O Prof. Dr. Claudio Basbaum e o Dr. Sang Choon Cha explicam quanto tempo demora o procedimento, uso de anestesias e quem não deve se submeter ao procedimento
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| Wavebreak Media / Thinkstock / Getty |
Por mais que a gente se prepare para o parto, conforme vai chegando a hora do bebê nascer a ansiedade só aumenta. E as dúvidas também, não é mesmo? Especialmente quando se trata de parto normal. Tem que tomar anestesia? O processo demora muito? Tem que fazer um corte para passar o bebê? O Prof. Dr. Claudio Basbaum, ginecologista e obstetra e o Dr. Sang Choon Cha, especialista em medicina fetal e diretor da Embryo Fetus, Centro de Reprodução Assistida, respondem estas e outras perguntas a seguir:
Quanto tempo leva em média para o bebê nascer?
Prof. Dr. Claudio Basbaum: Podemos dividir o trabalho de parto em 3 fases: dilatação, expulsão e dequitação (descolamento e saída da placenta.)
O tempo médio de duração de um parto, em todas as suas fases, é de cerca de 15 horas, na primípara ( aquela que vai dar a luz pela primeira vez) e de 10 horas na multípara.
Nas primíparas, o período expulsivo dura em torno de 1 hora e nas multíparas, cerca de 30 minutos. Expulsivo que dure mais de uma hora é chamado de prolongado e oferece riscos ao bebê e pode levar à estafa materna.
A boa assistência ao parto requer do obstetra um rigoroso acompanhamento dos fenômenos-sinais e sintomas- peculiares da parturição.
Dr. Sang Choon Cha: Em primigestas, isto é, aquela grávida que vai parir pela primeira vez, a duração media é de 12 horas. Em pacientes que já tiveram parto normal, dura em media 8 a 10 horas.
É preciso fazer um corte para passar o bebê?
Prof. Dr. Claudio Basbaum: Chamamos este corte de episiotomia. Consiste num corte anatômico na musculatura do períneo, com objetivo de evitar roturas perineais (região que se situa entre a entrada da vagina e o ânus).
Não deve ser feita de forma sistemática. Tem sua indicação nas parturientes que não têm uma boa elasticidade dos músculos da região (e que pode ser adquirida através de exercícios adequados) e sempre que houver necessidade do uso do fórceps.
Sua prática é bem maior nos Estados Unidos (alcança 90% nas primíparas) comparada com a Europa.
Dr. Sang Choon Cha: Na maioria dos casos é feito o corte, a episiotomia, com intuito de abreviar o período expulsivo e também evitar as possíveis roturas de músculos perineais bem como rotura de esfincter anal.
A mulher toma alguma anestesia para não sentir dor?
Prof. Dr. Claudio Basbaum: Antes de tudo temos que orientar e conduzir a gestante para um preparo físico e psíquico, condicionando-a para um comportamento equilibrado durante todo trabalho de parto.
Caso seja necessário, o emprego de drogas analgésico-anestésicas pode ser feito, adequando a cada fase do trabalho de parto e com critérios peculiares se a parturiente é primípara ou multípara.
A anestesia local é muito difundida para o parto normal e empregada no momento da episiotomia. Os bloqueios loco-regionais (Peridural e raque) - quando indicados- são realizados no final do período de dilatação e no expulsivo. Muitos obstetras indicam estas últimas, praticamente de forma rotineira para que a mulher possa dar à luz com maior tolerância e conforto. Atualmente a raque é a primeira escolha para as pacientes que vão ser submetidas a cesariana.
Dr. Sang Choon Cha: Normalmente é realizada uma analgesia peridural.
Quem não deve fazer parto normal?
Prof. Dr. Claudio Basbaum: Embora saibamos que o parto normal é que oferece maiores benefícios para a mamãe e seu bebê, certas condições não recomendam esta via para o parto. e indicam adotar o parto cirúrgico (Cesariana).
O parto normal deve ser contraindicado quando os riscos e/ou as desvantagens de uma via vaginal forem superiores ao de uma cesariana.
Algumas condições que não recomendem o parto normal tem origem em problemas clínicos na gestante (hipertensas, diabéticas, cardíacas, infecções, herpes ou HPV genital ativo, câncer no colo uterino são algumas) ou no bebê ( sinais de sofrimento fetal intra-parto, cardiopatia fetal, fetos muito grandes (macrossomia) ou serem originados em problemas obstétricos (desproporção feto-materna em relação à bacia óssea materna, defeitos ósseos congênitos ou traumáticos sobre a pelve da mãe), descolamento de placenta, prolapso de cordão, incompatibilidade Rh, posições inadequadas do feto ( pélvicos - bebê oferece a nádega e não a cabeça ao canal do parto, transversas).
Um aspecto que não pode ser negligenciado se refere ao psiquismo da gestante que em certos casos não tem a menor condição emocional para vivenciar a experiência do parto e do nascimento do seu bebê. O diálogo e a cumplicidade com o obstetra é o instrumento mais importante para definir a via do parto.
Dr. Sang Choon Cha: Teoricamente todas as gestantes podem ter parto normal. Em pacientes com a bacia muito estreita com feto grande seria uma contraindicação. Atualmente os fetos em apresentação pélvica, a maioria dos obstetras tem optado pela cesariana. Em caso de fetos macrossomicos, mais de 4000 gramas, onde existe maior risco de tocotraumatismo, o parto normal tem sido evitado.
É verdade que se a mulher já passou por um parto normal, se tiver que passar por outros, estes serão menos demorados?
Prof. Dr. Claudio Basbaum: Em principio, sim. Como mencionamos acima, nas multíparas, a duração de todas as fases do trabalho de parto são encurtadas.
Dr. Sang Choon Cha: Sim.
Quais devem ser os cuidados no pós-parto?
Prof. Dr. Claudio Basbaum: Oferecer condições ótimas ao recém-nascido, acolhendo-o com atenção, respeito, competência e doçura, para que aceite melhor sua chegada ao seu "novo mundo".
Após avaliação do neonatologia, apenas enxugá-lo, aquecê-lo e oferecê-lo ao seio materno.
Dedicar a mãe (puérpera) controle atento ao descolamento e expulsão da placenta, afim de minimizar as retenções e sangramentos pós-parto, ainda hoje grande causa de mortes maternas e atentar para eventuais lacerações no períneo, procedendo a sua sutura.
Dr. Sang Choon Cha: Cuidado com o sangramento genital, com o corte (a episiotomia) e estimular a deambulação e amamentação.
Fonte: chrisflores.net
Por: Lia Lehr
