Imagens gravadas pelo filho de Oziel Gabriel mostram que antes de morrer, o líder terena fazia parte de um pequeno grupo de indígenas colocado na linha de frente do confronto, justamente numa posição fragilizada diante de nove policiais federais.
O que se nota nessas imagens é que Oziel, em mais de uma vez, simula ou lança flechas em direção aos policiais da PF, relativamente próximos. Oziel podia ser facilmente identificado: calça jeans, camiseta esverdeada, blusão preto e gorro preto na cabeça.
Segundo o filho de Joziel, o pai morreu quando se refugiava em direção à sede da fazenda, mas até agora não se sabe em que momento o terena levou o tiro fatal. Quando foi socorrido pelos próprios indígenas, apesar da presença dos bombeiros e do Samu no local, o índio deixou a fazenda caminhando, amparado por amigos. Morreu mais tarde, de tanto sangrar, porque a bala atravessou o seu fígado.
Otoniel Terena, irmão de Oziel, chegou a afirmar que o tiro que matou o Terena foi de autoria de um grupo de policiais federais. “Meu irmão levou o tiro do lado em que a PF estava. Os policiais se dividiram em três grupos. Eu estava com outros indígenas no lado dos policiais militares; meu irmão do lado da PF. Ouvimos tiros vindos de lá, do lado da PF. Depois vieram carregando o Oziel, para levá-lo ao hospital”, contou.
Por essas imagens, nota-se que os agentes da Polícia Federal atuaram em grupos, com homens mantidos a uma pequena distância uns dos outros, tendo como única defesa a arma letal, em geral pistolas automáticas. Outras imagens do episódio gravadas pelos próprios índios poderiam trazer mais detalhes dos fatos, mas elas foram confiscadas pela Polícia Federal. Sites ligados à causa indígena denunciaram o fato pela rede social, ontem mesmo.
Um dele é o chamado “Coletivo Terra Vermelha”: "CONFRONTO MORTAL NA FAZENDA BURITI EM MS!!!! ONDE ESTÀO VCS??!!! PRECISAMOS DE AJUDA!!!! A SITUAÇÃO É DE CAOS!! A POLÍCIA FEDERAL APREENDEU TODO MATERIAL GRAVADO NO MOMENTO DO CONFRONTO!!" “Foram gravadas muitas imagens que comprovam a extrema violência das Polícias Militar e Federal, no entanto muitos celulares e câmeras que continham foram aprendidos e quebrados. Além da violência, CENSURA!”
A dificuldade de documentação do conflito começou dias antes, com um entrevero entre o jornalista do Conselho Indigenista Missionário, Ruy Sposati, e o delegado da PF, Alcídio de Souza Araújo. Ao ver o fotógrafo do CIMI, o delegado revistou seus pertences e confiscou seu computador pessoal. O delegado Otacílio é figura central nas investigações que envolvem mortes de índios ou desocupação de terras.
Foi dele a primeira investigação sobre morte do cacique Nisio Gomes, em Aral Moreira, que não apontava culpados. Mas investigações posteriores do Ministério Público Federal e a PF de Ponta Porã mudaram o caso. Descobriu-se que Nisio fora morto por um grupo de fazendeiros e seguranças de uma empresa privada de Dourados, que esconderam o corpo.
Outras imagens do Youtube mostram um indígena atirando com um espingarda contra, possivelmente, o grupo de policiais. São imagens que não especificam o local, e a data aparece como 2008, mas o lugar é semelhante às terras da fazenda Buriti. Depois dos disparos do indígena, ouve-se barulho de tiros vindo de outra direção, e ele sai correndo junto com outros índios. Se tudo isso for comprovado, a temperatura da questão indígena está próxima ao confronto armado.
Fonte: Midiamax
Por: Pio Redondo
