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    31/03/2014

    Ponta Porã, MS: A Linha do Tempo, O dia que o Brasil calou, 50 anos do golpe Militar no Brasil

    Yhulds Giovani Pereira Bueno, Pesquisador e historiador
    Neste ano de 2014 um ano eleitoral de vários eventos que percorre o “Brasil”, que se prepara para ser sede da “Copa do Mundo” que irá acontecer em meios a tantos desmandos e corrupção que rodeiam as mais diversas instancia governamentais envolvidas em escândalos de proporções gigantescas, o povo, as novas gerações nem se lembram de que este ano e marcado por ser os 50 anos do golpe civil militar de 1964, esta data nos leva a uma série de reflexões que se faz necessária para poder tentar entender o “Brasil” atual.

    O atraso do país produzido pelo golpe que perdurou 21 anos é sem proporções sendo o mesmo irremediável, tirou da população muitas reformas substanciais que propiciariam o “Brasil” hoje estar entre as nações mais desenvolvidas do mundo tais reformas foram abandonadas, esquecidas por 21 longos anos, que para o “Brasil” se transformaram em um século de atraso que produziu o maior arrocho salarial de toda a história brasileira segundo pesquisadores de inúmeras áreas, que contribuiu para o sistema de “causa e efeito”, pois o mesmo vem causando essa vergonhosa concentração de rendas e riquezas que nos colocam em um desonroso lugar de subdesenvolvimento a nível mundial, uma nação grande territorialmente, mas pequena em atitudes que contribuem para o seu desenvolvimento.

    O “dia da mentira”, tal fato se deu há 50 anos, pois neste fatídico ano era destruída rasgada de forma cruel a legalidade democrática instituída no Brasil com a Constituição de 1946, que fora com muita luta e batalhas conquistada desde o grito de independência nas margens do Ipiranga. Hoje, a quase totalidade das entidades da sociedade civil (de empresários industriais e rurais, de banqueiros, de grupos religiosos e culturais, da grande imprensa etc.) esses mesmos citados foram os algoz, que conspiraram, endossaram contribuindo diretamente para a derrubada do governo democrático de João Goulart (1961-1964).

    “Não festejará o golpe civil-militar de 1964. Nestes dias, na grande imprensa brasileira que apoiou o golpe de 1964 (e, por alguns anos, atuou como aparelho ideológico da ditadura militar) – entre eles, os jornais O Globo, O Estado de S. Paulo, Folha de S. Paulo, Jornal do Brasil –, nenhum editorial será publicado para render homenagem à ação dos militares golpistas. (Nem mesmo, a Folha de S. Paulo se atreverá a afirmar, como fez em seu editorial de 17/02/2009, que o regime de 1964 – comparado com as ditaduras da Argentina e do Chile – teria sido uma “ditabranda”…). Desorganizadas e fragmentadas, as entidades progressistas e de esquerda – muitas delas subordinadas ou tuteladas pelo governo Goulart – não ofereceram qualquer resistência à quartelada militar. Sabe-se que, às vésperas de abril, algumas lideranças de esquerda afirmavam que os golpistas, caso atrevessem quebrar a ordem constitucional, teriam as “cabeças cortadas”. Mas, como mostraram os “duros fatos da vida”, tudo não passava de uma trágica e cortante metáfora. Com a ação dos “vitoriosos de abril”, a retórica, no entanto, tornou-se, após 1º. de abril, uma cruel realidade para muitos homens e mulheres durante os longos e sombrios 21 anos da ditadura militar”. Texto de Caio Toledo.

    Analisando o texto de Caio Toledo, observamos que muito se perdeu durante este tempo de ditadura “Regime Militar” no Brasil, mas o que as novas gerações não devem esquecer e deste período histórico, manter vivo na memória tais fatos, para que os mesmo não se repitam.

    A nossa fronteira brasiguaia também passou pelo regime militar, nestes tempos não podia fazer concentração política, pois era considerado como subversivo que segundo dicionário tem com significado: “desestabilizar, discursa de forma pública, pessoa revolucionária que faz rebelião, sendo uma forma de subverter criando uma rebelião”.

    A censura era severa, as patrulhas rondavam a linha de fronteira e a região urbana da cidade, todo e qualquer evento tinha que ter autorização do exército, que se desconfiasse de algo logo encaminhava o suspeito para averiguações no quartel do 11º RC, na linha de fronteira existia uma vala que tinha como função dificultar a passagem de veículos, desta forma facilitando o controle de entrada e saída.

    Quem viveu nestes tempos lembra que muita tensão existia principalmente em anos eleitorais, pois indicações e nomeações a cargos políticos eram normais impedindo que a população elegesse seus representantes. Isso também ocorria a âmbito nacional.

    Publicações em periódicos e programas de rádio tinham que seguir a risca o comando da censura ou logo era lacrado, isso também ocorria nas exibições que aconteciam no cinema o projetista tinha que passar o filme para os responsáveis pela autorização ou não toda e qualquer cena do filme que tinha conotação subversiva era logo cortado, exibições teatrais eram observadas e muitas vezes ocorriam de serem interrompidas durante a apresentação por não passarem pelo crivo da censura enérgica destes tempos.

    A lei do silêncio e da boa convivência pairava na região, assim a população vivia nestes tempos de ditadura evitando maiores transtornos com o “Regime Militar” na fronteira.

    A luta pelo fim do regime Militar foi longa, muitos sucumbiram durante a batalha, para o fim de tal ditadura vitimado por tal sistema. Relembrar fatos históricos e manter a memória sócia, política e cultural de uma nação.

    Pesquisador e historiador: Yhulds Giovani Pereira Bueno. Professor de qualificação profissional, gestão e logística (Programas Estaduais e Federias). Professor da Rede Municipal de Educação. Membro do Grupo Xiru do CTG – Querência da Saudade – Ponta Porã – MS.



    Autor: Pesquisador e historiador: Yhulds Giovani Pereira Bueno.