominguinhos e das duplas sertanejas Jorge e Mateus e César Menotti e Fabiano, já utilizaram instrumentos fabricados na Lettice, como foi batizada a fábrica paraibana, em uma homenagem do proprietário, o músico José Amazan da Silva, à mãe dele.

    Apesar de existirem muitas montadoras de sanfonas no Sul e Sudeste, apenas a fábrica paraibana e outra do Rio Grande do Sul constroem do início ao fim o equipamento. Mas, a Lettice é única brasileira a produzir foles de oito baixos e a única no mundo a fazer sanfonas com ressonância dupla em um padrão que uniformiza e amplifica o som produzido, segundo a diretora da empresa Marileide Azevedo . "Já existe procura fora do Brasil e nós pretendemos expandir o negócio", ressaltou Marileide Azevedo, filha de Amazan.

    Para a expansão, o grande problema enfrentado na fábrica ainda é falta de mão de obra. São mais de 10 mil peças na composição do acordeon em um trabalho que se divide entre processo industrial de marcenaria, e artesanal de colagem, montagem, revestimento e afinação.

    Fábrica paraibana é a única a produzir instrumento
    com ressonância dupla (Foto: Rafael Melo/G1)
    Na Lettice, são 20 funcionários trabalhando e todos eles foram treinados pelo próprio Amazan. "Não existe capacitação para trabalhar na área e nós é que fazemos este trabalho, que leva quase um ano para habilitar um profissional. No começo eu ia à Itália, trazia o conhecimento do que aprendia lá e passava para algumas pessoas, através de fala e de vídeos", explicou o músico.

    Quase 80% das peças internas ainda são importadas, mas toda a fabricação é feita em Campina Grande. Algumas das máquinas que existem no local são particularmente para a fabricação de acordeons e foram projetadas em Campina Grande por engenheiros contratados pela empresa. A empresa tenta parcerias para tentar nacionalizar a fabricação das peças internas, o que baratearia o preço para o consumidor e facilitaria a inserção da Lettice no exterior.

    "Além de nós e da Minuano, a outras fábricas que existem no Brasil apenas montam teclados, foles e outros componentes que já vêm prontos com os nomes das marcas estrangeiras, inclusive. Nós fazemos estes componentes", explicou Marileide Azevedo.

    Instrumentos também podem ser personalizados
    (Foto: Rafael Melo/G1)
    São 40 dias para o produto ficar pronto e a capacidade de fabricação é de dez equipamentos por mês. No local também há assistência técnica até de instrumentos de outras marcas. Os foles de oito baixos custam de R$ 3,5 mil a R$ 7,8 mil e os acordeons ficam entre R$ 13 mil e R$ até R$ 22 mil, no caso dos personalizados.

    Um dos clientes da marca, o cantor de uma banda de forró de Campina Grande Felipe Lemos encomendou o instrumento todo em madeira, com um material que ele mesmo levou à fábrica. No fim, o equipamento inteiro ficou mais leve por não ter revestimento. "Essa possibilidade de vir ao local dizer como se quer a sanfona é ímpar. O teclado do acordeon é mais leve do que os demais", disse. Além dele, outros grandes artistas a exemplo de Genival Lacerda, Dominguinhos, Alcymar Monteiro e Dorgival Dantas já utilizaram o instrumento paraibano.

    As sanfonas Lettice também estão no programa Superstar, da Rede Globo, em todas as apresentações da banda Luan e Forró Estilizado. A sanfona que o vocalista, Luan Silva, filho de José Amazan, foi produzida em Campina Grande.

    Aulas de música em Campina Grande

    Preservando a tradição, artistas como Luizinho Calixto e Edmar Miguel dão aulas na Universidade Estadual da Paraíba a dezenas de alunos ensinando a tocar acordeons de 120 baixos e foles de 8 baixos. "Campina Grande virou um celeiro de artistas do segmento, produzindo instrumentos e tocadores", analisou Luizinho.






    Do G1 PB/JE
    Por: 
    Rafael Melo