Bottura entende que neste momento, em função de organização partidária e condições políticas do Estado, tem suas limitações, mas também uma longa jornada. Polêmica, sempre
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| Eduardo Bottura Foto: arquivo pessoal |
O empresário da área de investimentos, que já teve negócios na internet, diz está saindo da área de mercado imobiliária para investir na área de tecnologia. "Tenho uma holding na Inglaterra onde eu tenho meus investimentos na área de tecnologia, onde pretendemos voltar a investir pesado."
Bottura tem 36 anos e entende que, mesmo que este momento não seja o melhor, em função de organização partidária e condições políticas do Estado, sabe que tem um longo caminho e pretende fazer desta jornada, um sucesso de trabalho e inovação na forma de fazer política.
Polêmico, não se esquiva de perguntas e não poupa críticas a quem quer que seja. Confira a entrevista a seguir:
Top Mídia News – Bottura, candidato ao Governo?
Top Mídia News – Mas a sua intenção primeira era se candidatar ao cargo de governador?
Bottura – Na realidade era um projeto da [executiva] nacional do PTB, houve uma reunião em Brasília, nesse sentido, mas a [direção] estadual acabou trabalhando contra esse projeto. As lideranças estaduais do PTB com as quais eu não tenho relação das mais amigáveis, trabalharam contra o projeto. Tudo o que puderam fazer contra, fizeram.
Top Mídia News – Mas a sua intenção primeira era concorrer ao cargo de governador.
Bottura – A minha e a da nacional era apresentar para o Mato Grosso do Sul uma nova proposta de liderança jovem, desde já, para se plantar uma semente para o futuro. No entanto, a estadual do PTB tem compromissos e alianças fortes com algumas lideranças no estado e o projeto não foi muito bem aceito por eles.
Top Mídia News – E o PTB trabalha com quais apoios nas eleições presidenciais e quais nas eleições estaduais?
Bottura – Na nacional parece ser com a Dilma [Rousseff, PT] e a estadual ainda está totalmente indefinida.
Top Mídia News – A tendência do PTB é continuar na linha de apoio ao governo peemedebista e apoiar o pré-candidato Nelsinho Trad?
Bottura – Olha, se o PTB acompanhar o PMDB, eu não me candidato a nada.
Top Mídia News – Você sempre mostrou uma posição bem definida e contrária ao governo peemedebista.
Bottura – Inclusive eu trabalharei contra e, se necessário, saio do partido.
Top Mídia News – Quando você se propôs lançar seu nome como candidato ao governo do Estado, você sabia que suas chances de vitória eram mínimas. Nos parece que o projeto era lançar seu nome, um novo programa de governo. Era assim?
Bottura – Na realidade eu questiono: quem acreditou que o Bernal teria a chance de ganhar a prefeitura? As chances, mínimas ou não, quem diz é o povo no momento de colocar, o voto na urna. O que eu jamais imaginei é que um partido como o PTB que tem uma projeção nacional forte e que é um partido que já o mais forte do estado, iria combinar uma coisa na nacional e no dia seguinte, aqui no estado, faria outra coisa.
Eu nunca imaginei que isso fosse possível. Eu sou muito novo ainda e não dependo de política para nada na minha vida. As oportunidades e os projetos vão acontecer, não do dia para a noite, mas vão acontecer.
Top Mídia News – Nas eleições municipais aconteceram casos de candidatos à vereança que trabalhavam pela sua candidatura enquanto faziam campanha contra o seu candidato da majoritária, ou simplesmente apoiavam outro candidato a prefeito. Assim, caso o PTB resolva pelo apoio ao Nelsinho Trad, não haveria a possibilidade de você sair candidato a deputado federal apoiando outro candidato para o governo?
Bottura – Não. Eu nunca vou trair a minha ideologia. Eu jamais vou estar numa chapa, numa coligação junto com o PMDB. Nunca.
Top Mídia News – Então, caso isso aconteça você não concorre mas permanece no partido?
Bottura – Entrego minha carta de desfiliação no mesmo dia.
Top Mídia News – Você conversou com outros partidos antes de se decidir, por que, afinal, o PTB?
Bottura – Porque a minha reunião com a executiva nacional foi muito boa. O [Ivan] Louzada, inclusive participou da reunião e, lá ele tomou uma posição e dois meses depois, agiu de forma diferente.
Top Mídia News – Você é uma pessoa polêmica. Existem diversas ações movidas por você contra desembargadores, contra o governador André Puccinelli, Quais foram os motivos? Sabemos que você perdeu muito.
Bottura – Eu já fui muito perseguido. Começou por uma situação empresarial. Tinha uma ação no Tribunal de Justiça que envolvia uma dissolução societária muito grande em São Paulo e se eu não resolvesse aquela situação, eu teria perdido a briga societária. Então, por questões empresariais eu tive que ir para cima e resolver aquela questão de conluio no Tribunal.
Logo após, eles vieram com um mandato de prisão fabricado contra mim e um escândalo também fabricado, mas na imprensa, e eu tomei as medidas para resgatar a verdade daqueles fatos, e para resgatar minha honra.
Nisso, chegou às minhas mãos, através do Celso Bejarano, essas provas do caso do [Ary] Rigo e, eu tinha proximidade com o pessoal da Rede Globo, levei para um editor e acabou estourando o caso. No dia seguinte mandei isso para o pessoal do Ministério Público Federal e para o Conselho Nacional de Justiça e isso resultou em desmembramentos que levaram a abertura de partes contra os desembargadores, (inquérito 704 do STJ) que desembocou na demissão do Procurador-Geral aqui do Mato Grosso do Sul.
Eu não acho que tenho grandes derrotas, houve um desgaste, uma turbulência, isso gera derrotas, mas as multas que eles aplicaram como forma de me perseguir. Caíram. Eu não tenho nenhuma condenação criminal, mas tive que entrar com uma série de habeas corpus e processos para poder me livrar das perseguições, mas ganhei todos. Restou apenas uma queixa-crime do [José] Rizkallah contra mim, que não vai dar em nada. Posso dizer que ganhei experiência sobre como funciona Mato Grosso do Sul nessa fase André Puccinelli, fase de coronel. Isso foi muito importante para não ser um teórico defendendo mudanças. Eu só não fui assassinado. Mais que qualquer outra pessoa, eu vivi este estado de exceção que foi criado em Mato Grosso do Sul.
Tenho um currículo que justifica a bandeira de mudança. Eu sofri na pele. Vi meu pai ir à prisão me visitar nos quinze dias em que fiquei preso por ter cometido o crime de representar contra um desembargador.
Top Mídia News - Você criou uma polêmica quando conseguiu que sites e blogs fossem censurados. Você acredita que o caminho é a censura?
Bottura – Nunca houve censura. Quando do episódio em 2009, da minha prisão fraudulenta, eles utilizaram o site da polícia do Mato Grosso do Sul para divulgar um falso histórico criminal que foi divulgado e piorado por vários sites do Estado, nós notificamos os sites, procuramos uma a uma as redações para retirarem aquelas reportagens que eram mentirosas.
Algumas retiraram, outras não. Fomos para o judiciário, ganhamos liminares em vários processos contra os sites que foram intimados para retirar. Não retiraram. Isso culminou com o judiciário exercendo seu poder de império (sic), seu poder de soberania nacional (sic) e fazer a ordem ser cumprida. Isso culminou que o registro.br intimasse aqueles sites a removerem e, caso não removessem, fossem tirados do ar. Então, foram sites que não cumpriram, após cinco ou seis ordens, não cumpriram, saíram do ar. Isso é Estado de Direito.
Top Mídia News – Mas não seria o caso de exigir o Direito de Resposta?
Bottura – Mas eu procurei a eles para que me dessem o Direito de Resposta. Ninguém me deu. Eu exauri todas as formas para essa reparação. Inclusive eu tenho processo em São Paulo contra esses veículos para conseguir o Direito de Resposta, mas até hoje não me deram.
Top Mídia News – E como você vê, nas eleições, o uso da imprensa em Mato Grosso do Sul?
Bottura – É até vergonhoso. O que mais me assusta, o Correio do Estado, por exemplo, que é o veículo mais antigo aqui no estado, parece “Folhetim de um Lado”. Ele escolhe um lado, com certeza não motivado por motivo ou por bondade, sequer motivado por publicidade, mas por outros motivos que todo mundo deve saber quais são, pois nada justifica esse grupo estar uma hora de um lado, outra hora de outro, sempre de forma ofensiva, por razões financeiras, presidida por dono de partido, que para mim é incompatível com a independência da imprensa, um dono de imprensa que em seu facebook pessoal usa de linguagem que eu nunca vi igual, parece discussão de estádio de futebol, de pior nível, de gente alcoolizada.
Isso é o nosso principal jornal do Estado. Isso mostra o quanto Mato Grosso do Sul precisa de uma mudança. Precisamos parar de ser este estado que tem esse tipo de veículo formando opinião. Sustentando um grupo que está no poder e só sabe cuidar de seus interesses pessoais, que só sabe cuidar do seu império particular. Transformam Mato Grosso do Sul num Maranhão do Sul. E mais do que isso, quando perdem as eleições, tentam ganhar de outra forma, nos bastidores.
Top Mídia News – Essa é a visão em relação à cassação do Bernal?
Bottura – Esse processo que o Gaeco disse ter fumaça do bom Direito, de existir fraude, por que se não fosse isso não teria busca e apreensão. Para ter busca e apreensão tem que haver provas de que houve fraude. Isso é uma coisa muito grave. A gente tem que virar essa página de Mato Grosso do Sul.
Top Mídia News – Na sua visão essa mudança teve início com as movimentações populares de junho de 2013 e culminou com a eleição do Alcides Bernal (PP) para a prefeitura?
Bottura – Eu sempre disse que, mesmo que o Bernal caísse, sua eleição serviria para abrir a porteira para a mudança no Estado. Eu tenho certeza que a eleição do Bernal foi importante até para a minha presença aqui no estado. Ela foi uma grande pesquisa prática, um símbolo, a demonstração da população pelo desejo de mudança.
O Bernal com muito menos tempo de televisão, menos dinheiro, com todos trabalhando contra ele, sem ter um vice, escolhido de última hora e que acabou sendo cooptado pelo outro lado, conseguiu ganhar de todas as forças.
Top Mídia News – Você quer dizer, das forças ligadas ao PMDB?
Bottura – Todas as forças mesmo, lá estavam o PSDB, PT, PMDB. Todos tinham seus candidatos, todos com nomes famosos, com bastante tradição política e foram derrotados porque a população quer mudança.
Top Mídia News – Então você acredita que nas eleições para governador vai pesar mais a exposição de programas de governo do que o sobrenome?
Bottura – Eu não vejo mais espaço para a família Trad, de ganhar eleições majoritárias. O clã Trad só ganha para postos legislativos, e nem acredito que alcancem o Senado.
Top Mídia News – É cansaço? É o quê?
Bottura – Esse desgaste vai acontecer cada vez mais conforme a interação das pessoas pelas redes sociais. A informação, hoje, flui muito mais fácil. Antigamente estas oligarquias tinham o controle da imprensa, todos eles sempre tiveram uma preocupação em controlar os meios de informação. Isso, hoje, é quase que impossível. Você não consegue controlar o que as pessoas falam pela internet. Hoje as mídias jornalísticas são fornecedores de assuntos para as redes sociais. Aonde as opiniões se formam, e em Mato Grosso do Sul são 500 mil contas, é nas redes sociais. Mesmo que a pessoa não tenha uma conta, um acesso, seu filho tem ou ela sofre a influência das pessoas que estão conectadas.
Top Mídia News – Nesse caso, o Bernal não se beneficiou por ser conhecido por meio de seu programa de Rádio?
Bottura – Na realidade isso faz com que seu nome seja conhecido. Torna ele uma pessoa conhecida. Nesse ponto sim, mas não tem como comparar a força do Bernal com toda a força que o outro lado tinha, com todos os veículos ao lado deles.
Top Mídia News – Foi uma mudança desejada pela população?
Bottura – É. Mas tem que tomar cuidado, também, com o velho vestido de novo. Tem muito candidato fazendo novas coligações de forças que, de novo não têm nada. O escândalo que sangra em Brasília envolvendo nosso Estado, envolve o partido que quer protagonizar a mudança.
Top Mídia News – Exatamente o quê?
Bottura – Nós temos o caso Ary Rigo, até hoje não explicado, com inquérito de 60 volumes, o “Mensalão Pantaneiro”, e as pessoas desse partido, cuja bancada não fez o menor movimento para esclarecer as denúncias, querem vender que eles são a mudança. Tem que tomar cuidado com a falsa mudança.
Top Mídia News – Sem descartar o suposto golpe, vamos concordar que o Bernal pecou pelos seus erros. Fez uma administração temerária. Tardou e não soube montar um secretariado, problemas de comunicação com a classe política e com a sociedade. Nessa eleição, vai ser levado em consideração, ou seja, uma mudança com consistência para levar a bom termo um governo?
Bottura – Eu acho que não dá para qualificar ou avaliar a administração do Bernal, porque foi uma administração de um ano onde, desde a primeira semana houve todo tipo de turbulência, todo tipo de armadilha para inviabilizar sua administração. Quando o PMDB se deu por vencido, fechou as verbas orçamentárias, impedindo o trabalho do Bernal. Também, a maioria dos vereadores e grande parte da imprensa trabalharam, desde o primeiro dia para inviabilizar a administração, então não é possível avaliar se foi bom ou ruim.
Top Mídia News – Houve uma orquestração do quanto pior, melhor?
Bottura – O que se viu foi uma política da Terra Arrasada. Isso é grave. Ver pessoas que nasceram e se formaram social e politicamente em Mato Grosso do Sul, que foram prefeitos da Capital, governadores do Estado, vereadores eleitos, trabalhando para destruir a possibilidade de uma boa administração, prejudicando a população inteira, desde que o Bernal não conseguisse conduzir o governo. Isso é muito grave. Avaliar Bernal só se ele tivesse cumprido seu governo num clima de normalidade.
Top Mídia News – Essa experiência político administrativa é perigosa?
Bottura – Eu acho que é importante, quando as pessoas votem pela mudança, elejam pessoas que tenham um histórico de vida que prove que estão aptas a promoverem as mudanças pretendidas. O processo não envolve apenas você querer fazer coisas novas, mas sim conseguir rasgar e desarmar essa teia de proteção, armadilhas que vão ser criadas pelo grupo que está sendo substituído. A pessoa tem que ter muito mais capacidade para fazer uma mudança do que fazer uma administração convencional.
Top Mídia News – Essa mudança pretendida, com foco no estado, não caberia para você uma candidatura a deputado estadual?
Bottura – Deputado estadual é muito complicado para mim, neste momento, porque existem desembargadores do Tribunal de Justiça do Mato Grosso do Sul (TJMS), que fazem parte do Pleno, que me odeiam. Eu tenho uma prevenção quanto a isso. Qualquer mínima coisa, haveria um lobby do Claudionor [Abss, desembargador] contra mim. Eu seria condenado por atravessar uma rua no [sinal] amarelo.
Eu já pensei muito em sair [candidato] para estadual, me daria mais proximidade com a população, mas eu tenho que tomar cuidado para que minha intenção política não seja um suicídio.
Top Mídia News – Quantos processos você abriu desde o primeiro, emblemático, por dissolução societária. Os processos contra juízes e desembargadores:
Bottura – Na realidade, no Conselho Nacional de Justiça, foram umas 60 representações. No Conselho Nacional do Ministério Público, uma cinco. Ação Indenizatória tenho uma quarenta. Não é tanto assim.
Top Mídia News - E eu tenho que concordar [risos].
Bottura – É proporcional aos atos ilícitos. Por exemplo, tinha um perfil falso no facebook para me atacar o dia inteiro, eu já mandei fazer uma representação. Eu só ataco judicialmente quando me ofendem.
O Brasil vai ser muito bom quando alguém sofre um ato ilícito tomar a atitude de acionar o judiciário. O problema do nosso país é que as pessoas não vão para o judiciário, não acreditam no judiciário e ai vira um país onde se busca a justiça pelas próprias mãos.
Eu tenho a visão de que quando você é vítima de um ato ilícito você tem resolver pela justiça.
Top Mídia News – Caso você desista de sua candidatura em função de um provável acordo do PTB com o Nelsinho Trad...
Bottura – Eu não acho que isso venha a acontecer. Acredito num apoio ao Reinaldo Azambuja [PSDB]. Acredito no Ségio Longen para dar uma nova cara ao partido, que percebeu que o PTB, se organizado e com o histórico que carrega, pode dar muito ao Estado.
Top Mídia News – Você se lançaria a vereador ou prefeito em 2016?
Bottura – Não. Pretendo trabalhar pela organização do partido para uma futura eleição em 2018. O PTB não tem por onde começar, hoje.
Fonte: Top Mídia News/JE
