| Vitor Jones de Oliveira , sobrinho do ex-campeão de boxe Acelino Popó de Freitas Foto: Arquivo Pessoal |
O pequeno Vitor Jones passou até os 11 anos andando descalço, catando coisas no ferro-velho e se metendo em confusões na rua. Foi nessa época que descobriu ser sobrinho de Acelino de Freitas, o Popó, então campeão mundial de boxe. As vidas deles se cruzaram após um episódio de violência doméstica sofrida pelo menino. Hoje (15/7), aos 19 anos, Jones surge como promessa no esporte e se prepara para estrear no boxe profissional.
A luta do peso super pena (até 59kg) acontecerá em no próximo dia 20, em Las Vegas, mas o adversário só será conhecido na hora da pesagem. Treinado por Luiz Cláudio Freitas, irmão e ex-técnico de Popó, o garoto terá os dois tios no seu córner no combate. Com oito anos de experiência, 76 lutas no cartel, três anos e meio dedicados à seleção brasileira olímpica e vários títulos no boxe amador, ele não chega como novato.
— Não estou nervoso, apesar de bater um frio por ser estreia. Estou acostumado a esse tipo de pressão. Ter um tio como técnico e outro como córner ajuda. Estou bem treinado e sei do meu potencial. Sei o que tenho que fazer quando chegar lá — diz.
| Jones e seu técnico Luiz Cláudio Freitas Foto: Divulgação |
Um drama em família uniu Jones e Popó. Um ano depois de descobrir que era sobrinho-neto do campeão de boxe, Jones levou uma surra do avô, que é irmão de Popó por parte de pai. Machucado, buscou refúgio na casa da mãe do pugilista, Zuleika.
O tio famoso, que hoje é deputado federal pela Bahia, sempre deu apoio e o ajudou a conseguir o contato com o "promoter" de lutas que o ajudou na carreira internacional. Mesmo sendo da mesma família, Popó analisa friamente o potencial de Vitor Jones:
— Ele vem treinando duro, e eu já acompanho o desenvolvimento dele desde sempre. Qualidade técnica ele tem de sobra, mas o Cara lá de cima também precisa abençoar. Que Deus o ilumine na luta e ele vença — fala Popó.
O jovem foi dispensado da seleção brasileira de boxe — modalidade amadora e olímpica — antes de completar 18 anos. Nem por isso desistiu.
— Não tive problemas. Eles disseram que tinha um cara melhor que eu. Hoje, um ano e meio depois, agarrei com força essa que é a maior oportunidade na minha vida.
Hoje, praticar esportes ajuda jovens a ter a mudarem de vida. Com Jones não foi diferente. Quando chegou para morar com o tio e a avó Dona Zuleika, o menino começou a dar os primeiros passos no boxe, o que o ajudou a mudar de comportamento.
— Deus colocou essas pessoas abençoadas na minha vida. Eu vivia na rua e poderia ter sido um marginal. Se não tivesse começado a praticar o boxe hoje eu já estaria morto, porque o amigo que eu andava já foi assassinado — diz.
O maior objetivo de Jones não é ser campeão. Mais que o cinturão, ele sonha a ajudar a mãe e os cinco irmãos, que vivem em condições precárias em Salvador, na Bahia.
— Minha mãe (silêncio e choro)... Ela vive na rua pedindo dinheiro com as minhas irmãs. Meu tio Popó até deu uma casa para ela. Vou vencer na vida para ajudá-la a ter uma vida melhor.
Fonte: Jornal Extra
Por: Marjoriê Cristine