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    15/01/2013

    Acomodações políticas devem incluir indicação para o Tribunal de Contas

    José Ancelmo deve antecipar aposentadoria

    O conselheiro José Ancelmo dos Santos está na iminência de aposentar-se compulsoriamente, mas poderá deixar o TCE (Tribunal de Contas do Estado) antes mesmo de completar os 70 anos exigidos por lei, para atender eventuais acomodações políticas do governo. 

    A possível aposentadoria antecipada do conselheiro desperta o interesse político do governador André Puccinelli (PMDB), embora a vaga pertença a Assembleia Legislativa, onde há pelo menos dois deputados cotados, o presidente da Mesa Diretora, Jerson Domingos (PMDB) e Antonio Carlos Arroyo (PR). 

    O interesse do governador em antecipar a escolha do substituto de José Ancelmo na Corte Fiscal passa pelo seu desejo de disputar o Senado em 2014. Na prática, ele não quer deixar essa amarração para última hora, pois nesse período ele já quer estar em campanha. 

    Como dispõe de uma base aliada forte na Assembleia, o governador tem o poder de articular a indicação de alguém de sua preferência. Nesse caso, surge o nome do secretário de Governo, Osmar Jerônymo, cuja indicação poderia abrir espaço para futuras acomodações políticas. 

    Um dos nomes lembrados para a vaga de Jerônymo na Casa Civil é o do ex-prefeito de Campo Grande, Nelsinho Trad (PMDB). Porém, o governador André Puccinelli garantiu à imprensa que poderá acomodar o correligionário em uma pasta a ser criada a partir de uma mini-reforma administrativa que deve colocar em prática após o recesso parlamentar. 

    Um dos exemplos de interferência do governo foi a indicação do próprio José Ancelmo para o TCE-MS durante o governo de Wilson Barbosa Barbosa (PMDB), cuja vaga pertencia a Assembleia. 

    Nascido em 01/02/1944, Ancelmo só irá completar os 70 anos para se aposentar compulsoriamente no dia 1º de fevereiro do ano que vem. No entanto, há quem garanta que o conselheiro poderá deixar a vaga antes do prazo. 
    No começo deste mês, André Puccinelli anunciou a demissão de 1.800 servidores comissionados, começando pela Secretaria de Governo. 

    Questionado pela imprensa, o governador negou que o corte tenha motivação política, observando que a maioria dos nomes era de pessoas ligadas ao próprio PMDB. Segundo ele, a decisão é sustentada por três pontos: motivação e eficiência, enxugamento da máquina e projeto Ficha Limpa.

    Apesar da degola, o governador prometeu readmitir alguns dos comissionados. Ele garantiu ainda enviar à Assembleia projeto para que os comissionados só tenham vaga assegurada no governo se comprovarem não ter condenações judiciais. 


    2014 


    Médico urologista, Nelsinho foi nomeado no último dia 4 pelo governador para atuar na auditoria e perícia médica da Secretaria de Saúde do Estado, conforme publicação no Diário Oficial do Estado. 

    Dois decretos publicados no Diário Oficial oficializam a situação do ex-prefeito no Governo. O primeiro informa a cedência de Nelsinho, que tem cargo no quadro permanente da Secretaria de Saúde, para a Governadoria. O segundo nomeia o ex-prefeito para atuar na própria pasta, no setor de auditoria e perícia médica. 

    A nomeação de Nelsinho no governo ocorreu três dias depois de ele deixar a Prefeitura. Outra função cotada para ele no Governo seria um cargo estratégico para fazer a interlocução entre Estado e prefeitos.

    Pré-candidato declarado ao governo estadual, Nelsinho disputa a indicação com a vice-governadora Simone Tebet (PMDB).

    Fonte: conjunturaonline
    Por: Willams Araújo
    Foto: Divulgação