Defensoria entrou com ação civil pública nesta sexta-feira (14).Segundo decisão da Justiça, lixão seria desativado no fim de dezembro.
| Cerca de 60 catadores se reuniram em frente ao fórum de Campo Grande (Foto: Aliny Mary Dias/G1 MS) |
Um grupo de aproximadamente 60 catadores se reuniu em frente ao prédio do Fórum de Campo Grande, na tarde desta sexta-feira (14), para protestar contra o fim das atividades do lixão, que deve ser desativado no fim de dezembro de 2012. Segundo a defensora pública que representa os trabalhadores, Olga Lemos Cardoso, uma ação civil pública contra o fim das atividades no local foi ajuizada na Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos nesta sexta-feira.
O processo que corre na Justiça deve ser analisado pelo juiz substituto da vara na próxima quarta-feira (19). A defensora afirma que a manifestação dos catadores serviu para chamar a atenção da população.
“Eles querem sensibilizar as pessoas para que eles possam continuar trabalhando. A Justiça determinou que eles saiam do lixão no dia 31 de dezembro, mas no nosso entendimento, o município não fez a parte dele”, afirma.
A defensora afirma ainda que a promessa da prefeitura campo-grandense era que uma usina de reciclagem fosse construída para que os catadores pudessem ser transferidos para o local. Segundo Olga, hoje a usina tem 10% das obras finalizadas.
Valdinei (à esquerda) trabalha há 17 anos no lixão
(Foto: Aliny Mary Dias/G1 MS)
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Renda
Para o catador Valdinei da Silva Santos, de 31 anos, que trabalha há 17 no lixão, a saída do lugar vai representar o fim da única fonte de renda de muitos trabalhadores. “Se tiver que sair, nós vamos passar fome. Eu tenho três filhos e não tenho o que dar para eles se não tiver aquele trabalho”, conta Valdinei, que alega ter uma renda mensal de R$ 2 mil.
Rudimar Soares, de 29 anos, cata materiais recicláveis no lixão desde os 10 anos e afirma que sem a renda do local, irá passar o fim de ano com dificuldades. “Para todos nós, o Natal vai acabar. Não vamos ter de onde tirar a comida para nossos filhos. Nossa sobrevivência é o lixão”.
Impasse
A diretora do Departamento de Licenciamento e Monitoramento Ambiental da Semadur, Denise Name, disse ao G1 em outra manifestação dos catadores realizada em novembro, que quando as atividades no lixão forem encerradas, os catadores poderão trabalhar na Central de Triagem do aterro desde que estejam inseridos em uma cooperativa.
A Política Nacional de Resíduos Sólidos estabeleceu o prazo limite até 2014 para que todos os lixões sejam desativados.
| Processo será analisado pela Justiça na próxima quarta-feira (19) (Foto: Aliny Mary Dias/G1 MS) |
Do G1 MS