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    06/07/2013

    Protesto de barqueiros fecha acesso ao cais turístico de Paraty

    Associação dos barqueiros de Paraty faz manifestação no cais da cidade durante a Flip - Foto: Zanone Fraissat/Folhapress 


    "Eu já falei / vou repetir / hoje turista não passa aqui". Foi com este e outros gritos de protesto que os turistas foram recebidos no cais de Paraty (RJ) na manhã deste sábado (6/07).

    Uma manifestação organizada por pouco menos de uma centena de barqueiros da cidade, que vivem dos passeios turísticos e reclamam da concorrência desleal das escunas de grande porte, impediu que os visitantes embarcassem para os tradicionais tours pelas ilhas e arredores da cidade.

    "Quem comprou passagem, volte para a pousada e peça seu dinheiro de volta", gritava um dos líderes, em português e inglês. Os cartazes traziam dizeres como "as escunas estão sufocando os caiçaras", "fiscaliza o cais já" e "não ao turismo predatório".

    "Pousada não é agência, não pode vender passeio turístico. Estão cobrando preço de banana só para lotar os restaurantes [das ilhas]", afirmou outros dos pescadores, que reclamava ainda da conivência da prefeitura local, que teria permitido "a entrada de grandes embarcações, para até 220 passageiros", contrariando a legislação local, que limita o número máximo de passageiros a 100 pessoas.

    "Algumas escunas não valorizam os caiçaras, até o peixe servido vem do Vietnã", dizia o cartaz de um dos manifestantes.

    Uma das turistas afetadas pelo bloqueio do cais foi a professora Cristina Pereira, 49, do Guarujá (SP). Ela veio para sua terceira Flip acompanhada da mãe e de uma amiga, e comprou em sua pousada um passeio de escuna, a R$ 30 por pessoa (quatro horas de passeio, com paradas).

    "Já tinha feito o passeio, é apaixonante, queria que elas fizessem. Mas chegamos aqui, começamos a ouvir o que eles reclamavam e vimos que tinham razão", disse Pereira.

    Convertida à causa dos manifestantes, ela se juntou ao protesto, com um cartaz feito na hora, que dizia "Foi o melhor não passeio que eu já fiz! O turista apoia o protesto".

    A manifestação foi vigiada à distância por cerca de dez policiais, em quatro viaturas. "Queremos policiamento todos os dias, não só hoje", gritou um dos manifestantes.

    "Estamos pedindo segurança no cais, ele está podre, caindo, não tem manutenção. Queremos iluminação e câmeras."

    Outros grupos, com causas diversas --como o Fórum das Comunidades de Paraty e o Acorda Paraty--juntaram-se ao protesto durante a manhã. Os manifestantes devem sair em caminhada pelo centro histórico da cidade, rumo à prefeitura, a partir das 13h.
    No caminho, prometem interditar a ponte que liga os dois lados da cidade e que dá acesso à Tenda dos Autores, onde acontecem as principais palestras da Flip.


    Fonte: Folha de S.Paulo