Notícias, acidentes, economia, política, policial, concursos, empregos, educação, ciência, saúde e cultura.

CG,

  • LEIA TAMBÉM

    16/12/2013

    'BR-163 está saturada, o tráfego é intenso', diz especialista em MS

    Concessão para iniciativa privada divide opiniões no estado. 
    Trecho sul-mato-grossense será leiloado nesta terça (17/12) na BM&FBovespa.

    Trecho da BR-163 em MS será leiloado nesta terça
    (Foto: Tatiane Queiroz, Do G1/MS)
    Pelo trecho de 847,2 quilômetros da BR-163 em Mato Grosso do Sul devem passar diariamente em 2013, 7.569 veículos, segundo estimativa da Superintendência Regional do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT). Desse total, 35,56%, o equivalente a 2.767 devem ser veículos de passeio, 2,04%, ou 155, de transporte coletivo (ônibus) e 61,40%, o equivalente a 4.647, de transporte de cargas.

    A via é o principal corredor de transporte rodoviário do estado e nesta terça-feira às 10 horas (horário de Brasília) o trecho será leiloado na BM&FBovespa, em São Paulo. Segundo a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), seis empresas e grupos vão disputar o certame.

    O leilão divide opiniões no estado. O analista de mercado João Pedro Cuthi Dias, especialista em agronegócios e logística, por exemplo, diz que a concessão do trecho da rodovia federal para a iniciativa privada é um "mal necessário".

    “A rodovia está saturada. Não tem mais período de safra e entressafra. Por ela são escoados grãos, madeira e produtos industrializados, entre outros. O tráfego de caminhões é intenso, o tempo todo. Não tem mais como ser em pista simples. Como o governo federal não consegue duplicá-la para atender essa demanda, a concessão para a iniciativa privada se torna necessária e urgente”, comenta.

    Cuthi acredita que a melhoria das condições de trafegabilidade da rodovia, que com a concessão deverá receber obras de duplicação, recuperação e manutenção, vão acabar compensando o preço que será pago nas nove praças de pedágio que deverão ser implantadas no trecho sul-mato-grossense da estrada.

    “Hoje os caminhões e carretas são obrigados a andar a velocidades muito baixas em alguns trechos, isso gera mais consumo de combustível, maior desgaste de pneus e peças e maior tempo de transporte. Com a melhoria, a velocidade vai aumentar o que vai reduzir o consumo de combustível, o desgaste de pneus e peças e também o tempo do frete, possibilitando aumentar o número de viagens. Se não fechar a conta [custo do pedágio menos economia com melhor trafegabilidade] fica muito próximo disso”, avalia.

    Em contrapartida, o relações públicas do Sindicato Trabalhadores e Transportadores de Cargas em Mato Grosso do Sul (Sindicargas), Roberto Sinai, afirma que a categoria é contra o leilão. “Nós não somos contra o benefício, mas sim a forma como ele vai ser obtido. Afinal já pagamos para construir, pavimentar, conservar e ter segurança na rodovia. Isso é obrigação do governo fazer, não teria que repassar para a iniciativa privada”, argumenta.

    Sinai calcula, tomando como referência a tarifa do pedágio que será cobrada em cada praça da BR-163, em Mato Grosso, R$ 2,63 a cada 100 quilômetros, que o custo de transporte de grãos, por exemplo, no trecho sul-mato-grossense da rodovia poderia ser onerado com a concessão em até R$ 0,50 por saca.

    “Vamos perder competitividade”, sentencia e rebate o argumento apresentado pelo analista de mercado de que as melhores condições de tráfego na estrada vão reduzir o impacto do custo do pedágio. “Vamos transitar a uma velocidade maior, e isso vai possibilitar uma economia de 3% a 3,5% de diesel e um rendimento até 10% maior na viagem, mas isso não vai compensar o gasto diário com os pedágios”, conclui.

    Regras do leilão da BR-163/MS

    Vence o leilão do trecho em Mato Grosso do Sul da BR-163 o grupo que propor o menor valor de pedágio a ser cobrado dos motoristas. Esse valor tem que ficar abaixo do teto fixado pelo governo para a tarifa, que é de R$ 9,27 para cada 100 quilômetros.

    O concessionário fica responsável pela administração de um trecho de 847,2 quilômetros de rodovia, onde terão que ser feitas obras de duplicação, recuperação, manutenção e implantação de melhorias. Estão previstas 9 praças de pedágio no segmento que começa na divisa com o estado de Mato Grosso e termina na divisa com o Paraná, atravessando 20 municípios em Mato Grosso do Sul.

    O número de interessados na BR-163/MS é maior do que o do último leilão -- de trechos das BRs-060/153/262 --, quando 5 grupos e empresas participaram propostas.

    Os seis grupos que entregaram proposta para o leilão desta terça-feira foram:
    - Companhia de Participações em Concessões (CCR)
    - Consórcio Queiroz Galvão Infraestrutura
    - Consórcio Rota do Futuro – formado por Ecorodovias Infraestrutura e Logística S/A; Coimex Empreendimentos e Participações Ltda; Rio Novo Locações Ltda; Tervap Pitanga Mineração e Pavimentação; Contek Engenharia S/A; A. Madeira Indústria e Comércio Ltda; Urbesa Administração e Participações Ltda.
    - Investimentos e Participações em Infraestrutura S.A. (Invepar)
    - Odebrecht Transport S.A.
    - Triunfo Participações e Investimentos S.A.


    Do Agrodebate
    Por: Anderson Viegas