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    08/06/2013

    Imóveis da avenida Afonso Pena serão desvalorizados com tombamento de canteiro

    Polêmico, tombamento 'congela' todos os prédios e casas localizados ao longo da via. Medida enfrenta resistência do setor imobiliário



    O tombamento do canteiro central e das árvores da avenida Afonso Pena, em Campo Grande, vai provocar uma desvalorização dos imóveis ao longo da via, que não poderão sofrer alteração. O Conselho Municipal de Cultura aprovou o tombamento na quarta-feira (5/06) e agora a medida vai para homologação pelo prefeito Alcides Bernal (PP).

    “A desvalorização será automática e isso é muito grave, eles não têm noção do que estão fazendo, porque isso envolve o patrimônio das pessoas. Ninguém vai querer comprar um imóvel onde não poderá ser feito nenhum tipo de ampliação ou intervenção externa”, afirma o presidente do Secovi/MS, sindicato que representa empresas do setor da habitação, Marcos Augusto Netto.

    Outra conseqüência é o “entrave” para que a cidade atinja um nível de desenvolvimento como o dos grandes centros. “A Afonso Pena é uma das regiões mais valorizadas, a menina dos olhos da cidade, um cartão de visitas. Empresários que pensam em investir aqui, ao descobrir que a lei de uso do solo é alterada assim, do dia para noite, vão desistir”, opina Netto.

    Tombamento

    O tombamento da avenida e do canteiro foi aprovado por unanimidade pelo Conselho Municipal de Cultura na quarta-feira (5/06). Com isso, fica proibido, por exemplo, a construção de mais andares em um prédio ou outros tipos de intervenções.

    “Se amanhã a prefeitura quiser construir um prédio de 50 metros, por exemplo, não vai poder, porque, tombadas, as árvores da avenida não podem ser sombreadas”, explica o presidente do Conselho, Ângelo Arruda.

    “Uma coisa é preservar, outra é amarrar os negócios da habitação. Eu nunca vi uma árvore morrer por causa de sombra, nem aqui e em nenhuma outra cidade”, rebate Netto. Na visão de Arruda, a decisão de tombar a Afonso Pena é uma questão de prevenção do meio-ambiente para as futuras gerações.

    “Nas grandes capitais, o crescimento desenfreado fez com que arranha-céus fossem construídos, colados uns aos outros. Aqui, ainda não é assim, mas não podemos dizer que isso não possa acontecer em um futuro próximo. Melhor fazer uma lei agora, enquanto ainda é tempo”, argumenta.


    Foto: Minamar Junior

    A decisão do Conselho segue para análise do prefeito Alcides Bernal (PP) e, se acatada, a medida será publicada no Diário Oficial da cidade.

    Fonte: Midiamax
    Por: Zana Zaidan e Fernanda Kintschner
    Foto: Minamar Junior