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Presidente da Santa Casa foi o primeiro a ser ouvido por deputados
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Em depoimento à CPI da Saúde, nesta segunda-feira (10), na Assembleia Legislativa, o presidente da Santa Casa, Wilson Teslenco, informou que a Junta Interventora, comandada pela Prefeitura de Campo Grande e o Governo do Estado, fechou em 16 de maio, último dia de atuação no hospital, contrato 986% superior ao até então em vigor na instituição de saúde.
No negócio, os interventores, que administraram a Santa Casa de janeiro de 2005 até maio deste ano, decidiram trocar a marca de um medicamento. Para efetuar a mudança, o contrato trimestral passou de R$ 46 mil para R$ 500 mil. “Quando assumimos parte do medicamento já tinha sido entregue, mas conseguimos suspender e salvar pelo menos R$ 1,6 milhão”, disse Teslenco.
Na mesma auditoria, ainda em andamento, foram detectadas outras suspeitas de irregularidades, como o inchaço de funcionários. “Tem pessoas dentro do hospital sem função”, relatou o atual presidente. Ele, porém, não apresentou números. “Sé depois de concluída a auditoria”, justificou.
Ao mesmo tempo, de acordo com ele, a Junta Interventora, reduziu os serviços prestados e aumentou a dívida da Santa Casa. Como exemplo, o presidente citou aos deputados que as internações, em 2004, somavam 34 mil; em 2005, 26 mil e em 2012, 27,7 mil. Os atendimentos de urgência e emergência passaram de 152 mil (2004) para 95 mil (2005) e para 116 mil, em 2012. As cirurgias decaíram de 22 mil (2004) para 17 mil (2005) e os leitos de 750 (2004) para 450 (2005) e 630 (2012).
No mesmo período, a dívida passou de R$ 37 milhões para R$ 113 milhões, segundo Teslenco. “Do total, R$ 18 milhões corresponde a falta de pagamentos dos tributos, descontaram os impostos dos servidores e não devolveram para o Tesouro. Isso é apropriação indébita”, comentou.
Para ele, o Estado e o Município fizeram da “Santa Casa uma extensão das secretarias de Saúde sem dimensionar os prejuízos ao hospital”. “A Santa Casa não tem responsabilidade de suportar a má gestão municipal e estadual”, acrescentou.
Em janeiro, por exemplo, entrou no hospital R$ 17,1 milhões e foram gastos R$ 22 milhões; em fevereiro, a receita foi de R$ 17,5 milhões e a despesa de R$ 19,9 milhões; em março, a Santa Casa recebeu R$ 17 milhões e gastou R$ 20,6 milhões e, em abril, obteve R$ 17 milhões e a despesa foi de R$ 20,6 milhões, conforme dados da nova direção.
“A dívida consome um patrimônio construído em 80 anos”, concluiu Teslenco. Agora, segundo ele, o objetivo é reduzir os custos, o volume de mão-de-obra, rever contratos e aumentar o repasse de verba pública. “O período de intervenção foi catastrófico”, avaliou o deputado estadual Maurício Picarelli (PMDB), integrante da CPI da Saúde.
Na próxima segunda-feira (17), a comissão irá ouvir a secretária estadual de Saúde, Beatriz Dobashi. O plano também é interrogar os demais responsáveis pela Junta Interventora, ocorrida nas gestões do prefeito Nelsinho Trad (PMDB), no último ano de mandato do ex-governador Zeca do PT e na gestão do governador André Puccinelli (PMDB). O objetivo da CPI é investigar, em 120 dias, o uso da verba pública nos 11 maiores municípios do Estado.
Fonte: Midiamax
Por: Lidiane Kober
Foto: Wagner Guimarães/ALMS
