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    16/07/2014

    "Bruna Surfistinha foi a inspiração", diz garota de programa capixaba

    Ana Julia é a garota de programa que causou alvoroço em outdoor em Vitória


    Divulgação

    Manhã chuvosa de terça-feira (15/7). Ana Julia, de 25 anos, abre a porta do apartamento - num bairro de classe média de Vitória - usando microvestido estampado, salto alto, unhas estilo “francesinha” e maxi-brincos. Ela está acordada desde às 9h e já havia trabalhado naquela manhã.

    Com mega-hair, porcelana nos dentes, prótese de silicone no bumbum (220 ml) e nos seios (420 ml), a capixaba em nada lembra a menina que estudou em alguns dos melhores colégios da Grande Vitória.

    Ela se transformou na sedutora Ana Julia – a prostituta que causou alvoroço ao divulgar seus serviços no outdoor que foi retirado na saída da Terceira Ponte, em Vitória.

    O apartamento - quarto, sala e cozinha - é decorado e lembra uma suíte de motel. Ana Julia, nome fictício, conta que ficou surpresa com a repercussão do outdoor. “Queria aumentar o número de clientes. Mas não imaginei que causaria tudo isso”, diz.

    A clientela, segundo ela, dobrou. A menina de classe média vive da prostituição há oito anos - ficou parada durante quatro anos, tempo em que foi casada - e hoje atende, em média, cinco clientes por dia. Diz que foi criada pela mãe, não vê o pai há 15 anos, não tem ligação próxima aos dois irmãos e foi casada com um ex-cliente, por quem se apaixonou. Na adolescência, diz que “não era assanhada”.


    Ana Julia causou alvoroço ao divulgar seus serviços em outdoor - Crédito: Guilherme Ferrari
    A história dela é um enredo cada vez mais comum. “Tinha uma dívida de R$ 800 no cartão de crédito. Através de uma amiga, aos 18 anos, fiz meu primeiro programa. Durou 30 minutos e faturei R$ 500. Não é um dinheiro fácil, mas vem rápido”, conta. 

    Assim como Bruna Surfistinha, a prostituta mais famosa do país que acabou virando filme estrelado por Deborah Secco, ela também acabou revelando suas peripécias sexuais em um blog. “A Bruna foi a minha inspiração. Os clientes sempre querem ver suas histórias no blog”, diz.


    Ana Julia estudou em escolas caras e começou a se prostituir para pagar fatura do cartão de crédito

    Entrevista

    “Tem homem que é muito ruim de cama” Ana Julia, Prostituta

    Quando foi a primeira vez que fez um programa? 
    Foi aos 18 anos. Ganhei R$ 500 no programa, que durou 30 minutos. Achei bem tranquilo. O dinheiro é fácil, mas depois você vê que não é tão fácil assim. 

    Por que não é tão fácil? 
    Lidar com o ser humano é muito complicado. Tem gente que é arrogante. Pode ser limpo e cheiroso, mas não é educado. Tem o cara que é bonito, mas não tem higiene. 

    Chegou a se drogar?
    Já me droguei, mas hoje não uso nada. Tem clientes que pagam para a gente usar drogas, mas não curto. Estou ali para ganhar dinheiro. 

    Ninguém se prostitui só para fazer sexo... 
    Eu faço pelo dinheiro. Se eu estudar (e trabalhar) a vida inteira não vou ganhar o que ganho hoje (cerca de R$ 30 mil mensais). Quem ganha isso hoje no Brasil? É difícil, é muita grana. Já cheguei a ganhar R$ 55 mil num mês e quitei o meu apartamento. 

    Se arrepende de ter entrado na prostituição?
    Não. O que estou fazendo de errado? Todo mundo faz sexo. Mas muita gente me julga. Certa vez saí com um casal e enquanto eles transavam a mulher me olhou e disse: “Estou aqui realizando essa fantasia, mas vou ganhar um cartão de crédito sem limites”. Ela é tão p... quanto eu.

    E seus colegas da faculdade, o que disseram do outdoor? 
    Eles não comentaram nada comigo. As pessoas se sentem inibidas em falar. 

    E por que tantos homens procuram você? 
    Às vezes nem transo. Há muitos homens que vêm aqui para desabafar, reclamando da mulher, que elas que só brigam, só pensam nos filhos, não estão mais transando e só querem saber do dinheiro em casa. 

    Como surgiu a ideia do blog? As histórias são todas reais?
    A ideia surgiu a partir da Bruna Surfistinha. Relato as saídas, e os homens gostam de saber. Eles querem saber como são na cama e até pedem nota. As histórias são reais, mas em muitas dou uma apimentada. Tem sexo que não flui 100% e quem ler tem que ter tesão. 

    Você sempre sente prazer ou já fingiu?
    Claro que já fingi. Tem homem que é muito ruim de cama.






    Fonte: AGazeta/JE
    Por: Guilherme Sillva